DA REDAÇÃO: Grãos trabalham na baixa em Chicago, pressionados pelo temor sobre a Itália
Desta vez é a Itália quem entra na lista dos países da Europa que acumulam perdas por conta da crise financeira na zona do euro. Problema vira internacional e mexe com todas as economias do mundo. Na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira, os grãos trabalham refletindo a aversão ao risco que crise deve causar para as commodities, em especial as agrícolas.
Segundo o consultor da Cerealpar, Steve Cachia que está na ilha de Malta, a população está muito preocupada com a situação da Itália, já que o país é a terceira maior economia da zona do euro. O pregão internacional de hoje reflete as perdas. “Quando a soja poderia voltar a subir, a gente encontra essa situação de aversão à crise na Itália”, explica Cachia.
Apesar de os fundamentos, principalmente o climático seja importante para dar fôlego ao mercado neste momento, é preciso que o mundo tenha dinheiro para manter a demanda aquecida. Após a alta no patamar de preços das commodities, a mesma demanda recuou e a China, principal estocador de grãos do mundo, brecou suas importações e colaborou com a pressão do mercado para baixo.
Investidores esperam para amanhã (12) um novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) com dados altistas para o mercado. Para a soja, o consultor estima que os estoques continuem apertados, já que haverá redução na área total planta com a oleaginosa nesta safra norte-americana. Para o cereal, o USDA deve estimar dados baixistas, confirmando uma maior produção para este ano.
Por outro lado, Cachia lembra que a safra dos Estados Unidos apenas começou a se desenvolver e que a previsão climática para a soja e o milho, com temperaturas e chuvas abaixo do normal para o período podem trazer no curto prazo muita volatilidade para o mercado.
Ainda há muita expectativa para enfim chegar uma conclusão sobre a oferta e demanda mundial, bem como, para os preços. O consultor aconselha cautela para os produtores brasileiros e muita atenção para o futuro da crise na Europa. Ele acredita que o mercado precisará de um período para absorver aliviado as notícias econômicas baixistas para o mundo.