Quem é o nosso verdadeiro aliado? China ou EUA? Colocamos o dilema para Roberto Padovani, do Votorantim

Publicado em 13/12/2019 17:49 e atualizado em 16/12/2019 07:19
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Quais as consequências do fim da guerra comercial para o Brasil? Acompanhe a entrevista com Roberto Padovani, economista- chefe do Banco Votorantim. Ele fala também da nossa recuperação economica, dos riscos e perspectivas...

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Entrevista com Roberto Padovani - Economista Chefe - Banco Votorantim

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Especialistas pedem que Brasil preste mais atenção à China para melhorar a parceria entre ambos os países (Xinhua)

Rio de Janeiro, 13 dez (Xinhua) -- Especialistas chineses e brasileiros debateram nesta sexta-feira no Rio de Janeiro o futuro da parceria entre a China e o Brasil e pediram que o lado brasileiro preste mais atenção à China, o maior parceiro comercial do país.

Tendo como tema "O Futuro da Parceria Estratégica Global China-Brasil", o seminário, realizado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e organizado pela Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) e pelo Consulado Geral da China no Rio de Janeiro, teve como objetivo aprofundar a compreensão mútua, compartilhar experiências de governabilidade e sustentabilidade de cada país e impulsionar os intercâmbios econômico, comercial e cultural para promover uma parceria estratégica.

Segundo o professor de Direito da FGV, Evandro Menezes de Carvalho, "a parceria estratégica entre Brasil e China foi assinada em 1993. O Brasil foi o primeiro país a assinar uma parceria estratégica com a China e, em 2004, se converteu em uma parceria estratégica global."

"O objetivo dessa parceria é o desenvolvimento econômico, a promoção do diálogo e da paz, o comércio, o multilateralismo. É uma parceria crucial porque a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, com um fluxo de comércio de cerca de 100 bilhões de dólares anuais, no qual o Brasil tem um superávit de 30 bilhões de dólares", disse Carvalho, destacando que, por outro lado, "Brasil teve um deficit comercial com os Estados Unidos em 2018."

Coordenador do Núcleo de Estudos China-Brasil da FGV e especialista em Direito chinês, Carvalho recordou que "a China também é o maior investidor no Brasil e tem dado sinais objetivos de que quer estender e aprofundar sua cooperação e relação com o Brasil, participando do desenvolvimento do país."

O especialista ressaltou a grande transformação vivida pela China nos últimos 40 anos. "Quem visitar a China ou quem já foi fica surpreso com o desenvolvimento do país", comentou.

Para ele, o Ocidente tem que observar e aprender para entender melhor a cultura oriental.

Por sua vez, o diretor e professor da EPGE, Rubens Penha, destacou a importância que a China ganhou para o Brasil nos últimos anos, nos quais ultrapassou os Estados Unidos e a Europa como principais parceiros comerciais.

"Observamos como as exportações brasileiras aos EUA, de 2000 a 2018 que representavam entre 20 e 25% do total das nossas exportações passaram para entre 10 e 15%. A mesma coisa aconteceu com as importações. Um comportamento de queda tanto de exportações como exportações com os Estados Unidos", comentou.

"Se olharmos para a zona do euro, é o mesmo processo. De 2000 a 2018, a percentagem de exportações caiu de 25 para 15% , assim como as importações, o que significa que o comércio com os EUA e com a Europa diminuiu ao longo dos últimos 20 anos", acrescentou.

"No caso da China, vemos o contrário. Uma participação minúscula em 1999 e, hoje em dia representa algo superior a 25% das exportações brasileiras e cerca de 20% das importações e está crescendo", ressaltou.

O especialista considera "necessário que o nosso ensino médio olhe para outras partes do mundo e não apenas o Ocidente. Há que se ver menos a história da Revolução Francesa e mais o que acontece no Oriente, sua história".

