Eleição de Bolsonaro deve atrair novos investimentos; ativos brasileiros estão cerca de 40% mais baratos com atual dólar

Publicado em 24/10/2018 19:33 e atualizado em 26/10/2018 00:29
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Para Antônio da Luz, economista da Farsul e representante do Agro no Boletim Focus do Banco Central, investimentos no Brasil estão reprimidos e com isso, definição das eleições e real desvalorizado, devem atrair investidores
Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL sobre o Câmbio

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Nesta quarta-feira (24), os jornalistas João Batista Olivi e Aleksander Horta, do Notícias Agrícolas, se reuniram com o economista Antônio da Luz, da Farsul, para conversar sobre a recente volatilidade observada no dólar e os níveis ideais da moeda norte-americana para o agronegócio.

Luz, que é um dos 89 economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, lembra que, quando o dólar estava subindo, a recomendação aos produtores era de que fossem realizadas operações de hedge para travar os preços da soja. De lá para cá, o câmbio só fez cair.

Ele relembra que o Brasil passou por uma crise política e que o Produto Interno Bruto (PIB) começa a crescer, mas a passos lentos. É preciso observar as primeiras medidas a serem tomadas pelo futuro presidente eleito a partir do momento em que vencer as eleições para saber se esse crescimento virá de forma rápida.

Confira a entrevista completa no vídeo acima.

Arrecadação em setembro soma R$ 110,66 bi, maior para o mês desde 2015 (no ESTADÃO)

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 110,664 bilhões em setembro, valor que representa aumento real (já descontada a inflação) de 0,26% na comparação com o mesmo mês de 2017. Em relação a agosto deste ano, houve aumento real de 0,35%.

O valor arrecadado foi o melhor desempenho para meses de setembro desde 2015. O resultado ficou dentro do intervalo de expectativas de 14 instituições ouvidas peloBroadcast Projeções, que ia de R$ 106,800 bilhões a R$ 124,400 bilhões, com mediana de R$ 110,838 bilhões.

Entre janeiro e setembro deste ano, a arrecadação federal somou R$ 1,064 trilhão, o melhor desempenho para o período desde 2014 na série histórica com variação real (já descontada a inflação). O montante ainda representa avanço real de 6,21% na comparação com igual período do ano passado.

Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, que o crescimento de 6,21% na arrecadação federal de janeiro a setembro reflete o desempenho dos principais indicadores macroeconômicos.

Segundo ele, mesmo excluindo-se fatores não recorrentes – como o Refis e o aumento de alíquotas sobre combustíveis -, as receitas administradas ainda cresceriam 3,63% em relação ao mesmo período de 2017. “A conjugação de diversos fatores produz um resultado da arrecadação superior à variação do PIB projetada para este ano”, completou.

Ele destacou a alta de 20,85% no recolhimento de do Imposto de Renda sobre Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por estimativa no ano, sendo uma queda de 12,30% no setor financeiro, mas um crescimento de 40,66% nos demais setores.

“Vamos aguardar o ajuste do setor financeiro para saber o resultado final da arrecadação do setor. A estimativa reflete projeções menores do que as do ano passado, mas o desempenho real do setor só será conhecido no final do ano”, alegou.

Desonerações em setembro somam R$ 7,154 bilhões

As desonerações concedidas pelo governo resultaram em uma renúncia fiscal de R$ 32,834 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, valor nominal 2,2% maior que o observado em igual período do ano passado, quando ficou em R$ 32,127 bilhões. Apenas no mês de setembro, as desonerações totalizaram R$ 7,154 bilhões, acima do observado em setembro do ano passado (R$ 6,718 bilhões).

Só a desoneração da folha de pagamentos custou aos cofres federais R$ 952 milhões em setembro e R$ 8,526 bilhões no acumulado do ano. O Congresso aprovou em agosto a reoneração da folha de 39 setores da economia, como contrapartida exigida pelo governo para dar o desconto tributário no diesel prometido aos caminhoneiros. Outros 17 setores manterão o benefício até 2020.

