DA REDAÇÃO: Milho pode chegar a US$ 7 o bushel e se tornar grande aposta para produtor brasileiro
O milho, cereal mais produzido e consumido no mundo, pode ser o grande futuro da agricultura brasileira, junto com a soja. Essas são as palavras de Liones Severo, consultor da SIMConsult.
O consultor afirma que o cenário de preços deprimidos para o milho, vivido no início do ano, foi pontual. Em 2012, o Brasil dobrou sua produção na safrinha, o que é um fato inédito e gerou surpresa no mercado. “O mundo não esperava que o Brasil apostasse tanto em sua produção”.
Para este ano, a previsão é que a demanda pelo grão continue aumentando, por conta da demanda por ração. “Se na China e em outros países periféricos da Ásia houve um aumento do consumo de farelo de soja, o consumo do milho aumentou 4 vezes, pois na formulação da ração, para cada unidade de farelo é preciso de quatro de milho”.
Liones afirma que os preços podem ter altas significativas este ano. “Deve chegar a US$ 6,50 ou US$ 7,00 por bushel até com alguma facilidade, durante os meses de julho e agosto, principalmente, então será uma grande oportunidade para o milho brasileiro”.
Os Estados Unidos Brasil já exportaram mais de 63 milhões de toneladas de milho no passado recente e, a cada ano, está utilizando mais grãos para o consumo interno. “Este ano eles produziram 353 milhões de toneladas, irão exportar 36 milhões de toneladas, dos quais já venderam 33 milhões de toneladas”.
O consultor diz ainda que o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, mas logo será o primeiro. “Precisamos ter um balanço, um contraponto com os EUA. Quando eles ameaçam aumentar a área de soja e diminuir a do milho, nós devemos fazer o contrário, então teremos uma relação muito forte de receita para nossas lavouras”.
Soja
Diante da escassez mundial de estoques, a soja também deve se manter com preços em alta, segundo Liones. “Até março, toda a soja norte-americana já estará embarcada, o que é inédito na história da soja”. Com demanda aquecida e oferta reduzida, a cotação da oleaginosa poderá atingir o patamar de US$ 14,50 o bushel, defende o analista.
Geralmente, os EUA exportam sua soja até o final de agosto, mas no momento, só possuem 3 milhões de toneladas para vender. “Essas crises pontuais de escassez acumularam um déficit de suprimento e a demanda por farelo é muito forte”.
Apetite chinês
A economia mais forte da China, maior consumidor da oleaginosa no mundo, também contribui para uma maior demanda e mais escassez no mercado mundial. “A soja é a commodity mais negociada no mundo e também a mais disponível... Já estamos vivendo um período de 7 anos de preços elevados, não é uma casualidade ou coincidência, mas sim o produto de uma relação muito apertada entre oferta e consumo desde 2004”.
Sobre os boatos de cancelamento de soja pela China, o consultor afirma que não são verdadeiros. “A China também tem uma situação bastante apertada de estoques. Não existe cancelamento”.