EXCLUSIVO: USDA reduz estoques finais globais de milho e mantém os de soja
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou hoje mais um relatório de estoques finais mundiais, mantendo as projeções para soja no mesmo patamar do último documento e reduzindo para o milho que para o mundo é uma bomba relógio. Novo cenário deve projetar uma nova escalada de preços no mercado internacional.
O destaque fora a redução feita para as safras de milho da Argentina estimada em 22 milhões de toneladas, acima do que espera o próprio país (19,5 mi/t). Os estoques mundiais então despencam de 127 mi/t para 122,5 mi/t, favorecendo um novo cenário de preços futuros para o cereal.
A escassez de milho nos estoques globais elevará os preços também da soja e do trigo, além de afetar a disputa por área na próxima safra norte-americana. Certamente, com 40% das áreas destinada do milho para produção de etanol, a alavancada de preços abre preferência para aumento das lavouras de milho.
Para Carlos Cogo, da Consultoria Agroeconômica, o reboque do milho assegura que a soja vá buscar o patamar de 15 dólares por bushell na Bolsa de Chicago com possível perda em produtividade da oleaginosa com relação ao cereal.
Para a soja, o USDA manteve os estoques finais mundiais. Na América do Sul, houve projeção para aumento na produtividade das safras brasileiras em 1 milhão de toneladas, passando de 67,5 mi/t para 68,5 mi/t. Em contrapartida, reduz em 1 mi/t a produtividade da Argentina que sofrem em janeiro com estiagem provocada pelo fenômeno climático La Niña.
Brasil
Se por um lado o USDA prevê redução nos estoques, no Brasil, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimam super safras capazes de tranqüilizar o abastecimento do mercado interno, bem como, serem suficientes em exportação.
O IBGE calcula uma produtividade semelhante à de 2010, sendo então 149 milhões de toneladas, mas a Conab eleva para acima de 153 mi/t.
Apesar de atualmente os estoques de milho estarem apertadíssimos para abastecer o mercado interno, Cogo avalia que a produtividade das safras de verão e inverno são suficientes para repor os estoques governamentais e privados.
Assim, com o cenário muito firme no mercado internacional, com tendência de nova alavancada de preços, o produtor brasileiro pode esperar novos patamares de preços, muito sustentados, no mercado interno.