DA REDAÇÃO: Analista desqualifica relatório de plantio do USDA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou, nesta sexta-feira (28), seus números para a área de plantio e estoques nos Estados Unidos referentes à safra 2013/14.
Para a soja, a área plantada deverá ser de 31,44 milhões de hectares na safra nova, abaixo das expectativas do mercado de 31,58 milhões de hectares. Ao se confirmar, a área seria 1% maior do que a registrada na temporada anterior (31,24 milhões de toneladas). A área a ser colhida é esperada em 31,12 milhões de hectares, aumento de 1% em relação a 2012.
Para o milho, o departamento reportou uma área de 39,42 milhões de hectares, contra 38,58 milhões esperados pelo mercado e superior à cultivada no ciclo anterior (39,32 milhões de hectares). A área colhida, sendo assim, seria de 36,07 milhões de hectares, 2% maior do que os 35,36 milhões de hectares de 2012.
No entanto, na avaliação do consultor de mercado da SIM Consult, Liones Severo, os números são muito precipitados, visto que o USDA acompanhou apenas as duas primeiras semanas de plantio, ou seja, apenas o começo dos trabalhos no campo. Sendo assim, a expectativa se volta para a divulgação do próximo relatório do departamento norte-americano, com números mais realistas sobre a situação da nova safra do país.
E é nisso que Severo acredita: na realidade do presente momento, onde os estoques mundiais de soja estão muito pequenos e a demanda continua muito aquecida, principalmente com sinal de que a China só tende a aumentar suas importações de grãos. Assim, para ele, os preços da soja também tendem a se sustentar acima dos US$ 13,50 por bushel (safra nova), contrariando as estimativas do outros analistas em que o preço internacional ficaria ao redor de US$ 11 por bushel.
Além disso, para Severo, com os estoques mundiais quase nulos, nem mesmo a expectativa de aumento de safra seja nos EUA, seja na América do Sul, poderá recompor completamente a disponibilidade e atender a demanda mundial. Por essa perspectiva, possivelmente a próxima temporada também para o Brasil será de renda para os produtores.
Quanto a safra velha, para brasileiros que detém estoques da temporada 2012/13, o que favorece bons rendimentos ainda é a puxada do dólar frente ao real. No mercado físico, no porto de Rio Grande, a saca de 60 quilos da oleaginosa já bate R$ 74, podendo subir ainda mais.
Para o milho, a previsão do consultor não é muito diferente, uma vez que os EUA também estão com os estoques apertados, poderão reduzir ainda mais a área plantada na nova temporada 2013/14, além de cada vez mais destinarem a produção do cereal para a fabricação crescente de etanol e assim acabam reduzindo suas exportações. Sobre esse conjunto, o mercado de milho no Brasil pode ser beneficiado, visto que seria outra fonte de venda para atender o consumo do mundo. A base de preços para o interior do Paraná deve ser, para ele, acima de R$ 24 a saca de 60 quilos.
Completando a análise do Liones Severo, para o trigo, o panorama também é altista, visto que a produção mundial sofre perdas na qualidade em importantes regiões produtoras por causa da adversidade climática. Como importante componente da ração animal, o cereal pode substituir o milho.
Confira a análise completa do consultor Liones Severo no site da SIM Consult.
Clique aqui e veja os números divulgados pelo USDA nesta sexta-feira (28).