DA REDAÇÃO: Com ocorrência de neve nos EUA, soja e milho operam em alta na Bolsa de Chicago
Nesta última terça-feira (22), nevou do norte ao leste da área central de Iowa (EUA) e esta noite o serviço meteorológico do país indica congelamento para as áreas central, sul e sudeste do estado. Na segunda-feira (21), o estado de Illinois (EUA) também recebeu neve. Frente a esse cenário, nesta quarta-feira (23) os preços dos grãos sobem na Bolsa de Chicago.
De acordo com o analista de mercado, Vlamir Brandalizze, nessas regiões que receberam neve ainda há cerca de 30% da soja para ser colhida e 60% do milho, mas com a neve as máquinas não conseguem entrar no campo para colher: “Quando se acumula neve em cima da vagem da soja, ela começa a abrir e perder os grãos, enquanto no milho a espiga cai quando a neve é muito forte, ou seja, hoje (23) essa situação ajuda o mercado a trabalhar em alta”.
Além disso, nesta quarta-feira (23) também houve notícias favoráveis sobre a demanda, uma vez que a Rússia comprou 120 mil toneladas de soja dos EUA e o Vietnã comprou 400 mil toneladas de milho do Brasil. Essa demanda sinaliza que o leste europeu e a Ásia sofreram na última safra e precisam de grãos nesse momento, por isso compram antecipadamente, refletindo no mercado em Chicago.
“Essa grande compra do Vietnã, que normalmente compraria dos EUA, mostra que o milho brasileiro está com excelente qualidade e chegando mais barato na Ásia. Além disso, agora os portos estão conseguindo embarcar em melhores condições do que em meses anteriores, o que também ajudou bastante nas negociações”, afirma Brandalizze.
Esse é um fator positivo que pode começar a trazer um apelo mais altista ao mercado interno, uma vez que o preço do milho esteve muito fraco nos últimos 3 meses. Na próxima sexta-feira (25), o governo fará mais um leilão de Pepro para apoiar os produtores do Mato Grosso (MT) e, consequentemente, no início de 2014 o Brasil já terá um volume pequeno de oferta de milho, sem excedentes. Com isso, o próximo ano começa a sinalizar que será mais favorável aos produtores do grão.
Para a soja, no Brasil ainda há apenas 6% para ser negociado, o que é um volume pequeno para o mercado interno, por isso as cotações internas estão maiores do que as do mercado internacional. Brandalizze diz que a primeira entrada de soja no país será apenas em fevereiro, com isso ainda há cerca 4 meses com pouca soja para se comercializar, sendo que a demanda interna e de exportação de farelo e óleo estão firmes devido ao leste europeu e Ásia, os quais tiveram problemas na safra.
O mercado do trigo também está em alta atrelado a Rússia e a Argentina, grandes exportadores mundiais, que enfrentam problemas na sua safra e terão menos trigo para exportação. Assim, mercado brasileiro é favorável ao produtor, apesar dos problemas climáticos em algumas regiões, quem tiver trigo terá lucratividade.