DA REDAÇÃO: Produtores de Paragominas/PA esperam bons resultados com a soja e o milho safrinha
As colheitas da soja ainda estão chegando ao fim em alguns estados do norte do país e as do milho safrinha começam dentro de um mês. Na região de Paragominas/PA, a colheita acontece debaixo de chuvas, que se prolongou neste ano, deixando o produto ardido. “Tivemos um pico de soja ardida, mas o sol apareceu e o problema foi resolvido. Só nos últimos dias é que a chuva voltou, mas não será suficiente arder o produto”, disse Vanderlei Silva Ataides, presidente da Aprosoja/PA.
As plantações do grão no local são recentes e vêm ganhando força a cada ano em virtude da boa insolação dos plantios e da proximidade com dois portos recém-inaugurados em Bacarena, um já em pleno funcionamento e o segundo pronto para ser utilizado provavelmente a partir da próxima semana.
Na região de Paragominas/PA, a soja está sendo comercializada a R$ 60,50. “Não é o preço que deveria ser, mas ela está em ajustes ainda. Como os portos não estão trabalhando em plena capacidade, os preços ainda não estão alinhados. Esperamos que para a próxima safra esse valor seja melhor”, explicou Ataides.
Milho safrinha
Se por um lado o preço da soja não atingiu bons valores no mercado, o milho safrinha obteve bons resultados e é comercializado a R$ 29,00 nesse momento de fim da colheita. Apesar do bom valor em comparação com outras áreas do país, o fato de estar em uma região nova e distante dos principais centros encarece a produção, não garantindo um cenário tão bom aos produtores.
A plantação do grão é recente na região e os investimentos cresceram principalmente nesta safra. A distribuição do produto é feita entre os granjeiros próximos à grande Belém, onde ele é todo comercializado.
Lei da juquira
Os produtores do Pará se beneficiam principalmente das grandes áreas territoriais que foram disponibilizadas para o plantio da soja a partir da lei da juquira. Essa regulamentação beneficia terrenos que foram desmatados, transformados em pastos e, consequentemente, degradados. “Essa IN (Instrução Normativa) número 2 está sendo atualizada agora pelo governo do estado. Paragominas tem quase dois milhões de hectares e estão sendo utilizados cerca de 540 mil para a agricultura”, explicou o presidente da associação.
Essas áreas degradadas estão abandonadas e agora sendo legalizadas para plantação. Já, as áreas que não foram desmatadas continuam sendo preservadas. “O governo adotou dessa ferramenta para dar amparo legal para o produtor”, informou.
Segundo Ataides, o custo por hectare para limpeza e manutenção dessas áreas degradadas fica em torno de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, dependendo do atual grau que ela se encontra. Atualmente, a região possui quatro compradores e outros estão chegando e a integração entre lavoura, pecuária e floresta está sendo respeitada. Quanto aos financiamentos, o estado apresenta algumas dificuldades devido à questão fundiária, que não tem avançado.