DA REDAÇÃO: Artigo aponta para safra brasileira de café de 40 mi de sacas, com perda de 25%

Publicado em 21/03/2014 13:12 e atualizado em 21/03/2014 15:53 942 exibições
Café: Quebra na safra brasileira de café é grande, com perda de tamanho dos frutos. Qualidade e volume de café, portanto, estão comprometidos. Perda na produção nacional é de no mínimo 25%, sem considerar o conillon.

A safra de café brasileira poderá ter perda acima dos 25% e seu volume não deve passar os 40 milhões de sacas de 60 kg. A informação está em um artigo feito por Alemar Braga Rena, produtor rural e professor aposentado em fisiologia pela universidade de Viçosa-MG, que fez um amplo estudo sobre as perdas da cafeicultura no Brasil. “Diante da afirmação de alguns órgãos do governo, a situação não é tão grave, mas ela é grave!”.

Além de ter grãos de baixa qualidade, a produção total de café será pequena e deve ficar abaixo dos 40 milhões de sacas. “Isso estou falando em relação à quantidade, não estou falando em massa nem tipo... O café cereja descascada será uma jóia rara este ano no Brasil”.

Rena afirma que em sua propriedade, em Viçosa, os danos não são tão severos, já que ele deve colher uma média de 22% de grãos ‘bóia’. “O crescimento dos grãos foi muito pequeno... Esses frutos que irão boiar na hora da lavagem vão refletir no café CD (cereja descascada), que é o café de boa bebida... E nós aqui a 750 metros, e outras propriedades iguais, não bebe se não for CD, então haverá uma perda considerável de qualidade e de tipo de café”.

Rena afirma ainda que no país a perda pode ser ainda maior. “Em termos de Brasil, eu estimo que isto esteja acima de 25%, considerando todas as informações que me foram passada e (o que vi) em minhas viagens”.

O déficit hídrico registrado em toda a região produtora, segundo o professor, não teve impacto sobre as plantas, mas se refletiu nos grãos. “Eu não estou considerando a situação do Conillon, mas o que eu tenho de informações de pessoas da área de pesquisa o Conillon que não é irrigado também irá perder, e a maioria também não é irrigada”. O artigo produzido pelo professor será divulgado em todo o Brasil e no exterior, já que terá uma versão em inglês. 

Fonte:
Notícias Agrícolas

7 comentários

  • Carlos Alberto de C. Costa Muqui - ES

    Concordo plenamente com o professor Alemar Braga Rena, o Brasil não produzirá muito mais do que 40 milhões de sacas em 1014. No sul do estado do ES as lavouras não irrigadas de conilon as perdas chegam a 40%, que é o meu caso e de outros vizinhos, mas no norte do estado a quebra será bem menor, pois lá choveu regularmente

    0
  • expeditocastro alves junior araguari - MG

    Da para fazer uma estimativa ate se formos olhar a quebra de safra que esta ocorrendo na safra de soja,os cafes mesmos irrigados,nao cresceram satisfatoriamente,e ja ha indicios de graos menores, o que ocasionara uma renda bem menor,e na safra futura a quebra devido o nao crescimento de ramas, que esta ocorrendo de forma anormal perdendo assim o ciclo vegetativo que proporcionara a vinda de possibilidade de frutos para o proximo ano.

    0
  • Bertholdo Fernando Ullmann Patos de Minas - MG

    Concordo com você Dalzir. As conversas que eu escutei sobre a safra do ano que vem, é que ninguém quer falar nada. Corretores, traders, cooperativas, etc, estão quietos, com medo dos números. A quebra vai ser enorme. Se esse ano vamos colher no máximo 40 milhões de sacas, ano que vem deve ser algo entre 30 a 35 milhões de sacas, pois além da quebra, é ano de safra mais baixa.

    0
  • José Antônio BOA ESPERANÇA - MG

    Parabéns, Professor Rena. Sabemos de sua transparência e firmeza em nos apresentar a realidade dos fatos.

    Além disso, não apenas por duvidar, mas bastam ir pessoalmente a um escritório do IBGE e perguntar como é feita a pesquisa de campo, ou mesmo se já têm veículo para fazê-la. E nossa CONAB, perguntem por aí também quem já viu um pesquisador em campo e quais são os métodos utilizados.

    Sei dos poderes da estatística, mas realmente deveríamos levar mais a sério a forma que pesquisamos a safra de café brasileiro. Infelizmente o jogo de interesses suplanta a seriedade e o compromisso com a realidade quando se trata de levantamento de safra do nosso café.

    Por fim, por que dois órgãos ligados ao estado brasileiro fazem a mesma pesquisa sobre safra de café? por que esta estranha "concorrência" nesta estatística? atendem quais interesses desta forma?

    Deus abençoe o produtor rural brasileiro!

    0
  • Bertholdo Fernando Ullmann Patos de Minas - MG

    Professor Rena colocou de forma clara e objetiva as perdas da cafeicultura. Parabéns pelo excelente trabalho professor.

    0
  • Joao Paulo de Oliveira Andradas - MG

    Ta ai o estudo de uma pessoa respeitadíssima em conhecimento da cultura do cafe, esse numeros do professor Rena sao coerentes quanto a perda geral. Deixo um conselho a nos produtores de cafe, os precos estao caindo, nao precisamos nos desesperar pois a lei da oferta e demanda e que vai reger o mercado muito em breve, pois a quebra de safra aqui na minha regiao vai assustar muita gente e deixar a oferta muito reduzida. Nao quero estar na pele de quem tem que comprar cafe daqui a um ou dois meses.

    0
  • Jonas Torres Alfenas - MG

    Parabéns professor Rena. Tenho andado por todo o sul de minas, quando descobrirem que os estragos passam longe dos 5/10% no geral, vão assustar.5/10% até café irrigado teve este ano em virtude do tamanho dos grãos e do calor excessivo. Agora sul de minas quem tiver perda de 20% é pra ficar muito feliz, estamos vendo em nossas andanças perdas bem superiores a isso. É ter calma e não entrar nesta onda de realização que passou em ny. Em breve veremos novas máximas no café. Tempos atrás quando parecia um sonho falei que iria a 2 cents/libra, hoje, ja mais convicto que o problema é bem maior do que muitos imaginam, eu espero preços na safra superiores a este que tivemos. O problema não acabou e não vai acabar com 10/20mm de chuva. Por falar em chuva, nem isso tem caído nas regiões de café. Se a chuva não vier de forma consistente e urgente, entraremos no período normal de seca com um deficit hídrico enorme e se chover no período de seca vai ser pior ainda. Chuva de abril em diante vai valer o ditado, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, ou seja a falta de chuva normal vai judiar e muito da planta e a chuva na época errada nem se fala.

    0