DA REDAÇÃO: Sem café em estoque e com produção comprometida, produtores brasileiros não podem aproveitar os atuais preços altos
Enquanto os preços do café seguem em alta no mercado internacional, produtores brasileiros amargam novos prejuízos, desta vez, porque não possuem café para entregar. De acordo com Admar Soares, presidente da Câmara de Café das Matas de Minas, a falta de uma política para o setor novamente prejudica os cafeicultores. "Essa alta no mercado traz uma grande frustração para os cafeicultores".
Soares explica que, se houvesse uma política de socorro ao setor e um preço mínimo, os produtores teriam hoje café para vender. "No ano passado, nós, de todas as comissões e organizações do café, de todo o país, fizemos um grande grupo de luta para poder guardar o café - que tinha uma grande produção entre 2012 e 2013 - para aproveitar as altas agora... Mas infelizmente, por conta de compromissos bancários, tivemos que entregar toda a produção de café para o mercado internacional". Ele ressalta que o preço que conseguiram foi muito baixo. "O café foi entregue de graça, o produtor pagou para trabalhar e produzir".
Atualmente, poucos produtores dispõem de café para vender. "De cada 10 cafeicultor, nós encontramos 1 ou 2 que tem café no estoques e que está produzindo... Este é um momento muito triste para a família do café, que produz o melhor café do mundo, principalmente aqui no estados de Minas Gerais".
O governo anunciou o novo preço mínimo para o café variedade conilon (robusta), que é de R$ 180,00 a saca. Soares afirma que este valor ainda não remunera o produtor, que gasta entre R$ 170 a R$ 180 para produzir uma saca.