Entre as demais desonerações listadas pela Receita, o regime para micro e pequenas empresas - o Simples e MEI - gerou desoneração de R$ 1,191 bilhão no mês passado e R$ 4,716 bilhões no acumulado do ano. Já a cesta básica foi beneficiada com desoneração de R$ 958 milhões em setembro e R$ 3,795 bilhões no acumulado dos nove primeiros meses do ano.

Vale registra lucro de R$5,6 bi no 3º tri

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A mineradora Vale registrou lucro líquido de 5,6 bilhões de reais no terceiro trimestre, queda de cerca de 22 por cento ante o mesmo período de 2017, informou a maior produtora global de minério de ferro e níquel, nesta quarta-feira.

O lucro líquido atribuído ao acionista somou 5,75 bilhões de reais, queda de 19,5 por cento na mesma comparação.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da empresa, entre julho e setembro, somou 17,4 bilhões de reais, aumento de 31 por cento ante um ano antes.

Celulose Irani recebe propostas de interessados em ativos

SÃO PAULO (Reuters) - A produtora de celulose Irani contratou o BTG Pactual para buscar potenciais investidores e seus acionistas controladores receberam propostas não-vinculantes de alguns interessados no negócio, disse a companhia em fato relevante nesta quarta-feira.

"Contudo, a companhia reitera que não há qualquer decisão do acionista controlador da companhia a respeito de uma eventual alienação das ações, ou mesmo documentos vinculantes firmados com tais potenciais interessados a respeito de uma eventual alienação de suas ações", ponderou a Irani.

Em 28 de agosto, a companhia havia informado que avaliava alternativas para captação de recursos, a fim de fortalecer sua estrutura de capital e financiar investimentos.

Brasil tem 3 das 100 fintechs mais inovadoras do mundo, diz relatório

SÃO PAULO (Reuters) - As plataformas brasileiras de serviços financeiros Nubank, GuiaBolso e Geru estão entre as 100 fintechs mais inovadoras do mundo, segundo relatório produzido pela KPMG e pela H2 Ventures.

O estudo divulgado anualmente e chamado de Fintech100, inclui 50 startups de finanças melhor classificadas com itens como capacidade de inovação e de captar recursos, o tamanho da empresa, a área de atuação e o poder de influência. Outras 50 companhias emergentes entram no critério a tecnologia de inovação e os novos modelos de negócios propostos ou adotados.

Os Estados Unidos são o país com mais empresas na lista (18), seguidos por Reino Unido (12), China (11) e Austrália (7).

Apostas e astúcia de Guedes serão testadas em governo Bolsonaro (ANÁLISE DA REUTERS)

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Com apostas certeiras sobre a economia que lhe deram fama e fortuna no mercado financeiro, o economista Paulo Guedes, guru do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), lançou suas cartas sobre o cenário eleitoral ainda em 2016, quando avaliou que um outsider que encarnasse a volta à ordem num país destroçado por denúncias de corrupção poderia sagrar-se vencedor na corrida ao Palácio do Planalto.

O nome que lhe veio à mente para representar essa alternativa, contudo, não foi do capitão da reserva, mas do apresentador global Luciano Huck, que passou a flertar com a possibilidade de sair candidato em meio a, segundo conta, inúmeras conversas com Guedes.

"Tudo que aconteceu do anti-establishment, dessa negação da política tradicional, o Paulo antecipou isso antes de o (Donald) Trump ser eleito, antes de o (João) Doria ser eleito em São Paulo", disse Huck, que atribui ao economista a responsabilidade por destravar "um processo muito rico" pelo qual disse seguir passando.

Enquanto o apresentador da TV Globo somava novas conexões e adentrava o terreno da política, a articulação por uma chapa encabeçada por Bolsonaro também ganhava corpo, mas ainda sem um apoio contundente pelo lado econômico.

