Suinocultor catarinense tem prejuízo entre R$ 200,00 a R$ 230,00 por animal vendido

Publicado em 27/05/2021 14:55 e atualizado em 27/05/2021 18:19
Liderança afirma que há sobreoferta de carne suína no mercado interno que não consegue absorver a mercadoria na ponta consumidora
Losivânio de Lorenzi - Presidente ACCS

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Entrevista com Losivânio de Lorenzi - Presidente ACCS sobre o Mercado de Suínos

 

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O principal Estado brasileiro produtor de suínos, Santa Catarina, está registrando prejuízos na suinocultura. O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Losivanio de Lorenzi, afirma que com o atual patamar de R$ 5,70/kg do suíno vivo, o prejuízo por animal vendido pode variar entre R$ 200,00 a R$ 230,00. 

"Hoje o custo de produção para cada quilo de suíno é mais de R$ 8,00, puxado pela saca de 60kg de milho a R$ 106,00 e a tonelada do farelo de soja a R$ 2660,00. O produtor que não tem condição de armazenamento e que compra da mão para a boca está amargando estes preços altos", disse. 

De acordo com Lorenzi, além da pressão dos custos de produção, há uma sobreoferta de carne suína no Brasil e a ponta consumidora, descapitalizada, não consegue absorver. "Tem produtor vendendo matrizes para pagar as contas, diminuindo a produção, ou até pensando em fechar as portas", lamentou. 

Ele explica que, por mais que as exportações estejam em bom ritmo, a maior parte da produção de carne suína fica em solo brasileiro, e os preços nas gôndolas seguem altos, compatíveis com o pico de preços registrados para o animal vivo em novembro do ano passado. "Não houve recuo nos preços para o consumidor, mas a renda caiu, e aí essa mercadoria não tem giro. Aí acaba que os preços para o produtor caem", aponta.

A virada para o mês de junho, que deveria trazer melhores preços tanto pela entrada da massa salarial quanto pelo tempo frio, propício para o aumento no consumo da proteína, ainda é carregada de incertezas. "A gente não sabe como vai ser, porque os frigoríficos estão comprando menos animais, então quando os animais que estão nas granjas saírem para abate, estarão mais pesados, ou seja, levando mais carne para o mercado e podendo baixar ainda mais os preços. Também não sabemos como ficará o consumo, já que há muita gente ainda sem renda", afirma. 

Por: Letícia Guimarães
Fonte: Notícias Agrícolas

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