EXCLUSIVO: Com preços altíssimos em N. York, cafeicultor brasileiro precisa de cautela na hora de comercializar seus estoques
Os principais vencimentos do café ultrapassam os 2,50 dólares por libra-peso na Bolsa de Nova York, quando a falta de café de qualidade é geral em todo o mundo. No Brasil, safra pode ser até 30% menor e a maioria dos cafeicultores já comercializou seu produto, mas momento pede cautela na administração dos estoques que restam.
Segundo Lúcio Dias, superintendente comercial da Cooxupé, muitos brasileiros venderam suas sacas antecipadamente a preços médios em R$ 320,00 e hoje há falta de produto no mercado. O Brasil, além de importante player do mercado, é também consumidor.
Nos estoques, Dias afirma que antes do início desta safra, a cooperativa detinha de 400 mil sacas. Existe ainda pouco mais de 1 milhão de sacas nas mãos de pequenos produtores, café de baixa qualidade, sendo que em anos anteriores, no mesmo período, esses estoques eram de 2,5 milhões de sacas.
Diante do cenário de escassez, é possível que até maio o mercado continue muito apertado. O superintendente relata que o problema é geral no mundo, quando a demanda é forte, mas a produtividade das principais safras globais é muito baixa. A tendência é para preços muito consistentes, elevados pelos próximos anos até que os estoques sejam repostos.
A Cooxupé pede para que o cafeicultor brasileiro nesse instante tenha cautela ao administrar seus estoques, efetuar vendas quando os preços cobrirem ao menos os custos da produção e, mais importante, não se endividar. “Invista de uma forma bem inteligente. Cuide muito da qualidade porque se sabe que a qualidade hoje representa diferenciais muito importantes de preço”, aconselha Dias.