Quando o também liberal Gustavo Franco, economista que presidiu o Banco Central e participou da formulação do Plano Real, anunciou que estava deixando o PSDB para ingressar no Partido Novo, em setembro do ano passado, dois apoiadores de Bolsonaro se atentaram para o reforço que uma investida do tipo daria ao time do capitão.

O empresário Winston Ling --da família sino-brasileira dona da holding Évora, fornecedora de bens intermediários para indústria de consumo, e do Instituto Ling, que concede bolsas de estudo no exterior-- foi quem capitaneou a iniciativa, sugerindo a Bia Kicis, amiga de Bolsonaro, que propusessem um encontro entre o deputado e Guedes.

Nenhum dos dois conhecia o economista pessoalmente, mas foram fisgados pelos artigos que ele vinha escrevendo, com críticas vorazes à velha polarização entre PT e PSDB, que teria aberto o flanco à direita para a ascensão de Bolsonaro.

"No primeiro encontro Jair gostou muito dele", afirmou Bia, dizendo enxergar entre eles uma franqueza em comum.

"Eu tinha certeza que o Jair para estourar, para crescer como ele cresceu, ele precisaria que os liberais estivessem com ele. Os conservadores ele já tinha todos, mas precisava também do aval dos liberais", acrescentou ela, recém-eleita deputada federal pelo PRP com o slogan "a federal do Bolsonaro no DF".

A reunião ocorreu num hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na manhã de 13 de novembro de 2017. Mas Guedes só migrou para a campanha de Bolsonaro com a desistência de Huck de participar das eleições, no início deste ano.

Defensor do Estado mínimo, ele teve como desafio alinhar o discurso do candidato à bandeira liberal, diametralmente oposta à empunhada por Bolsonaro em décadas como parlamentar. No Congresso, o deputado votou contra o fim do monopólio da União no petróleo e nas telecomunicações, também se posicionando contra medidas de ajuste que cortaram benefícios ao funcionalismo.

Principal fiador da guinada, Guedes, de 69 anos, levou à campanha o peso de um Ph.D. na Universidade de Chicago, considerada o templo mundial do liberalismo, e o plano de promover radicais reformas econômicas, incluindo a tributária e da Previdência, além de privatizações para quitar parte da dívida pública brasileira.

Atual CEO da Bozano Investimentos, o economista também carrega no currículo passagens como professor pela PUC, FGV e Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio, além de uma temporada na Universidade do Chile, sob a ditadura de Augusto Pinochet no início dos anos 1980.

Fora da academia, ele já presidiu o Ibmec e investiu em diversas empresas de educação quando à frente da BR Investimentos, incluindo a Abril Educação, atual Somos Educação, e a Anima. ORADOR NATO

Figura carimbada do círculo financeiro, Guedes é um camaleão da oratória e ajusta com facilidade o tom e a forma de seu discurso. Com um semblante sério, que ele cerra quando contrariado, mas um jeitão coloquial e pronunciado gosto pela conversa, ele não tarda em ganhar a atenção daqueles a quem se dirige. Com isso, passa longe do figurino de tecnocrata que não raro costuma ser vestido por economistas renomados no país.

Num almoço em Brasília no fim de agosto, ele alternou momentos de análise sociológica, citando Jean-Jacques Rousseau e John Locke, com piadas e metáforas para defender a cartilha liberal.

Ao variado público, que incluía desde membros do movimento conservador católico Regnum Christi a uma técnica do Tesouro Nacional, ele recorreu à figura folclórica de Saci Pererê para criticar o orientação social-democrata que, a seu ver, foi adotada por todos os governos desde a redemocratização.

"É só perna esquerda, é um Saci Pererê que só pula com a perninha esquerda", disse ele, arrancando risos de uma plateia com cerca de 40 presentes. "Se só pula com uma perna, como é que vai correr, como é que o país vai sair do lugar?", completou.

Sobre o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas a despeito da sua ausência em debates, avaliou que o desejo da grande imprensa parecia ser de colocá-lo num cercadinho, mas que o povo se identificava com sua autenticidade.

