EXCLUSIVO: Triticultura brasileira só acumula problemas na hora de comercializar o cereal colhido
A instrução normativa que o Ministério da Agricultura (MAPA) publicou hoje entra em vigor em primeiro de julho do próximo, modificando os padrões de qualidade da portaria de 2001. Agora, apenas serão aceitos nos leilões de compra pelo Governo trigo tipo pão e melhorador. Triticultor produz grãos de qualidade, mas não consegue vender aos moinhos brasileiros.
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Segundo Hamilton Jardim, presidente da comissão de trigo da Farsul (Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul) garante que a nova normativa entrará em vigor no ano safra de 2011/12 e que, apesar de não mais ser aceito trigo tipo brando, a própria federação investe na genética de novas sementes, manejo da produção e assiste tecnicamente o andamento das lavouras.
A exigência tira alguns produtores dos leilões de PEP (Prêmio para Escoamento do Produto) do Governo e apreende os trabalhadores. Só nesta última safra colhida, onde a qualidade do cereal fora excelente, há só no Paraná cerca de 75% do montante não comercializado e as negociações estão paralisadas.
Vale lembrar que os problemas não param por aí. Mais de 25% do volume vendido por AGF (Aquisição pelo Governo Federal) em 2009 não foi pago aos triticultores até o momento. Para Jardim, apesar de todos esses problemas, é preciso avançar na atividade tritícula do país a fim de conquistar novos mercados.
Portanto, a cadeia produtora de hoje está à mercê da política agrícola governamental para permanecer em atividade: dependendo do preço mínimo dos leilões para ter comercialização das safras; competindo com o trigo estrangeiro, preferido dos moinhos brasileiros por causa do câmbio mais baixo; e, falta de compromisso do próprio Governo em honrar seus contratos de compra.