DA REDAÇÃO: Agronegócio - Professor aponta alternativas para setores que enfrentam crise
De acordo com o professor da ESPM e FGV, José Luiz Tejon, afirma que há alternativas para enfrentar a crise na citricultura e na cafeicultura. No agronegócio é impossível observar apenas um ângulo como o do produtor, da agroindústria ou varejo, já que a atividade pressupõe uma gestão da cadeia produtiva.
Além disso, quando os contratos não são bem organizados e não há diálogo, o setor está sujeito aos riscos. E dependendo da conjuntura e da relação entre a oferta e a demanda, existem conflitos de interesses dentro da própria cadeia produtiva, conforme destaca o professor.
Dentro desse cenário, o elo mais fraco em curto prazo, o produtor rural sofre, do mesmo modo, no médio e longo prazo o consumidor e a agroindústria também são afetados. “A palavra de ordem é inteligência para a negociação entre os agentes privados. O setor privado precisa aprender a se organizar e aprender a vender junto”, destaca Tejon.
Na visão do professor, a alternativa para os pequenos produtores de café é o associativismo inteligente. De forma geral, os agricultores precisam desenvolver produtos de valor agregado, produtos em nichos, não existe somente um mercado. E para os produtos agrícolas, há vários segmentos e nichos, então os produtores precisam identificar o segmento em que vai atuar e buscar clientes e que tem que sair para vender, segundo acredita o professor.
“Os agricultores não podem mais ficar esperando o comprador na fazenda. Os produtores precisam aprender a sair para vender, o que é fundamental no mundo contemporâneo. A negociação é o nome do jogo dos próximos 10 anos. A cadeia precisa se organizar, para proteger os produtores na época das mínimas e proteger a indústria na época das máximas. Os contratos entre as organizações têm que ter bom sendo e uma visão de longo prazo”, diz Tejon.
Já no caso da citricultura, o professor sinaliza que a estratégia para consertar uma coisa que tem fundamento errado é somente a crise. E que o Brasil, líder do setor precisam tomar medidas para que haja um aumento no consumo mundial de suco da fruta. Por outro lado, muitas vezes os acordos não são feitos, em função de um drama momentâneo e de ausência de liderança no setor tanto por parte dos produtores como da indústria.
“Não se pode abrir mão da necessidade do diálogo, agricultores têm que ter liderança moderna que compreenda a importância da negociação. A indústria não pode sacanear os produtores. E essa história de que a indústria fará a produção sozinha é burrice, já que o novo consumidor, sociedade irá valorizar corporações e marcas que tenham em sua rede de fornecimento pequenos produtores que façam parte da imagem. Isso se chama responsabilidade social ao longo da cadeia”, finaliza o especialista.