"As pessoas falam assim: qual é a fórmula exata de Pi? Como é que você calcula a área de um círculo? O que você acha da morte de Mao Tsé-Tung? Espera aí, eu (Bolsonaro) defendo princípios e valores, está cheio de cara que sabe responder isso tudo e está destruindo o país. E eu vou chamar pessoas para me ajudar. Se errar, troco as pessoas", afirmou Guedes, em nome do candidato do PSL.

De certa maneira, o receituário foi seguido à risca numa campanha marcada pelo posicionamento contra o sistema e, sobretudo, contra o PT. Em diversos momentos, Bolsonaro saiu pela tangente quando perguntado sobre economia, delegando a Guedes a tarefa de responder pela área. Por sua vez, o economista seguiu reforçando a conversão do candidato ao liberalismo, principalmente em encontros fechados com investidores e agentes do mercado.

"Ele conquista 100 por cento", opinou o gestor da RCF Capital e dono da Granja Faria, Ricardo Faria, que foi a três encontros com Guedes organizados por bancos de investimento neste ano.

"A gente tinha uma dúvida se o Paulo de fato estava engajado no projeto. Eu mesmo fiz essa pergunta duas vezes para ele: Paulo, vai ter paciência?", revelou Faria, que, no entanto, se disse convencido pelo fato de o economista demonstrar tranquilidade quanto ao alinhamento recente de Bolsonaro às ideias do livre mercado, em contraposição ao que o empresário teme ser "de novo um governo de esquerda com pensamento errado, com mais quatro anos de um Estado maior".

Apesar das posições estatizantes e corporativistas expressas por Bolsonaro no passado, Guedes costuma minimizar as chances de os dois entrarem em rota de colisão, afirmando que o candidato à Presidência aprende rápido. Também não deixa de aproveitar o ensejo para cutucar economistas que integraram o governo de José Sarney, reacendendo uma rixa antiga.

"Do Plano Cruzado até o Plano Real, que foi aprender a usar a política monetária, levou oito anos. Do Plano Cruzado até o câmbio flexível, levou 12 anos --e sempre em crise. Hoje os economistas tucanos fazem pose de 'somos excelentes e temos as soluções'. Não foi nada assim. Não foi isso que eu vivi. O que eu vivi com eles foi o contrário", afirmou ele, sobre o grupo formado por profissionais como Persio Arida, Luiz Carlos Mendonça de Barros e André Lara Resende.

"Se esse pessoal todo levou 20 anos para chegar no lugar certo, por que o Jair não pode levar 6 meses, 8 meses, pra avançar nessa direção? Minha brincadeira é que ele está aprendendo muito mais rápido do que essa turma toda. Mesmo sabendo que ele gosta de matar aula pra caçar voto", arrematou.

CRÍTICO MORDAZ

Um dos fundadores do Pactual, Guedes bateu de frente com os economistas de Sarney quando o atual BTG Pactual ainda buscava autorização do governo para se transformar num banco de investimento, o que demorou a acontecer em função da forte indisposição entre as partes.

Ácido opositor do controle inflacionário proposto pelo Plano Cruzado, Guedes foi apelidado de Beato Salu pelo grupo que então integrava a equipe econômica, em referência a um personagem da novela "Roque Santeiro", que profetizava o fim do mundo. Para revidar a alcunha com a qual fica bravo até hoje, passou a chamá-los de "caçadores de boi no pasto".

Com o tabelamento de preços em 1986, houve forte aquecimento do consumo e, ao mesmo tempo, desincentivo ao abastecimento. O governo chegou a mobilizar a polícia para confiscar bois no pasto, alegando que os criadores eram responsáveis pelo sumiço da carne nas prateleiras. Com o tempo, caçar boi no pasto virou sinônimo de buscar soluções de fachada para problemas econômicos mais profundos. E a aposta de Guedes de que o Cruzado faria água rendeu gordos lucros ao Pactual.

