DA REDAÇÃO: Frigoríficos tentam derrubar preços firmes do boi gordo
O cenário atual do boi gordo apresenta informações desencontradas. De um lado existe a notícia de que as chuvas seguram os pastos para os produtores, enquanto, do outro lado, a Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso) afirma que houve um aumento na abate de fêmeas nos últimos 5 meses devido a falta de renda dos produtores. E também consultorias informam que os preços estão firmes, com tendência de subir ainda mais, porém os frigoríficos tentam derrubar.
De acordo com o Presidente da Cooperativa de Crédito dos Agropecuaristas e Goiânia (GO), Augusto Gontijo, a leitura do mercado é que há uma manipulação dos preços por parte dos poucos frigoríficos que continuam comprando: “Os frigoríficos manipulam a notícia para segurar o preço do mercado, por isso é importante à divulgação dos preços reais da região”.
Em Goiás já foram realizados negócios a R$ 95,00/@ o boi europa e R$ 93,00/@ o boi de pasto, principalmente na região sul do estado, onde o mercado é mais próximo de São Paulo (SP), que tem preços mais firmes do que os de Goiânia. Porém, o mercado está firme em todo o estado porque falta animal em função do buraco que se forma entre o boi de pasto, que está acabando e o boi confinado, que ainda não entrou, fazendo com que falte boi para escala na maioria dos frigoríficos.
“Hoje se consegue escalar animais para abate em 2 dias, então a lei da oferta e procura deveria funcionar, mas isso não acontece na prática devido a manipulação dos preços de mercado pelos frigoríficos em todo o Brasi”, afirma Gontijo.
O Presidente da Cooperativa de Goiânia diz ainda que grupos frigoríficos estão adquirindo outras empresas e formando um oligopólio que poderá manipular o mercado: “Nós só conseguiremos colocar um contraponto nessa situação se nos organizarmos por meio de informações precisas para formar grupos que façam a comercialização de animais em conjunto. Assim teremos uma força de negociação diante desses grandes grupos frigoríficos que são muito organizados”.
No Brasil são abatidas 150 mil cabeças de gado por dia, portanto a diferença de 1 real por arroba traz um grande impacto na rentabilidade do setor, que tem, cada vez mais, uma diminuição nas margens de lucro devido aos altos custos de produção.