DA REDAÇÃO: Preço dos grãos cai com crise européia, mas fundamentos mantêm-se positivos
Com a forte possibilidade de uma recessão na Europa neste segundo semestre, o mercado tende a ser muito volátil, explica o analista de mercado Steve Cachia. Para ele, enquanto o humor dos investidores não estiver certo de que o pior já passou, o mercado continuará coberto de incertezas.
Até sexta-feira (02) da semana passada, falava-se em valores de US$ 15 e até US$ 16 por bushel. Hoje, as cotações já caem para menos de US$ 14 por bushel. Portanto, a semana tem sido bastante negativa para o milho e a soja.
Apesar disso, os fundamentos são positivos com a expectativa de uma quebra maior que o esperado no mês passado na safra dos Estados Unidos. As compras chinesas, inclusive, contribuiriam para a forte demanda. Há ainda a expectativa de aumento no rebanho de suínos deste país, com o Festival de Outono, quando alimentos oriundos da soja são mais consumidos, que criará a necessidade de importação de mais milho.
Cachia tem uma visão peculiar do consumidor desses países em desenvolvimento, como índia e China. Segundo ele, a compra de um carro ou uma casa são facilmente adiadas, mas isso é diferente com a alimentação. Como boa parte dessa população experimentou só agora comer bem, ela não deve abrir mão desse luxo.
Além disso, o bom cenário para os grãos são corroborados pelo executivo-chefe da Tyson Foods, Donnie Smith, dos Estados Unidos, que diz que o preço do milho deverá continuar alto por vários anos. Nos últimos tempos, o milho teve uma elevação de 66%, saltando de uma média de US$ 3,5 por bushel para UU$ 7,5. E a tendência é de manutenção dessa subida de preços.
Outro fator que favorece os preços altistas é o estoque mundial baixo, que dificilmente seria recomposto ao ponto de haver uma oferta abundante tão cedo. Diante disso, a conclusão é de que o produtor brasileiro de grãos, mesmo com a volatilidade do mercado, terá renda garantida nos próximos anos.