DA REDAÇÃO: No MT, produção de etanol de milho e DDG pode favorecer agricultores

Publicado em 30/09/2013 14:20 e atualizado em 30/09/2013 16:22
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Milho: Em Campos de Júlio, no Mato Grosso, excedente tem sido utilizado para a produção de DDG, proteína vegetal mais barata que o farelo de soja, além de etanol a partir do residuo do milho. Fabricação dos dois subprodutos é solução para a superprodução do milho no centro-oeste, além de oferecer importante fonte de alimentação animal a baixo custo.

Norte-americanos descobriram que com a utilização de enzimas é possível fazer alimentos mais baratos, uma vez que a produção de carnes precisa da proteína vinda da soja, mas o grão está bastante caro. Com isso, foi descoberto que ao invés de se fazer do milho apenas amido, colocando enzimas para funcionar é possível obter um concentrado de proteína, chamado de DDG, que é mais barato do que a soja e também poder ser feito a partir do restante da produção de etanol de milho.

Em Campos de Júlio (MT), a Usimat produz 180Kg de DDG por tonelada de milho e já vendeu em São Paulo (SP) 25% dos 7 milhões de litros de etanol de milho produzidos, sendo que o restante atendeu o mercado interno.

De acordo com o Presidente do Sindicato Rural do município, Ademir Rostirolla, a proteína da soja custa 25 reais por ponto de proteína, enquanto o DDG custa menos de 12 reais por ponto: “Isso é importante porque na região está sobrando milho, o que pode desestimular o produtor a continuar plantando, mas com esse novo mercado é possível transformar o milho em 2 produtos, um combustível líquido e uma proteína vegetal, que faz falta em todo o mundo para alimentar animais na produção de carnes”.

 

Etanol pode ser salvação da lavoura de milho em MT

Fonte: O Estado de S. Paulo

Os agricultores de Mato Grosso parecem não ter dúvidas. A transformação do cereal em etanol é a alternativa para tornar viável o escoamento da crescente produção de milho, que triplicou nos últimos dois anos, impulsionada principalmente pelo aumento da produtividade das lavouras, resultante do maior investimento na tecnologia de cultivo, como os transgênicos resistentes às lagartas. A área cultivada dobrou para 3,6 milhões de hectares, enquanto a produtividade do milho saltou de 67 sacas por hectare em 2011 para 102 sacas neste ano.

Pelas estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) a produção estadual de milho nesta safra alcançou 22 milhões de toneladas, mas existe potencial para, pelo menos, dobrar nos próximos anos, pois o cereal, que é semeado após a colheita da soja (segunda safra), ocupa apenas 40% da área antes ocupada pela oleaginosa. O fator limitante para esta expansão é a comercialização, pois o consumo interno permanece estagnado em 3 milhões de sacas e na exportação os custos de logísticas corroem grande parte dos ganhos.

Os produtores recebem hoje R$ 10/saca em Mato Grosso, enquanto o frete para Santos (SP) sai a R$ 17/saca e para Santarém (PA) custa R$ 14,40/saca. Nesta safra o governo federal destinou R$ 750 milhões para subsidiar a comercialização de 10 milhões de toneladas de milho e garantir aos produtores pelo menos o preço mínimo de R$ 13,02/saca.

Os investimentos nas usinas de etanol de milho é o caminho apontado pelos produtores de Mato Grosso para reduzir a dependência do apoio governamental, que encontra resistência em alguns ministérios porque boa parte dos prêmios dos subsídios ofertados por meio de leilões é arrematada por grandes grupos empresariais do agronegócio.

O presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Piero Vincenzo Parini, observa que a produção de etanol de milho deve ser direcionada à exportação e ao mercado paulista, pois Mato Grosso já tem excesso de oferta. O Estado consome 60% do volume produzido de 1 bilhão de litros, outros 30% vão para a região Norte e outros 10% para o Sudeste.

Parini é diretor da usina Libra, localizada no município de São José do Rio Claro, que começa a produzir neste mês etanol de milho, ao mesmo tempo em que continua moendo a cana-de-açúcar. Na primeira safra a Libra vai processar 180 mil toneladas de milho. Outra indústria é a Usimat, de Campos de Júlio, a primeira do Brasil a produzir etanol de cana e de milho. Na safra passada a usina produziu 7 milhões de litros de etanol de milho, dosquais 25% foram comercializados em São Paulo.

Em tese seria difícil para o milho concorrer com a cana-de-açúcar em termos de rentabilidade, pois enquanto um canavial produz 70 toneladas, numa lavoura do cereal são colhidas hoje em média 6 toneladas. Mas, além de a tonelada de milho render quatro vezes mais etanol do que a cana, outros fatores são favoráveis ao cereal, como a alta disponibilidade do grão e a possibilidade estocagem. O milho também dispensa investimento em plantios (compra e arrendamento de terras) para garantir o abastecimento, como ocorre com a cana.

Para muitos produtores o etanol seria apenas o ponto de partida, pois o ganho estaria no “bagaço do milho”, o chamado DDG (Distillers Dried Grains with solubles). No caso da Usimat, na safra passada a produção por tonelada de milho foi de 370 litros de etanol e 180 quilos de DDG, um concentrado com alto valor proteico, que custa metade do preço do farelo de soja utilizado na fabricação de ração animal. Piero Parini, da Libra, diz que entre as várias formas de compra da matéria-prima (disponível, antecipada etc), uma que está sendo negociada é o fornecimento do milho pelo confinador de bovinos que, em troca, receberia o DDG.

Por: João Batista Olivi e Paula Rocha
Fonte: Notícias Agrícolas

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