Sobre o comércio bilateral, afirmou que "a pauta de exportações brasileira está muito concentrada em produtos básicos, enquanto a chinesa incluiu muito mais tecnologia" e defendeu que se faça "mais pesquisas para que nossos produtos tenham mais tecnologia, mais capital humano qualificado para tentar aumentar o PIB e as exportações. Temos que fazer os deveres de casa mais intensamente", concluiu. (publicado por Xinhua, agencia estata chinesa).

Demanda asiática aumentará as exportações brasileiras de carne de porco e de frango

Rio de Janeiro, 12 dez (Xinhua) -- Um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, o Brasil espera aumentar em 15% a exportação de carne suína e em 7% a de frango no próximo ano, informaram na quinta-feira fontes do setor.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o aumento da demanda asiática fará crescer a exportação de carne suína em 2020 para 850 mil toneladas, enquanto a de frango chegará a 4,5 milhões de toneladas.

O surto de peste suína que ocorre na China aumentou a demanda do país asiático este ano, o que impulsionou as exportações brasileiras. Entre janeiro e novembro, o Brasil exportou 218 mil toneladas de carne de porco para a China, um crescimento de 51% em comparação com o mesmo período do ano passado.

As exportações de frango para a China aumentaram em 28% no mesmo período, chegando a 513 mil toneladas.

Devido a esses aumentos, a ABPA revisou a alta das exportações de carne suína em 2019 para 740 mil toneladas, superando as 646 mil toneladas embarcadas no ano passado, enquanto as exportações de carne de frango terminarão o ano em 4,2 milhões de toneladas, superando as 4,1 milhões de 2018.

Bolsonaro diz que hoje Brasil é um país favorável a se investir e gerar empregos (Agência Estado)

São Paulo, 14/12/2019 - O presidente Jair Bolsonaro comemorou há pouco, em sua conta no twitter, a nova marca recorde do principal índice à vista da Bolsa brasileira, o Ibovespa, e o menor nível do risco Brasil em sete anos. Na sexta-feira (13), O Ibovespa fechou com valorização de 0,33%, aos 112.564,86 pontos, em nova máxima histórica, pelo segundo dia consecutivo. Já o Credit Default Swap (CDS) do Brasil caiu de 102,97 para 100,89 pontos, ficando no patamar mais baixo desde 7 de novembro de 2012 (100,25 pontos).

"Durante a recessão de 2015, o Risco Brasil, índice que acompanha a confiança dos investidores, chegou a quase 500 pontos. Ontem o Risco atingiu 100,89 pontos, o menor nível desde 2012, e a bolsa de valores fechou acima de 112 mil pontos, renovando sua máxima histórica", escreveu o presidente.

De acordo com Bolsonaro, esses números sinalizam que "o Brasil é hoje um país favorável para se investir, fazer negócios e gerar empregos."

China terá meta de crescimento ao redor de 6% para 2020 (Reuters)

PEQUIM (Reuters) - A China planeja estabelecer uma meta menor de crescimento, ao redor de 6%, para 2020, frente a 6%-6,5% este ano, confiando em uma despesa estatal em infraestrutura crescente para afastar o risco de uma desaceleração mais expressiva, disseram fontes do governo.

Líderes chineses estão tentando apoiar o crescimento para limitar perdas de empregos que poderiam afetar a estabilidade social, mas estão sob pressão para enfrentar riscos de dívida gerados por políticas baseadas em gastos públicos.

A meta proposta, a ser anunciada na sessão parlamentar anual da China em março, recebeu o apoio de lideranças seniores na Conferência do Trabalho de Economia Central este mês, que ocorreu a portas fechadas, de acordo com três fontes com conhecimento do assunto.

"Pretendemos manter o crescimento do próximo ano dentro de um intervalo razoável, ou em torno de 6%", disse uma fonte que pediu anonimato.

As lideranças do país se comprometem a manter as políticas estáveis e mais efetivas para chegar às metas de crescimento em 2020, disse a mídia estatal na quinta-feira.

