EXCLUSIVO: Perdas na Argentina por causa da estiagem já é real, afirma analista
Mesmo com a previsão de chuvas na Argentina que derrubou as cotações da soja ontem na Bolsa de Chicago (CBOT), a preocupação com perdas na produção não deve reverter o quadro de estiagem na região central do pampa úmido. Analistas prevêem que safra no país não supere 45 milhões de toneladas. Mercado poderá piorar.
Direto da Argentina, o analista de mercado da AgriPAC, Pablo Adreani, relata que a situação pode se agravar caso não haja chuvas regulares de até 80 milímetros em valor agronômico pelas próximas 2 semanas. Segundo ele, a queda na produtividade das lavouras é real, passando de 52,5 milhões de toneladas para menos de 45 mi/t. Para a produção do milho argentino, a seca pode provocar queda de 20% sobre a produtividade calculada inicialmente.
A condição das pastagens também não anima o agronegócio na Argentina. Pecuaristas enfrentam dificuldade na engorda dos animais.
Adreani avalia que se a falta de chuvas continuar, o fenômeno La Niña deste ano pode se comparar ao de 2008, quando afetou duas colheitas e permaneceu por 18 meses influenciando a produção agrícola argentina.
Outro fator importante para o mercado se deu com a China dando indícios para reduzir seu ritmo de compra de grãos, alegando estar com os estoques nos portos já cheios. Normalmente, o país compra aproximadamente 57 milhões de toneladas de soja da Argentina, Brasil e, principalmente, dos Estados Unidos e detém de 70% do comércio mundial. O analista aconselha aos produtores argentinos e brasileiros comercializar no mercado futuro pelo menos 20% da sua produção à espera de novidades que mudem o cenário atual.