Mesmo com bons preços em 2020, produtor de feijão segue desestimulado com plantio e a crise do ICMS em SP pode agravar situação

Publicado em 05/01/2021 12:19 e atualizado em 05/01/2021 15:51
Com menor oferta e consumo em alta pelos novos hábitos de alimentação em casa , preços ao produtor podem disparar
Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE

Podcast

Entrevista com Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE sobre o Impacto do ICMS no setor de feijão

 

Download

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Marcelo Eduardo Lüders - Presidente do IBRAFE, destacou que apesar dos preços firmes, o produtor de feijão segue sem incentivo para manter a produção de feijão em alta. Além disso, o mercado de feijão é um dos que podem ser impactado com a crise do ICMS no estado de São Paulo. 

"Estão aumentando e estão aumentando muito a taxação do feijão. Preocupa porque você tem de um lado uma pressão pra diminuição de consumo. Aumentando o ICMS, você automaticamente vai aumentar, facilitar a desorganização do setor, porque nós sabemos que quando há ICMS em produto básico como esse e de ampla distribuição no país, você tem a sonegação e isso desorganiza a cadeia produtiva", afirma Marcelo. 

Marcelo destaca ainda os preços oferecidos para o produtor durante o ano de 2020, que apesar de firmes, foram insuficientes para estimular a produção. "A gente teve preço praticamente o ano inteiro, com margens muito boas e chegamos ao mês de janeiro e nós estamos discutindo se o preço do feijão carioca é R$ 270 ou é R$ 300 acima. É um preço alto, ótimo para quem tem feijão, mas significa que não foi suficiente o fator preço para que o produtor fosse estimulado", comenta. 

Afirma ainda que a produção esse ano deve ficar abaixo do necessário para atender toda a população. "A gente tem problemas graves acontecendo, a gente sabe que o país tem problema grave por todo lado, mas no feijão eu acredito que é possível boa vontade para resolver", afirma. Destaca a importância de que órgãos importantes se movimentem para que a produção aumente no país, com objetivo de atender a demanda necessária de toda a população. 

"O peso de São Paulo dentro da produção é importantíssimo, o peso de São Paulo na produção de insumo é muito maior. O reflexo de tudo isso nos outros estados vai ser que impacte também. Se o estado de SP não tem maiores problemas aumentando o ICMS de feijão, você acha que os demais estados vão ter algum tipo de dúvidas para taxar também?", acrescenta.

Confira a entrevista completa no vídeo acima

'Tratoraço' contra o aumento de ICMS em SP

A mobilização contra o aumento do ICMS em São Paulo está prevista para esta quinta-feira, 7 de janeiro, em 109 municípios paulistas. A manifestação que está sendo organizada por sindicatos rurais e associações devem contar com tratoraço, carreatas, panfletagem e ações virtuais.

>>> Saiba mais aqui

CLIQUE AQUI e acompanhe as principais notícias, análises e opiniões sobre os impactos que o aumento deste imposto pode causar na cadeia de alimentos.

 

Por: Aleksander Horta e Virgínia Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Semeadura da canola está quase concluída no Rio Grande do Sul
Preços do arroz cedem após meses de alta
Plantio do trigo está quase finalizado no Paraná e lavouras se desenvolvem bem
Calor recorde coloca em risco a safra de grãos na França
Canola tem área de cultivo duplicada no Rio Grande do Sul
Colheita do feijão avança e preços ficam na dependência de aquecimento da demanda