DA REDAÇÃO: Mercado do milho tem leve alta, mas se mantém à espera de relatório do USDA
O mercado da soja se manteve nesta quinta-feira (27) de olho na divulgação do relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que vai apontar a qualidade e os estoques da nova safra do grão no país da América do Norte. O dia foi marcado por uma leve alta nos preços. Em um cenário de aumento da demanda no mundo, a expectativa é de que haja uma redução de 12% da safra norte-americana, ficando com 10,5 milhões de toneladas contra 11,8 milhões do ano passado.
Segundo Mario Mariano, analista de mercado, também é esperado para a temporada um menor estoque médio desde 2005, resultando em 3,5 milhões de toneladas. “Essa perspectiva faz com que o mercado tome preços maiores porque quer garantir um bom estoque até a entrada da safra nova. Ainda há uma expectativa de que a China cancelará algumas compras junto ao mercado norte-americano”, disse Mariano.
Com os baixos estoques de soja entre julho e agosto, além dos problemas com o câmbio, as grandes vendas antecipadas do produto devem provocar uma queda no valor do grão. Além disso, a alta quantidade de chuvas da soja no Centro-Oeste reduziu a qualidade e quantidade do produto no país. “A oferta que estamos trabalhando para essa safra será restrita e os preços serão maiores”, explicou o analista.
Mesmo com os problemas da política de governo de derrubar o câmbio, congelando o dólar, o mercado físico apresenta sucesso, com altas na bolsa e a remuneração sendo repassada ao produtor, acredita Mariano. Segundo ele, as baixas ocorridas recentemente não chegaram a influenciar no mercado físico. “Quando há quedas na bolsa, o comprador não consegue reduzir os preços e quando há altas na bolsa, mesmo com o impacto negativo no câmbio, a oferta restrita no físico faz com que o comprador procure um preço maior”, completou.
O preço pago no porto de R$ 32,50 continua aumentando e a tendência é de valores maiores nos próximos dias porque a indústria brasileira terá que disputar com a importação a garantia dos seus estoques de soja para o segundo semestre.
Quanto ao milho, a negação da China em receber o milho transgênico dos Estados Unidos tende a aumentar os estoques do país da América do Norte. “Para quem previa, no caso a China, comprar 3,5 milhões de toneladas de milho americano, estar indicando agora apenas dois milhões, não é um grande volume, mas a demanda passa a ser pequena naquela país e os estoques maiores. Pontualmente, pode haverá algum aumento de exportação do milho americano ou do brasileiro, mas não será para a China, devido às restrições para a mercadoria transgênica”, afirmou o analista de mercado.