Menor taxa de juros da história, menor inflação... mesmo assim mídia tenta desconhecer

Publicado em 19/09/2019 11:44 e atualizado em 19/09/2019 16:42
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Entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL
Antônio da Luz - Economista - FARSUL

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Menor taxa de juros da historia, menor inflação... mesmo assim mídia tenta desconhecer

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O Banco Central cortou nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 5,50% ao ano, sendo a menor taxa histórica da Selic. A redução dos juros foi incentivada por um cenário de inflação controlada, sendo que há espaço para um novo corte até o fim do ano. Com a redução, investimentos tradicionais no Brasil, como a poupança e o Tesouro Direto, passam a render menos, fazendo com que investidores tenham que diversificar seus negócios.

Leia: BC corta Selic em 0,5 ponto, à nova mínima de 5,50%, e sinaliza afrouxamento adiante

Para Antonio da Luz, economista da Farsul, a equipe econômica do atual governo tem conseguido tomar medidas econômicas corretas. Ele chegou a comparar a atual realidade brasileira com a Argentina, país que tem insistido em políticas monetárias que vão na contramão da tendência global de redução de juros. "Estamos deixando de ser rentistas e especuladores, para nos tornarmos investidores de atividades produtivas", disse.

Porém, ele alerta que uma mudança de cenário no dia-a-dia do brasileiro ainda pode demorar alguns meses. "A economia não muda do dia para a noite, uma decisão do Copom pode demorar de 8 a 9 meses para chegar ao consumidor final. Porém, com as atuais mudanças no modelo econômico brasileiro, esse período pode ser encurtado", explicou.

Além disso, outros fatores acabam influenciando na disponibilidade de crédito e nos juros finais. A taxa de desemprego no país e a falta de planejamento financeiro familiar são algumas delas. No entanto, a abertura econômica e a chegada de novos concorrentes ao mercado de crédito, trará maiores possibilidades para uma melhora da economia.

No caso do agronegócio, que até o momento depende de crédito rural cedido por poucos agentes financeiros, com a modernização a partir da MP do Agro, abre oportunidades de investimentos até em âmbito internacional. "Os investidores terão que ir atrás das oportunidades e as taxas de juros praticadas no agronegócio atualmente são absurdas, então a modernização de investimentos no setor pode trazer recursos internacionais com juros melhores".

Veja também: MP do Agro quer atrair investidores do mercado de capitais, estimular concorrência com bancos e viabilizar crédito mais barato

Senado da Argentina aprova lei de combate à "emergência alimentar" conforme crise se aprofunda

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BUENOS AIRES (Reuters) - O Senado da Argentina aprovou por unanimidade nesta quarta-feira uma lei que aumentará fundos estatais dedicados ao combate à fome, conforme o país luta contra uma sufocante inflação e o aumento da pobreza. 

A medida estabelece uma "emergência alimentar" e aloca um impulso de 50% do orçamento atual para políticas públicas nacionais nutricionais e alimentares, de acordo com o governo. 

A Câmara de Deputados havia votado em esmagadora maioria a favor da medida em 12 de setembro. A lei foi proposta por parlamentares da oposição, incluindo figuras do partido de Alberto Fernández, candidato da oposição peronista e líder nas pesquisas para a eleição presidencial de 27 de outubro. 

"A pobreza não é um problema pequeno. Vivemos uma emergência social e alimentar desde 2002", disse o senador Luis Naidenoff, presidente do bloco do partido governista no Senado. 

O crescimento econômico da Argentina está estagnado desde 2018, enquanto a inflação, de 54,5% para os últimos 12 meses, está superando os salários, levando a um crescimento acentuado na pobreza, segundo dados oficiais. A crise econômica aprofundou ainda mais após o resultado de primária em agosto enfraquecer as chances de reeleição do presidente Mauricio Macri. 

Macri anunciou várias medidas emergenciais na semana após a primária, em esforço para levar alívio a consumidores, incluindo redução de impostos sobre a venda de alguns produtos alimentares básicos, como pão, açúcar e leite, até o fim do ano.

PIB da Argentina cai 0,3% no segundo trimestre; OCDE prevê contração de 2,7% este ano (O Globo)

BUENOS AIRES - A economia argentina sofreu retração de 0,3% no segundo trimestre, informou o órgão oficial de estatísticas do país nesta quinta-feira. E o desemprego no país subiu para 10,6%.

O país, que em agosto anunciou uma moratória parcial em títulos de sua dívida e passou a adotar alguns mecanismos de controle de câmbio , para evitar uma fuga de capitais , deve ter retração de 2,7% este ano, segundo previsões da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também divulgadas nesta quinta-feira.

A OCDE prevê que também em 2020 o PIB (o Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos ao longo de um ano) do país deve amargar queda, de 1,8%.

A crise financeira derrubou a atividade econômica e reduziu a renda dos argentinos. Na quarta-feira, o Senado do país aprovou uma lei de emergência alimentar , que aumenta em 50% a ajuda a restaurantes populares até 2022.

Mas os argentinos terão que lidar com uma nova pressão no orçamento. O governo decidiu acabar com o congelamento nos preços de combustíveis e autorizou um reajuste de 4% no gás e na gasolina a partir desta quinta-feira.

Após sua derrota nas prévias das eleições presidenciais da Argentina, o presidente Mauricio Macri anunciou o congelamento de preços da gasolina por 90 dias , numa tentativa de manter sua popularidade. Analistas acreditam que Macri deve perder a corrida presidencial para o peronista Alberto Fernandez nas eleições de 27 de outubro.

Depois da forte alta do preço do petróleo no mercado internacional esta semana, devido aos ataques de drones às instalações da Arábia Saudita, não foi possível manter o congelamento da gasolina, explicou o ministro da Economia, Hernán Lacunza. (Leia mais em O Globo).  

