DA REDAÇÃO: Atual fluxo de embarques de soja dos EUA é normal e não apresenta acréscimo de demanda, diz Analista de Mercado
O mercado de grãos está muito concentrado no relatório de oferta e demanda que será divulgado pelo USDA na próxima sexta-feira (8), uma vez que não houve o relatório em outubro. Com isso, o mercado está predestinado a tomar posições mais agressivas apenas após a divulgação desses dados.
A expectativa geral é que o Departamento de Agricultura dos EUA aumente a produção de milho e soja e também aumente a projeção de estoques para o novo ano comercial, o que vai mantendo os preços acomodados na Bolsa de Chicago. Já se o USDA trouxer algum número acima do esperado, talvez a próxima semana seja bem diferente desta.
Além disso, as chuvas na América do Sul ocorrem em bom volume e a safra de soja vai se desenvolvendo bem até o momento, inclusive na Argentina, onde estava faltando precipitações, mas, diante desse cenário, faltam argumentos para altas nos preços.
De acordo com o analista de mercado, Paulo Molinari, não existem dados de sustentação nos preços da soja devido a uma demanda bastante aquecida: “A exportação norte-americana está maior porque a safra está entrando nesse momento, enquanto o Brasil e Argentina estão praticamente fora da exportação o mundo depende da safra dos EUA para se abastecer, ou seja, isso não é um acréscimo de demanda, é um fluxo normal de embarques dos EUA, mesmo porque nos últimos 2 anos o país foi perdendo vendas devido a safras menores e estoques muito baixos, já, este ano, com uma safra melhor, os embarques voltam a crescer”.
Sendo assim, a demanda mundial continua dentro de uma curva normal já projetada e não há acréscimo ou escassez de soja no mercado mundial. O abastecimento dependerá da safra sul-americana, principalmente do desenvolvimento das lavouras argentinas e brasileiras nas próximas semanas. Molinari afirma que se a América do Sul tiver uma safra normal, a demanda pode crescer e os preços não serão sustentados.
No mercado interno, segundo Molinari, a demanda também está normal com o Brasil exportando um volume bem agressivo ao longo do ano. O país já está na entressafra da soja e os preços do grão se devem a esse fator e não a demanda: “A safra nova de soja só começa no final de janeiro, então, até lá, há uma entressafra em que naturalmente os preços internos ficam mais firmes”.