DA REDAÇÃO: Milho pode chegar a US$ 7 o bushel e se tornar grande aposta para produtor brasileiro

Publicado em 06/02/2014 16:52 e atualizado em 06/02/2014 18:47
Grãos: preço da soja pode chegar aos US$14,50/bushel em Chicago com o fim dos embarques da safra americana previsto para março. Com a confirmação de quebra na safra brasileira, cotações podem subir ainda mais. Para o milho as projeções também são de alta nos preços, com potencial de atingir entre US$6,50 a US$7,00/bushel até o meio do ano.

O milho, cereal mais produzido e consumido no mundo, pode ser o grande futuro da agricultura brasileira, junto com a soja. Essas são as palavras de Liones Severo, consultor da SIMConsult.    

O consultor afirma que o cenário de preços deprimidos para o milho, vivido no início do ano, foi pontual. Em 2012, o Brasil dobrou sua produção na safrinha, o que é um fato inédito e gerou surpresa no mercado. “O mundo não esperava que o Brasil apostasse tanto em sua produção”.

Para este ano, a previsão é que a demanda pelo grão continue aumentando, por conta da demanda por ração. “Se na China e em outros países periféricos da Ásia houve um aumento do consumo de farelo de soja, o consumo do milho aumentou 4 vezes, pois na formulação da ração, para cada unidade de farelo é preciso de quatro de milho”.   

Liones afirma que os preços podem ter altas significativas este ano. “Deve chegar a US$ 6,50 ou US$ 7,00 por bushel até com alguma facilidade, durante os meses de julho e agosto, principalmente, então será uma grande oportunidade para o milho brasileiro”.

Os Estados Unidos Brasil já exportaram mais de 63 milhões de toneladas de milho no passado recente e, a cada ano, está utilizando mais grãos para o consumo interno. “Este ano eles produziram 353 milhões de toneladas, irão exportar 36 milhões de toneladas, dos quais já venderam 33 milhões de toneladas”. 

O consultor diz ainda que o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, mas logo será o primeiro. “Precisamos ter um balanço, um contraponto com os EUA. Quando eles ameaçam aumentar a área de soja e diminuir a do milho, nós devemos fazer o contrário, então teremos uma relação muito forte de receita para nossas lavouras”. 

Soja
Diante da escassez mundial de estoques, a soja também deve se manter com preços em alta, segundo Liones. “Até março, toda a soja norte-americana já estará embarcada, o que é inédito na história da soja”. Com demanda aquecida e oferta reduzida, a cotação da oleaginosa poderá atingir o patamar de US$ 14,50 o bushel, defende o analista.

Geralmente, os EUA exportam sua soja até o final de agosto, mas no momento, só possuem 3 milhões de toneladas para vender. “Essas crises pontuais de escassez acumularam um déficit de suprimento e a demanda por farelo é muito forte”.

Apetite chinês
A economia mais forte da China, maior consumidor da oleaginosa no mundo, também contribui para uma maior demanda e mais escassez no mercado mundial. “A soja é a commodity mais negociada no mundo e também a mais disponível... Já estamos vivendo um período de 7 anos de preços elevados, não é uma casualidade ou coincidência, mas sim o produto de uma relação muito apertada entre oferta e consumo desde 2004”.

Sobre os boatos de cancelamento de soja pela China, o consultor afirma que não são verdadeiros. “A China também tem uma situação bastante apertada de estoques. Não existe cancelamento”.  

Fonte: Notícias Agrícolas

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