Queda do petróleo ainda não impacta o agro; mais importante são os ganhos na logística

Publicado em 28/02/2020 14:49
Entrevista com Edeon Vaz Ferreira - Diretor Executivo do Movimento Pró-Logística
Edeon Vaz Ferreira - Diretor Executivo do Movimento Pró-Logística

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Queda do petróleo ainda não impacta o agro, mais importante são os ganhos da logística

 

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A queda avassaladora dos preços do petróleo no mercado mundial, nesta sexta-feira, poucos impactos trarão, no curto prazo, para o Agro Brasileiro - como de resto à toda sociedade. Os valores demorarão chegar às bombas nos postos de combustível, até porque esses preços estão mais ligados à distribuição e aos impostos contidos nele do que no valor total do refino do petróleo.

De outro lado, a Petrobrás pode até vir a economizar na importação do petróleo leve (com menos teor de enxofre, e mais adequado à produção de gasolina), mas vai perder na exportação do petróleo nacional, mais pesado, e de menor valor agregado.

Na avaliação de Edeon Vaz Pereira, especialista em logística, mais impactante para o Agro é a economia que a produção agricola está conseguindo com as melhorias logísticas nas rodovias, ferrovias e hidrovias do país.

-- Estamos observando quedas sensíveis nos valores do frete da soja graças à ação eficaz da política de transportes do Governo Bolsonaro, diz Edeon. Como exemplo aponta os impactos trazidos pelo asfaltamento da BR-163.

Como comparação, ele cita a diminuição nos valores do frete no trecho do Arco Norte, no trecho entre o município de Sinop (norte do MT) com o porto de Miritituba e Vila do Conde (norte do Pará).

-- "Antes os caminhoneiros conseguiam, se muito, realizar 3 viagens neste trecho da BR-163. Saiam para a estrada e não sabiam quando voltariam. Agora, depois do asfaltamento, ele consegue realizar 6 viagens com segurança e menos despesas. E o mais importante, o frete diminuiu de valor, recuando de R$ 230,00/t para R$ 170,00/t. Mesmo com a diminuição de valor. o caminhoneiro faz mais dinheiro, pois realiza mais negócios. Antes, por mês, com as dificuldades, conseguia no máximo R$ 25 mil/mês, agora alcança R$ 36 mil ao mês. Todos ganharam".

Esse é apenas um exemplo. Nas hidrovias estão acontecendo avanços considerávies, como a construção e licitação de portos, rodovias e ferrovias. Edeon cita a construção da Ferrogrão, que vai correr paralela à BR-163, e funcionará como um divisor para os preços dos fretes, pois vai servir de balizador nos valores.

-- Teremos a junção de vários modais, principalmente a dos caminhões abastecendo as ferrovias. E a concorrência entre os modais é que vai fazer o valor dos fretes caírem. Já a queda nos preços do petróleo pouco impacto trará aos brasileiros, pelo menos no curto prazo", disse Edeon Vaz.

(Veja a entrevista completa no vídeo acima).

Petróleo fecha em mínimas de mais de um ano; Brent vê maior queda semanal desde 2016

NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo caíram pelo sexto dia consecutivo e renovaram mínimas de mais de um ano nesta sexta-feira, o que levou os contratos futuros da commodity ao maior recuo semanal em anos, à medida que a disseminação do coronavírus gera temores de que a desaceleração da economia global possa impactar negativamente a demanda por energia.

O coronavírus avançou ainda mais, com casos registrados pela primeira vez em seis países de três continentes, afetando mercados e fazendo com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevasse seu alerta de risco para "muito alto".

O vencimento mais ativo do petróleo Brent, para entrega em maio, fechou em queda de 2,06 dólares, ou 4%, a 49,67 dólares por barril, menor nível desde julho de 2017.

Enquanto isso, os futuros do Brent para entrega em abril cederam 1,66 dólar, ou 3,2%, para 50,52 dólares o barril. Já o petróleo dos Estados Unidos recuou 2,33 dólares, ou 5%, a 44,76 dólares/barril. Os valores são os mais baixos de fechamento do Brent e do WTI desde dezembro de 2018.

No acumulado da semana, o Brent, valor de referência internacional, perdeu quase 14%, maior declínio percentual semanal desde janeiro de 2016, enquanto o petróleo nos EUA recuou mais de 16%, maior baixa desde dezembro de 2008.

O pânico com o coronavírus também levou os mercados globais de ações e de metais preciosos e industriais ao vermelho, com as perdas somando 5 trilhões de dólares.

"Praticamente todos os ativos fixos estão tentando descontar com precisão o impacto sobre o PIB e a demanda causado pelo coronavírus, que parece que ainda está se disseminando, ao invés de contrair", disse em relatório o presidente da Ritterbusch and Associates, Jim Ritterbusch.

Diesel da Petrobras acumula queda de 18% em 2020; postos não acompanham

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras reduzirá o preço médio do óleo diesel nas refinarias em 5% a partir de sábado, acumulando uma queda de 18% apenas neste ano, com a empresa acompanhando as reduções nas cotações do petróleo em meio a temores de desaceleração na demanda global devido ao avanço do coronavírus.

A gasolina, por sua vez, terá seu valor médio reduzido em 4% nas refinarias a partir de sábado, acumulando recuo de 12% em 2020, segundo a companhia e dados compilados pela Reuters.

"O ajuste está em consonância com a queda de preços no mercado internacional. O coronavírus levou a uma retração muito grande dos preços (de petróleo e combustíveis) nos últimos dias, e isso estava trazendo uma defasagem grande do preço doméstico em relação ao importado", disse o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

Os preços nos postos, no entanto, não têm refletido as quedas na mesma proporção.

RECUO MENOR NAS BOMBAS

Até a última semana, o preço médio do óleo diesel nas bombas havia acumulado queda de cerca de 2% no ano, segundo os últimos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), contra recuo de 13,8% no valor médio da Petrobras nas refinarias --sem considerar a redução de sábado.

Já o valor médio da gasolina nos postos teve uma queda acumulada de 0,5% no ano até a última semana, ante um recuo de 8,6% do combustível vendido pela Petrobras nas refinarias.

Os cortes de preços da petroleira estatal refletem a política que segue o princípio da paridade de importação, que leva em conta preços no mercado internacional mais os custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.

O repasse de ajustes dos combustíveis nas refinarias para o consumidor final nos postos não é imediato e depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.

Petrobras anuncia queda nos preços da gasolina e diesel vendidos nas refinarias

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 28, aos seus clientes que a gasolina vendida em suas refinarias vai ficar 4% mais barata a partir do sábado, 29, e o diesel, 5%. Já o litro do diesel S500 para térmicas e do diesel marítimo foi reduzido em 5,1% e o S10 para térmicas, 5,2%.

"O preço internacional do petróleo está desabando por causa do coronavírus. Os da gasolina e do diesel estão seguindo essa queda. O ajuste está em linha com a paridade internacional", disse o consultor de Óleo e Gás da FCStone, Thadeu Silva.

Ele acrescenta que o setor de distribuição reclama das oscilações dos preços neste mês.

"Teve uma alta do produto ao longo de duas semanas, até a semana passada, e a Petrobras não mexeu no preço, estrangulou o mercado ao longo de duas a três semanas e agora que o preço começou a cair, deu dois dias, reajustou em cima. Então, segurou muito a alta e foi bem rápida no reajuste da queda. A margem de importação ficou bastante prejudicada em fevereiro", afirmou Silva.

 

 

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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