Demanda por milho se aquece no Brasil, preços sobem e produtores aproveitam para avançar com vendas
Demanda por milho se aquece no Brasil, preços sobem e produtores aproveitam para avançar com vendas
A demanda por milho ganhou força no mercado brasileiro nas últimas semanas e, combinada à valorização das cotações, começou a estimular produtores a retomarem as vendas do cereal disponível. Para a safra de 2027, porém, a comercialização segue mais lenta diante das incertezas sobre o plantio da soja e, consequentemente, sobre a janela que estará disponível para a próxima segunda safra.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, Coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, explicou que indústrias e usinas de etanol estão mais presentes nas compras de milho para garantir abastecimento até o final do ano. Com a melhora dos preços em relação aos níveis observados durante boa parte de 2026, os produtores também passaram a aparecer mais no mercado.
Segundo o analista, essa combinação entre compradores mais ativos e maior disposição dos vendedores tem ajudado a sustentar as cotações no mercado interno. O avanço da demanda para produção de etanol aparece como um dos principais fundamentos domésticos neste momento.
O cenário externo também contribuiu para a recuperação recente. Gutierrez destacou a valorização do milho em Chicago diante das dúvidas sobre o tamanho efetivo da safra dos Estados Unidos, da forte demanda pelo cereal norte-americano e das tensões geopolíticas que atingem importantes regiões exportadoras.
Apesar do momento mais positivo, as exportações brasileiras aparecem como um ponto de atenção para os próximos meses. A Hedgepoint trabalha atualmente com embarques próximos aos 41 milhões de toneladas, volume semelhante ao registrado no ano passado, mas Gutierrez avalia que essa projeção poderá ser revista para baixo caso o ritmo dos embarques decepcione nas próximas semanas.
Entre os riscos citados estão as incertezas envolvendo as compras do Irã, diante do conflito e das dificuldades logísticas na região, além do aumento da concorrência argentina. O país vizinho conta com uma grande oferta de milho nesta temporada e, segundo Gutierrez, aparece atualmente com preços competitivos no mercado internacional, disputando destinos também atendidos pelo Brasil.
Para o produtor, esse cenário reforça a importância de aproveitar parte das oportunidades abertas pela recuperação recente. O analista destacou que os preços atuais são mais atrativos do que aqueles observados durante grande parte do ano e avaliou que momentos de valorização podem ser utilizados para avançar gradualmente na comercialização.
O comportamento é diferente quando o olhar se volta para a safrinha de 2027. As operações de barter seguem avançando dentro do ritmo normal, mas as vendas futuras fora dessas negociações permanecem lentas.
Além de preços menos atrativos para 2027, muitos produtores ainda aguardam uma definição mais clara sobre o início e o desenvolvimento do plantio da soja 2026/27. O ritmo da oleaginosa será determinante para saber qual janela estará disponível para o milho na sequência, fazendo com que parte dos produtores prefira esperar antes de comprometer volumes da próxima safra.