"É um economista macro que eu jamais conheci outro igual. Ele sabe. Mexeu ali vai acontecer isso aqui, mexeu lá vai acontecer isso ali. A gente sempre soube se posicionar basicamente na visão dele e acho que grande parte do sucesso do Pactual foi com essa visão", afirmou o financista Luiz Cezar Fernandes, que convidou Guedes a fundar a instituição que nasceu como distribuidora de títulos em 1983.

Para Luiz Cezar, o guru de Bolsonaro não irá jogar a toalha no primeiro entrevero com o capitão da reserva, temor que tem sido levantado por parte do mercado diante do gênio forte de ambos.

"Diferente de algum economista muito acadêmico, ele conhece a vida, ele ganhou dinheiro, ele soube construir empresas, criou todo esse conceito de educação no Brasil, um dos primeiros investimentos em educação foi ele que viu. Então ele é um visionário. Independentemente de não ter trabalhado no governo, ele já esteve sentindo o lado real da economia, apanhando e batendo. É verdade que no governo é tudo diferente, porém eu acho que ele tem capacidade de sobreviver."

SINTONIA EM XEQUE

Não é como vê uma ala de economistas, que tem apontado contradições em discursos mais recentes do líder nas pesquisas de intenção de voto. Bolsonaro já baixou o tom em relação à urgência da reforma da Previdência, vista como imprescindível por Guedes, e à possibilidade de privatizar estatais.

"Eu tenho dúvidas se é ingênuo ou cínico (crer num governo Bolsonaro liberal)", disse o economista e ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman.

"Parece que a gente está acreditando em um conto de fadas que não é real. Não é uma questão de personalidade, é uma questão de crenças. Todas as crenças em particular do Bolsonaro não indicam que seja um programa liberal, mas mais importante do que isso é o seguinte: você vendeu esse programa liberal para a população? Não. Esse é o ponto. Como é que faz para fazer com que eles cumpram?", questionou Schwartsman, criticando o endosso do mercado ao candidato, apesar da superficialidade do debate econômico e das propostas apresentadas.

Depois de se ver no centro de uma polêmica sobre a CPMF, o próprio Guedes resolveu submergir. Após circularem notícias na imprensa de que estaria aventando reviver o impopular tributo que incide sobre movimentações financeiras, ele chegou a afirmar que, na verdade, seu time estudava um imposto nesses moldes que viria em substituição a outros, dentro de uma ampla reestruturação tributária.

Bolsonaro, entretanto, bradou diversas vezes que a CPMF não estaria sobre a mesa e que Guedes teria cometido um "ato falho".

Investigação aberta pela Procuradoria da República no DF contra o economista também ajudou na sua decisão de seguir, por ora, longe dos holofotes. A suspeita do MPF-DF é de que Guedes teria cometido crimes em operações com fundos de pensão de empresas estatais.

O economista negou quaisquer irregularidades e apontou, via advogados, "perplexidade" com uma investigação às vésperas das eleições feita em cima de "relatório manifestamente mentiroso" da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), acrescentando que o investimento questionado não implicou qualquer prejuízo aos fundos de pensão. “BULLSONARO”

Por enquanto, as dissonâncias não foram suficientes para azedar o humor dos mercados que, com a inércia de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas, já tinham abraçado de vez a candidatura do parlamentar.

Desde que Bolsonaro terminou o primeiro turno com larga vantagem sobre o petista Fernando Haddad, o dólar e a curva de juros de longo prazo seguiram em queda até atingirem nesta semana seu menor valor desde maio, num rali chamado pelo Citi de "BullSonaro".

Caso vença as eleições, Bolsonaro já disse que caberá a Guedes o comando de um superministério da Economia, que reunirá as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), assim como a Secretaria Executiva do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Segundo Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tetraneto de d. Pedro 2º e que foi eleito deputado federal por São Paulo pelo mesmo partido de Bolsonaro, Guedes está mobilizando especialistas "do mais alto quilate" em grupos de trabalho para estruturar as propostas econômicas. Ele próprio integra uma dessas células, sobre relações exteriores, e defendeu que as medidas devem sim ir adiante, ainda que numa velocidade distinta da desejada pelo mercado.

