EXCLUSIVO: Forte procura nos leilões de venda do Governo mostra que os estoques de milho estão cada vez mais escassos
O preço do milho registra hoje forte subida em todas as praças do país, mostrando que falta grão para abastecer as granjas de frangos e suínos. Antes do início da colheita da safra de verão, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) tenta administrar seus estoques públicos com leilões de venda de milho.
No leilão de venda de ontem (19), houve alta procura por produto. Em destaque, o interesse pelo milho em Goiás foi cinco vezes superior ao último (12) e o preços chegou a R$ 29,70. Em Minas Gerais, um novo recorde foi batido novamente e o preço da comercialização bateu R$ 32,19 no Triângulo Mineiro. No Mato Grosso, a região de Sinop negociou o milho a R$ 21,60, quando que há cinco meses, vendia o cereal a menos de R$ 7,00 a saca.
Para Telmo Heinen, especialista em comercialização, os atuais bons preços farão os produtores rurais investir em alta tecnologia na cultura da safrinha, mas correm o risco que na época da comercialização, serem obrigados a vender o milho para a Conab através dos leilões de PEP (Prêmio para Escoamento do Produto), abaixo do preço mínimo.
Trigo
Hoje, a Conab realizou mais um leilão de PEP para o trigo onde houve deságio de 73% sobre o prêmio de abertura. Produtores venderam para os exportadores que no mercado internacional são melhor remunerados.
“É o dinheiro público a serviço de um produto que nós importamos (moinhos alegam que o produto nacional não atinge a qualidade esperada) porque não produzimos o suficiente e depois temos que usar o dinheiro público (através das aquisições feitas pelo Governo) para exportar o produto que nós mesmos produzimos”, diz Heinen.