Ilan Goldfajn: 'O mais importante hoje é persistência nas reformas' (entrevista de O Estado de S. Paulo)

O crescimento sustentável da economia depende da persistência do governo e da sociedade no programa de reformas, segundo o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn. "A ansiedade, que tem pipocado no mundo, pode nos levar ao maior risco, que é não insistir no caminho que começa a dar resultados", diz. O economista, hoje presidente do conselho do Credit Suisse, afirma estar otimista, pois vários obstáculos, como a taxa de juros elevada, já foram retirados do caminho. "Conforme crescermos 2,5%, pode haver um estímulo para as mudanças continuarem."

Sobre a insatisfação no Chile - país que já passou pelo processo de reformas que o Brasil atravessa agora -, Ilan destaca que se trata de uma falta de perspectivas. "O Chile crescia 5% e vai crescer 0%. Para eles, o mundo para frente é pior. No nosso caso, começamos a oferecer um futuro melhor." A seguir, trechos da entrevista.

Como o sr. avaliou a decisão do BC de pôr um teto na taxa de juros do cheque especial?

O BC tem tido um esforço de monitorar os produtos. Dois produtos são mais emergenciais: o cheque especial e o cartão de crédito rotativo. Todos desejam um sistema mais competitivo, que deixe o consumidor satisfeito. As medidas vão nesse sentido. No caso do cheque especial, tem de ficar claro que é a exceção da exceção.

Era necessário intervir?

Os governos intervêm quando há alguma distorção. É natural, não é muito diferente em outros lugares.

Essa alta do PIB que começa a se consolidar é sustentável?

O motor (gastos do governo) que puxava a economia se esgotou pela falta de financiamento e a sociedade precisou mudar esse motor para o setor privado. A economia tem mecanismos naturais de transferir a força de um motor para outro. Se a política fiscal fica menos expansionista, não precisa que o juro seja tão elevado, e ele cai naturalmente. Isso (juros baixos) é a primeira coisa a estimular a economia. Provavelmente, no próximo ano, teremos um crescimento de 2,5%. É um crescimento mais sustentável porque é baseado no setor privado. Um crescimento de 2,5% puxado pelo setor privado equivale quase a 4% do que se tinha antes, quando o governo contribuía positivamente.

Esses 2,5% são bons diante do que vivemos nos últimos anos, mas, para um país com tanta carência, o número ainda é baixo. Como aumentar a velocidade?

O que levou a aprovação da reforma da Previdência foi a percepção de que ela era necessária para consolidar o fiscal, para se ter taxa de juros menor e voltarmos a crescer. O País voltou a crescer, mas ficou em 2,5% (anualizado). Talvez isso leve a uma discussão de que temos de fazer mais, como reformas tributária e administrativa. Tenho a impressão de que, conforme crescermos 2,5% e o desemprego cair, pode haver um estímulo para as mudanças continuarem. Crescer mais vai depender da capacidade de tirar obstáculos. Tenho uma visão positiva. A gente já galgou dívida externa, hiperinflação, crises cambiais, juros altos. Se fizermos as reformas mais rápido, talvez consigamos acelerar.

Havia uma expectativa de que, com a reforma da Previdência, viria investimento estrangeiro, o que ajudaria no crescimento. Isso ainda não se concretizou. Como reverter o quadro?

Outras economias do mundo estão desacelerando. Se o Brasil mostrar que está recuperando o crescimento, numa agenda de reformas, pode chamar atenção e o investimento, vir. De fato, a recuperação do crescimento, que é modesta, veio sem dinheiro estrangeiro. Tudo foi realocação de renda fixa para ativos reais e de política fiscal para política monetária. Atrair investimento vai depender de a gente conseguir ter - o que acho a palavra mais importante hoje - persistência. Se você persistir nas reformas, vai chegar lá. Às vezes, a ansiedade, que tem pipocado no mundo, pode nos levar ao maior risco, que é não insistir no caminho que começa a dar resultados. Quando a gente fala em insistir nas reformas, parece que tem pouca coisa, mas é uma agenda para muito tempo. Tanto é que elas entram em uma fila: previdenciária, depois administrativa e tributária.

