DA REDAÇÃO: Deputados debatem sobre projeto de lei que propõe a tributação da soja

Publicado em 01/04/2014 13:45 e atualizado em 01/04/2014 14:55
Brasília: Deputado Luiz Carlos Hauly, responsável por medida que implica na tributação da soja, defende seu ponto de vista e acredita que medida é benéfica para os produtores rurais. Jerônimo Goenger, da FPA, aponta que alguns Estados seriam prejudicados por fazerem suas comercializações por meio das cerealistas, as quais seriam tributadas caso a emenda seja aprovada.

Em debate conduzido pela jornalista Daniela Castro, os deputados Luis Carlos Hauly (PSDB-PR) e Jerônimo Goergen (PP-RS) apresentaram seus pontos de vista em relação ao artigo 110 do Projeto de Lei de Conversão da MP 627/13, que restaura a tributação de PIS e Cofins na comercialização interna de soja, que havia sido abolida em outubro de 2013, por meio do artigo 29 da Lei 12.865.

Hauly, responsável pelo artigo, defende durante o debate que a ação é benéfica para os produtores rurais, uma vez que o imposto iria incidir apenas sobre a soja especulativa e não afetaria diretamente o produtor rural. Responsável pela Lei Kandir, que isenta do tributo ICMS os produtos e serviços destinados à exportação, o deputado acredita que sua medida é pedagógica e que as cooperativas só têm a ganhar com a proposta. No debate, ele diz à jornalista que os números divulgados pela Abiove que contrariam a proposta "não correspondem a verdade" e que o texto aponta para uma "boa orientação".

Para Hauly, há uma falta de compreensão do "bom alcance da medida". "A cooperativa existe para dar ganho para o produtor. Quem vai salvar os produtores são as cooperativas", afirma.

No entanto, o setor produtivo como um todo analisa que a medida seria prejudicial. Goergen, membro da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), aponta que o represamento do PIS/Cofins iria implicar na cadeia como um todo, gerando cerca de 6 bilhões de reais em prejuízos para os produtores rurais. "Seria uma forma de argentinização", afirma o deputado, em referência às medidas de retenção adotadas na Argentina.

De acordo com Goergen, o problema que Hauly pretenderia resolver com a medida já foi resolvido pela MP 615 e que, embora as cooperativas sejam beneficiadas pela medida proposta, nem todos os estados brasileiros são cooperativados. Algumas regiões são dependentes de cerealistas, que, com a nova medida, seriam tributadas. O deputado Rubens Bueno, defensor da proposta junto à Hauly, já sinalizou que não possui mais interesse na medida.

Segundo Daniela Castro, o deputado Luis Carlos Hauly afirmou, após o debate, que já está convencido da inviabilidade de sua medida.

O artigo será votado hoje (1º), às 16h, em Comissão Especial.

ABIOVE critica MP 627: altera o equilíbrio na atuação dos agentes que operam com soja

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) está preocupada com os efeitos de eventual aprovação do artigo 110 do Projeto de Lei de Conversão da MP 627/13, que restaura a tributação de PIS e Cofins na comercialização interna de soja, que havia sido abolida em outubro de 2013, por meio do artigo 29 da Lei 12.865.

“Com a redação proposta no art. 110 do PLV (projeto de lei de conversão), a suspensão do PIS e da Cofins ficaria limitada às receitas decorrentes de vendas para as pessoas jurídicas que transformam a soja em farinha, óleo e farelo, o que atenta contra o interesse público, pois a tributação nas vendas de soja para pessoas jurídicas que fazem apenas a sua comercialização permitiria indesejada oportunidade de planejamento tributário que afetaria  o equilíbrio na atuação dos agentes do mercado da soja: as indústrias, os comerciantes e as cooperativas”, diz a Abiove.

De acordo com a entidade, o artigo 29 da Lei 12.865 foi acordado pela cadeia produtiva (indústrias processadoras, cooperativas, cerealistas e produtores de biodiesel). O artigo estabelece tratamento harmônico entre todos os contribuintes que operam com soja, fazendo valer o princípio da isonomia.

O artigo 29 da Lei 12.865 acabou com a distorção tributária implícita no art. 9º da Lei 10.925, que propiciava a agentes estranhos ao mercado da soja a oportunidade de auferir benefícios puramente fiscais, sem nenhuma contrapartida em relação ao processo de agregação de valor decorrente da industrialização.

A eventual aprovação do art. 110 do PLV-MP 627 afetaria a neutralidade que se busca nas leis tributárias, o que é extremamente danoso. A tributação da soja vendida por cooperativas para empresas puramente comerciais criaria distorções no mercado e evasão na arrecadação federal. “Seriam criadas formas de concorrência desleal e de perda de arrecadação indesejáveis para o país e para a cadeia produtiva, pois o comprador descontaria um crédito de 9,25% sobre o valor da aquisição contra valor tributado na origem muito menor, uma vez que a cooperativa paga as contribuições sobre uma base de cálculo depois de deduzidos os repasses para o produtor rural cooperado”, argumenta a Abiove, conforme demonstrado no quadro a seguir:

De acordo com a Abiove, esse exemplo mostra a quebra de isonomia tributária em benefício de empresas de fora do setor, que teriam a condição de abater, dos débitos do PIS e da Cofins sobre suas operações, o crédito de R$ 95,27. Ou seja, enquanto o custo efetivo para essas empresas seria de R$ 934,73 por 1 tonelada de soja, o custo para os demais participantes do mercado seria de R$ 1.030,00. E quem bancaria essa diferença seria o governo federal, ou seja, a sociedade brasileira.

É por esse motivo que a Abiove defende a manutenção da atual redação do artigo 29 da Lei 12.865/2013, que eliminou a tributação de PIS e Cofins nas etapas intermediárias com a soja.

A Lei 12.865 completou o processo de desoneração dos produtos de soja, que é uma matéria-prima industrial. O óleo e o farelo de soja são comercializados no mercado interno e na exportação sem tributação. A soja em grão quando exportada também não é tributada. Portanto, não há sentido em tributar a soja em grão em qualquer etapa da comercialização.

Por: João Batista Olivi // Daniela Castro // Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

SugarCane Global Summit debate desafios e caminhos para o futuro do setor sucroenergético
Pecuaristas encerram a semana reduzindo oferta de animais em SP; Grão , farelo e óleo de soja têm dia de queda em Chicago
Terceira geração de família de agricultores deixa raízes no RS e parte para abrir terras em Juína, no Mato Grosso
Campeão do “Melhor História de um Agricultor” quis que sua história fosse exemplo para outras pessoas
Finalista do “Melhor História de um Agricultor” destaca honra e responsabilidade de contar história da família