Dólar supera R$ 4,14 após BC sinalizar novo corte da Selic

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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava nas máximas em duas semanas contra o real nesta quinta-feira, um dia depois de o Banco Central cortar a Selic para uma nova mínima histórica e sinalizar nova redução nos juros, o que gerou alguma surpresa no mercado.

Às 11:43, o dólar avançava 0,83%, a 4,1368 reais na venda. Na máxima, foi a 4,1450 reais na venda, máxima desde 4 de setembro.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,67%, a 4,1415 reais.

O Banco Central cortou na quarta-feira a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 5,50% ao ano, dando sequência ao ciclo de afrouxamento monetário em meio à débil recuperação econômica, num processo que deve seguir adiante, segundo sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom).

"A queda da Selic e a previsão de outro corte na próxima reunião têm como consequência a queda também da rentabilidade da arbitragem de taxa de juros ('carry trade'), o que afeta diretamente o mercado de câmbio", afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Silva também destaca a saída de fluxo financeiro dos mercados domésticos como fator de impulso do dólar contra o real. Segundo ele, investidores estariam redirecionando recursos para outros países emergentes, como o México.

Nesta sessão, o real liderava as perdas contra o dólar, com a moeda norte-americana em queda de 0,12% contra o peso mexicano e se desvalorizando também contra uma cesta de moedas.

No acumulado de setembro até dia 13, o fluxo cambial financeiro estava negativo em 1,8 bilhão de dólares, segundo o BC.

O BC vendeu todos os 580 milhões de dólares ofertados em moeda física nesta quinta-feira e negociou ainda todos os 11.600 contratos de swap cambial reverso ofertados --nos quais assume posição comprada em dólar.

Estadão: Risco país cai a menor nível em seis anos

O risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), um título que protege contra calotes na dívida soberana, vem registrando nova rodada de queda e está em 116 pontos. É o menor nível em seis anos, desde maio de 2013. Mas outros ativos brasileiros, principalmente o dólar e a Bolsa, não estão acompanhando o movimento de melhora de percepção dos investidores sobre o País. Economistas e gestores ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que este "descolamento" mostra que os investidores estão antecipando um cenário doméstico melhor pela frente, mas, no momento, ainda seguem cautelosos e não vão aportar recursos em ativos locais sem maior crescimento econômico e avanço de outras reformas, inclusive o término da Previdência.

Leia mais no site do Estadão

Por: João Batista Olivi e Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

4 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Se engana quem pensa que os politicos que estão contra o Brasil não sabem que se liberar as forças produtivas da economia e fazer economia de mercado, com justiça, eles irão limpar privadas, se tanto, e ainda na cadeia, pois outra coisa não sabem fazer a não ser roubar.

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  • Gladston Machareth Campo Grande - MS

    Economistas estão lá, engravatados e sob ar condicionado, fazendo seus cálculos que somente eles entendem. A mídia, através de seus jornalistas em campo e sob um sol de 40 graus, entrevistando a população sob a inflação sentida na pele, é taxada de desconhecer a queda na inflação apontada pelos economistas ... nada, absolutamente nada, nesse país teve aumento em seus preços de produtos e serviços, inferior à 10%. As altas vão de 10 à 50% e "a mídia insiste em desconhecer o recuo na inflação" informado pelos economistas ... tá certo, a mídia é que está errada.

    Brasil, país de cordeiros pastoreados por lobos !

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  • Tiago Gomes Goiânia - GO

    Pois é...já viemos desde o governo Temer com quedas na inflação e nos juros. Em outros tempos isso seria o cenário ideal para alavancar a economia. Mas porquê isso ocorre e a economia patina quando muito voa como uma galinha? Faltou discutir isso melhor. O próprio mercado, o rei dos reis até então, já não recebe com tanta euforia esses índices. Esses índices afinal são consequências do que? De maneira simplista e parcial (a turma pró governo) muitos arriscam dizer que é somente a política econômica acertada do governo e outros mais realistas veem questões mais preocupantes que influenciam nisso, como a fraca economia. Muitos já falam até na tal japanização da economia não só brasileira como mundial. O japão está com taxa zero de juros a mais de vinte anos e mesmo assim não cresce. Sugiro ampliarmos essa análise e não simplificarmos desta maneira. Não se esqueçam em 2017 alguns "especialistas" diziam que se atingimos indices como esses de juros e inflação estariamos no céu, economia girando, empregos voltando com força, PIB caminhando bem. Não foi bem isso que ocorreu.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Quem não entende nada de mercado futuro fica escrevendo bobagens aqui no Fala Produtor... A realidade é que a B3 subiu 20.000 pontos desde o inicio do ano. Deu uma parada agora porque a turma do centrão está fazendo a farra com uso de dinheiro público, e a reforma da previdencia não sai do Senado porque a maioria dos senadores quer dinheiro. Ela está nas mãos do Tasso Jereissati, que já desvirtuou ainda mais o projeto original do Paulo Guedes. Mas os isentões querem sempre colocar toda a culpa unicamente no presidente Bolsonaro.

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  • Mario Afonso Klein Passo Fundo - RS

    Menor taxa da história para quem empresta para o banco (aplicação financeira), mas está longe de ser a menor taxa para quem trabalha e produz e precisa tomar dinheiro emprestado para investir e produzir. Vejam o exemplo da agricultura que, por muito tempo tinha crédito para investimentos e custeios com juros abaixo da Selic..., hoje, quando consegue, os juros são quase o dobro do da Selic.

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    • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

      Muito boa a entrevista João Batista, e parabéns Antônio da Luz pelas belas e claras explicações... muito bem lembrada a situação da Argentina, ... o buraco está bem aqui do nosso lado, só não enxerga quem não quer ver.

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