As revoltas nos países vizinhos e a saída do ex-presidente Lula da prisão teriam levado o governo a não enviar a reforma administrativa para o Congresso. O sr. vê riscos a essa persistência por causa do cenário político?

Há mais conflitos no mundo. O investidor olha para isso e fica mais receoso com o mundo todo, não só com o Brasil. Mas, se conseguirmos mostrar que estamos em uma direção diferente, seremos capazes de andar, mesmo que não na velocidade em que gostaríamos. Tenho a impressão, e aí não sou um especialista político, de que, quando você mostra um futuro melhor do que o presente, isso gera boa vontade.

A agenda de reformas copia o exemplo liberal do Chile. Com os protestos, veio a discussão de quão eficiente elas foram para melhorar a vida da população. O que fazer para garantir que o crescimento alcance todos?

O Chile é o país com maior renda per capita da América Latina e também o que mais reduziu a pobreza. Ele teve ganhos de distribuição de renda. O que acontece é que se quer mais que isso. O Chile crescia 5% e vai crescer 0%. Para eles, o mundo para frente é pior do que o passado. No nosso caso, temos distribuição de renda e renda per capita piores, mas tenho a impressão de que começamos a oferecer um futuro melhor do que o passado.

Para o economista Paulo Leme, colunista do 'Estado', o Brasil precisa se blindar do risco de contágio da crise da América Latina, acelerando crescimento e equilibrando velocidade das reformas com alguma medida social. O governo deve fazer algo?

O que estamos falando aqui - oferecer um futuro melhor que o presente - já é uma forma de se proteger. As coisas têm de caminhar juntas: uma agenda de reformas que permita o crescimento e que tire distorções que são vistas como injustas. Não são necessariamente coisas incompatíveis. Saneamento, por exemplo: tem algo mais claro do que fazer uma lei que permita o investimento e que vai dar saneamento básico à população? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fonte: Noticias Agricolas/agencias

4 comentários

  • marco antonio stahlschmidt Araquari - SC

    ....não temos aliado.... temos clientes !.....

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  • carlo meloni sao paulo - SP

    Aliado so' existe em estrategias militares, EM MATERIA DE NEGOCIOS PREVALECE O DITADO SECULAR ----AMIGOS AMIGOS- DINHEIRO DINHEIRO

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  • Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia Ituverava - SP

    O alinhamento que Bolsonaro faz com os EUA, afasta a ideologia esquerdista da AL ... E o alinhamento comercial com a China nos dá independência econômica !

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  • Cassiano Ricardo Kern Copetti

    Não tem preço. Ver esta coisa do joão olivi pedir arrego pros comunistas. Dá-lhe joão olivi que do saco do trump o teu chefe cuida bem...

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    • João Batista Olivi Campinas - SP

      O petista Cassiano é do tipo não li, não ouvi, não sei, mas não gostei... Ouça a entrevista, aprenda e "não subestime o que está acontecendo no País", recomendação do Padovani. ao que eu acrescento, deixe de ser besta, Cassiano, e procure a sua turma...

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    • Rogério Martins Balsas - MA

      Bem isso, tenho amigos que tem essa visão, mas já tenho dito!! Aceita que doi menos!!

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      A Clarice Lispector tem uma frase que se aplica muito bem a este suposto Cassiano... O PIOR CEGO E" AQUELE QUE NAO SABE QUE E" CEGO...

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Cassiano, ex-funcionario do INCRA, (DEPARTAMENTO FRACASSADO) que em mais de tres decadas nao conseguiu fazer funcionar a Reforma Agraria... Continua comunista, portanto senhor de ideias atrapalhadas ...

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    • Luiz Alberto Garcia Rio de Janeiro - RJ

      Pelo que percebi, o caso é de ganhar dinheiro com os chineses e gastar com os americanos...

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