DA REDAÇÃO: Produtores brasileiros no Paraguai protestam contra invasões de terras
Segundo Jeferson Carlos Simon, engenheiro agrônomo que está em Santa Rita (Paraguai), no estado do Alto Paraná, houve um início de retirada das áreas invadidas nesta quarta-feira (13), mas de forma muito lenta. “A polícia espera muito pela boa vontade dos campesinos e isso acontece muito devagar”, diz.
Do total de 3 mil campesinos, foram removidos 1 mil. Porém, após a retirada, eles se deslocaram 1 mil metros e já se instalaram embaixo de uma rede de luz, sobre uma estrada. Agora, ameaçam invadir outra fazenda. Uma escola agrícola já foi tomada há 10 dias. A criação de peixes e porcos que havia no local virou alimento para os ocupantes.
Muitos dos campesinos estão armados com revólveres de diversos calibres e por isso chapas de aço estão sendo colocadas nas colheitadeiras, para proteção contra eventuais tiros. “Nesse local, não houve troca de tiros ainda; mas é fácil notar que eles têm uma quantidade de armas que não é pouca”, conta Simon.
Uma declaração do presidente paraguaio, Fernando Lugo, de que “não compete a ele, e sim ao poder judiciário, levar a cabo a ordem de desalojo”, contribuiu para a revolta dos brasileiros. “Um joga para o outro”, diz Simon, indignado.
Após um sobrevôo de helicóptero sobre as propriedades invadidas, o chefe de polícia do Alto Paraná, o vice-ministro de interior e sua comitiva vão se reunir hoje com o prefeito de Santa Rita e o governador do Alto Paraná. A expectativa é que eles decidam sobre um pedido para que sejam demitidos todos os funcionários do Indert (Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra do Paraguai) por serem apontados facilitadores de ações dos campesinos.