REPORTAGEM: Confira a Reportagem do Programa ABC/Cerrado - Canal Rural

Publicado em 01/08/2014 15:01 e atualizado em 01/08/2014 19:25 322 exibições
Projeto ABC Cerrado trará destaque ao sistema Lavoura Pecuária Floresta nos próximos três anos. O sistema promove ganhos econômicos e ambientais, recuperando áreas degradadas por pastagens, além de gerar mais empregos.

SENAR assina acordo com o Banco Mundial para execução do Projeto ABC Cerrado

Com doação do BIRD no valor de US$ 10,6 milhões, ações do programa serão executadas a partir de 2015

O momento mais esperado da missão do Banco Mundial ao Brasil, realizada ao longo desta semana, ocorreu nesta sexta-feira (1º/8): a formalização do acordo de doação de US$ 10,6 milhões para a execução do Projeto ABC Cerrado. O documento foi assinado pelo secretário executivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Daniel Carrara, e pelo coordenador-geral de operações do Banco Mundial no Brasil, Boris Utria. O recurso será utilizado pela entidade para capacitação nas tecnologias de baixa emissão de carbono, formação profissional e pela assessoria em campo. A partir de agora, o programa - que será desenvolvido através de uma parceria entre o SENAR, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Embrapa – entra numa nova fase e a expectativa é que as primeiras ações práticas aconteçam em 2015.

A solenidade de assinatura, realizada na sede do Sistema CNA/SENAR, em Brasília, reuniu representantes de todas as entidades parceiras na iniciativa. O Secretário Executivo do SENAR, Daniel Carrara, destacou o processo participativo que existiu durante a construção do projeto e que continuará sendo a marca registrada do ABC Cerrado na execução das ações previstas. “É um projeto completo, que vai atuar na formação do produtor, do técnico e ainda oferecer assistência técnica. Estamos com a nossa rede mobilizada e tenho certeza que o ABC Cerrado será um marco na Agricultura de Baixo Carbono do Brasil”.

Os integrantes do Banco Mundial ressaltaram a importância do projeto no contexto da agricultura mundial – onde a demanda por alimentos será cada vez maior – e reforçaram o motivo da escolha pelo Brasil: um país com potencial produtivo e condições para a aplicação de práticas sustentáveis. “O ABC Cerrado é importante pela parceria e pelos resultados que esperamos. O Banco Mundial vai compartilhar os aprendizados do Brasil com o mundo inteiro”, disse o Coordenador-geral de Operações do Banco Mundial no Brasil, Boris Utria.

Para David Tuchschneider, especialista em Desenvolvimento Rural do Banco Mundial, a tecnologia é o melhor caminho para aumentar a produção de alimentos sem desmatar novas áreas e o Projeto ABC Cerrado representa uma solução para esse desafio. “Calculamos que a demanda por alimentos no mundo deverá dobrar até 2050. O Brasil aumentou muito a sua produção nas últimas décadas e sem tecnologia isso não seria possível. Hoje, existem extensões de terras degradadas e o ABC tem práticas para melhorar essas áreas”, analisa.

A próxima etapa será iniciar a elaboração do material didático e dos conteúdos das capacitações, junto com a Embrapa. A seleção dos consultores responsáveis pelo treinamento dos instrutores, supervisores e dos técnicos de campo também será iniciada neste segundo semestre, para que o projeto possa ser executado a partir de 2015.

ABC é tendência mundial

O diretor-executivo da Embrapa Transferência de Tecnologia, Waldyr Stumpf Junior, salienta que a Agricultura de Baixo Carbono é uma questão preponderante no mundo inteiro atualmente e o Brasil sai na frente com o Projeto ABC Cerrado, que reúne um conjunto de ações para tornar a atividade mais produtiva, rentável e sustentável com foco em quem está na ponta da cadeia. “Temos cinco milhões de produtores rurais e condições de crescer horizontalmente, assim como recuperar áreas degradadas. Tenho certeza de que o projeto já é um sucesso e em breve teremos que ampliá-lo”, prevê.

Na opinião do secretário substituto da Secretária de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do Mapa, José Guilherme Leal, o ABC Cerrado surge num momento em que a agricultura sustentável ganha cada vez mais espaço no Brasil. Ele ressalta a relevância dos questionamentos feitos pelo Banco Mundial na concepção do projeto, que ajudaram a qualificar a iniciativa, e chama a atenção para um aspecto essencial: a preservação do bioma Cerrado. “O projeto é totalmente alinhado com o Governo e os anseios do setor produtivo do Brasil. Outro diferencial é trabalhar a questão da assistência técnica com cuidado ambiental”, elogia.

Projeto ABC Cerrado

Ação conjunta do SENAR, do Ministério da Agricultura e da Embrapa, o Projeto ABC Cerrado pretende incentivar e difundir a adoção de práticas sustentáveis para a redução das emissões de gases de efeito estufa e sensibilizar o produtor para que ele invista na sua propriedade de forma a ter retorno econômico mantendo o meio ambiente preservado. O SENAR será responsável pela capacitação nas tecnologias, formação profissional e pela assessoria em campo, com recursos do Programa de Investimentos em Florestas (FIP, sigla em inglês– via Banco Mundial.

O ABC Cerrado vai atender nove estados do Bioma Cerrado (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Bahia, Piauí, Minas Gerais e o Distrito Federal), num período de três anos, com a promoção de quatro processos tecnológicos: recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto e florestas plantadas.

O projeto prevê a realização de seminários de sensibilização e divulgação nos estados participantes, capacitação tecnológica de produtores e gerentes de propriedades e instrutores do SENAR e, ainda, treinamento dos técnicos que atuarão na assessoria em campo para os produtores. Ao todo, 12 mil propriedades vão receber capacitação e desse total,  1.200 nos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul terão, também, assistência técnica. Esses estabelecimentos terão o compromisso de executar uma das tecnologias aprendidas que serão transformadas em cases de estudo e vitrines tecnológicas.

Fonte:
CRural/SENAR

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