DA REDAÇÃO: Clima favorável e grandes safras mantêm preços do trigo em baixa no mercado

Publicado em 24/06/2014 14:26 e atualizado em 24/06/2014 16:40 333 exibições
Grãos: Com clima favorável e boas condições nas lavouras americanas, os preços não atingem o patamar de U$ 14 por bushel, esperados para a próxima safra e pretendido pelos produtores que seguram as vendas. Para o milho, o mercado está parado, pois agricultores estão insatisfeitos com os valores comercializados.

O mercado global apresentou quedas nesta terça-feira (24) em relação às cotações dos grãos. A expectativa de que os preços das safras novas de soja atinjam um pico de US$ 14 por buschel podem não se concretizar em função das informações que apontam para uma grande produção do produto, estimulada pelo clima favorável e pelas boas condições das lavouras.

“A partir do momento que os fundos enxergarem que o mercado cresce, como ocorreu ontem, eles entram vendendo e acabam limitando o mercado da safra nova entre níveis de US$ 12 a US$ 13”, disse Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting. 

Segundo o analista, esse patamar de US$ 14 - que é esperado pelos produtores brasileiros, que estão segurando a comercialização – está longe de se concretizar, em virtude da grande safra norte-americana e das expectativas de crescimento da produção na América do Sul, além das condições favoráveis do clima. Para ele, a principal resistência para essas perspectivas de preços se confirmarem esbarra na questão da safra nova, que está na faixa dos US$ 13. 

Mesmo as chuvas que atingiram os Estados Unidos no fim de semana serviram somente para limitar o plantio da nova safra, já que as máquinas não puderam ir a campo. Esse fator positivo foi apontado no mercado desta segunda-feira (23). Entretanto, os norte-americanos estão ainda nesta semana no período favorável para o plantio e restam apenas 5% da área esperada a ser plantada, segundo o último relatório do USDA. “Historicamente, eles ainda estão dentro da média, o que é um fator limitante para a alta no curto prazo”, falou Brandalizze.

Nas últimas safras, os produtores que esperaram um termo maior para a comercialização da soja obtiveram margens melhores. No momento atual, um obstáculo a ser contornado é a questão do câmbio. Em virtude da questão eleitoral, que gera uma instabilidade na economia do Brasil, os mercados demonstram interesse em comprar os grãos em reais e os produtores preferem vender na moeda americana, já que a compra dos defensivos e defensivos é realizada em dólares. “Há um descasamento e com isso nós temos hoje menos de 20% da safra negociada, quando em outras épocas ela chegaria neste momento a 30%”, explicou o analista.

O produtor brasileiro vem seguindo a lógica dos outros anos, nos quais os problemas climáticos afetaram os preços dos produtos negativamente. Esse ano, ainda existe a possibilidade de ocorrência do El Niño a partir do próximo mês nos Estados Unidos e o produtor vem segurando o produto até que o preço chegue a US$ 13, quando já começa a ser interessante sua comercialização. 

Milho e trigo
Já, o mercado do milho está praticamente parado porque os comerciantes têm se mostrado descontentes com os níveis que chegam a R$ 26 e R$ 26,5 nos portos. “Como os fretes estão tirando de R$ 13 a R$ 15 desse valor do milho – oriundo principalmente do Mato Grosso – e que chega ao produtor a R$ 11 e R$ 12, que é um nível que ele não está querendo vender. Grande parte dos produtores se prepararam para vender o milho mais para a frente neste ano”, afirmou Brandalizze, lembrando que a colheita também está muito lenta.

O trigo segue na mesma linha do milho. A liberação da TEC de importação do grão, aprovada nesta terça-feira (24), poderá ser um fator positivo para o mercado de Chicago, pois incentiva os moinhos brasileiros a comprarem o produto vindo dos Estados Unidos, do Canadá ou do Leste Europeu. “Isso trará um reflexo positivo no mercado internacional, mas trará um aspecto negativo para o produtor porque ele perde um pouco da demanda local, com os preços ficando abaixo do valor mínimo”, concluiu o analista.

 

Por:
Kellen Severo // Fernando Pratti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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