"Eu vejo que um (Guedes) está apontando o que deve ser feito e outro (Bolsonaro) está fazendo um cerceamento, um jeito de ser encaminhado. Às vezes a coisa não está popularmente bem digerida e pode afetar timing do processo. Agora o casamento do objetivo é total", disse o príncipe, que chegou a ser cogitado como vice para a chapa de Bolsonaro.

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif, vê firmeza nas posições liberais de Guedes, que foi o responsável por elaborar seu programa econômico quando concorreu à Presidência em 1989, um projeto que considera "mais atual do que nunca".

Se naquela época a plataforma não foi suficiente para alavancar a candidatura de Afif, que terminou a corrida em sexto lugar, desta vez há na avaliação do empresário um clamor mais forte por um Estado menos centralizador, mas capitalizado o suficiente para garantir recursos em áreas-chave, notadamente educação, saúde e segurança.

"Mas o importante não é só aceitação do mercado, é o convencimento do Congresso. Esse é o grande desafio, o desafio político", ponderou. "Uma andorinha não faz verão", completou Afif sobre o que vem sendo um fulgurante voo de Guedes, pelo menos até agora.

Os criadores do levantamento criaram um ranking com as fintechs que mais se destacaram globalmente. A plataforma digital brasileira de cartões de crédito e de contas correntes Nubank ficou na sétima posição na lista liderada pela plataforma chinesa de transferências de recursos Ant.

No documento, o presidente-executivo do Nubank, David Vélez, afirma que a plataforma já emitiu 5 milhões de cartões de crédito. Segundo o relatório, isso posiciona o Nubank como umas cinco maiores emissoras de cartões do país "e o maior desafiante de banco do mundo fora da Ásia". Além disso, a empresa já tem 2,5 milhões de inscritos para ter uma conta digital, serviço lançado há cerca de um ano.

Já o portal de finanças pessoais GuiaBolso, que atualmente tem cerca de 4 milhões de inscritos, apareceu na posição 46 dentre as primeiras 50 mais inovadoras.

"O resultado é o reconhecimento do esforço em ajudar o brasileiro a lidar melhor com seu próprio dinheiro", afirmou o presidente-executivo e co-fundador do GuiaBolso, Thiago Alvarez.

O site de empréstimos pessoais Geru apareceu pela primeira vez no relatório, no grupo de fintechs emergentes.

A lista deste ano revela um salto significativo no apoio de capital de risco às fintechs. As empresas levantaram mais de 52 bilhões de dólares em capital de risco, quase o dobro do ano passado.

Por: Aleksander Horta e João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Leandro de Sá Planalto - PR

    A tragédia anunciada... a gente quis Bolsonaro e vamos pagar alto preço, a soja está barata no mundo com o dólar caindo, e aqui o preço tambem cairá. Feliz quem fez contrato acima de 80 reais.

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    • JOÃO BIERMANNTAPERA - RS

      Ainda dá tempo de votar no PT, daí, em vez do preço, vc vai reclamar de não ter mais terra pra plantar...

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    • ELCIO SAKAIVIANÓPOLIS - GO

      A desvalorização da soja vem acontecendo há 5 anos, nem por isso culpo o PT... Temos que aceitar a nova realidade de alimentação barata e de qualidade, e fazer o dever de casa, deixando as financias em dia.... Lembrem-se do marketing das firmas de insumos, que independente do custo de uma lavoura, dizem que só teremos retorno se tivermos o máximo de produtividade. Muitos produtores estão descapitalizados devido à compra dessas ideias, adquirindo produtos milagrosos e que, no final das contas, não dão o resultado esperado.

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    • GERALDO EMANUEL PRIZONCOROMANDEL - MG

      Sr. Leandro, melhor perder os anéis que os dedos. Prefiro ter prejuízo com o câmbio no curto prazo e permanecer na atividade que perder a propriedade no médio e longo prazo. Na próxima safra as coisas se ajustam ao dólar baixo.

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