Plantio da soja 26/27 se aproxima com muitas incertezas climáticas e necessidade de alterar estratégias de manejo

Publicado em 03/09/2026 10:27
Sul do Brasil com mais chuva e umidade pode enfrentar aumento da pressão de doenças como a ferrugem, enquanto Centro-Norte com chuvas mais irregulares vai demandar mais atenção à preparação do solo
Gustavo Corsini - Gerente de Marketing Regional da IHARA
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Plantio da soja 26/27 se aproxima com muitas incertezas climáticas e necessidade de alterar estratégias de manejo

O avanço de setembro aproxima o início do plantio da soja 2026/27 em diversas regiões brasileiras, mas a incerteza sobre o comportamento do clima deve exigir estratégias diferentes de manejo entre o Sul e as áreas do Cerrado. Na avaliação de Gustavo Corsini, gerente de Marketing Regional da IHARA, o planejamento será ainda mais importante em uma temporada na qual o regime de chuvas pode trazer desafios distintos para cada região.

Segundo Corsini, a possibilidade de influência do El Niño durante o ciclo coloca os produtores do Sul diante de um cenário potencialmente mais úmido, enquanto áreas do Centro-Oeste e do Centro-Norte podem enfrentar chuvas mais espaçadas e períodos de maior restrição hídrica.

No Sul, a maior disponibilidade de umidade não significa necessariamente uma safra sem problemas. Corsini lembra que anos de maior precipitação já favoreceram a produtividade da soja na região, mas o excesso de chuva também pode prejudicar a implantação das lavouras e dificultar a realização dos tratos fitossanitários.

“Ele não pode pensar que vai conseguir entrar numa janela normal, que ele entraria ali a cada 15 dias, porque ele pode ter 10 dias seguidos de chuva”, afirma.

Nesse ambiente, o executivo chama atenção principalmente para o manejo de doenças. A ferrugem asiática ganha destaque porque depende da presença de umidade para infectar a soja. Segundo Corsini, são necessárias pelo menos oito horas de molhamento foliar para que ocorra a infecção.

Além de favorecer o desenvolvimento da doença, períodos prolongados de chuva podem impedir a entrada das máquinas na lavoura e ampliar os intervalos entre aplicações. Uma janela planejada para 12 ou 14 dias, por exemplo, pode ser prolongada caso ocorram vários dias consecutivos de precipitação.

Chuvas irregulares mudam prioridades no Cerrado

Nas regiões do Cerrado, a preocupação é diferente. Corsini destaca que a possibilidade de chuvas mais espaçadas pode atrasar o início do plantio ou provocar períodos de estiagem depois da emergência da soja.

Nesse cenário, uma das prioridades deve ser favorecer o desenvolvimento do sistema radicular para aumentar a capacidade das plantas de explorar a água disponível no solo. Compactação, presença de alumínio e nematoides estão entre os fatores apontados pelo executivo como capazes de limitar o crescimento das raízes.

“Ele tem que fazer raiz nessa soja. Isso é indiscutível”, destaca.

O manejo inicial das plantas daninhas também ganha importância. Em uma condição de menor disponibilidade hídrica, a competição pela água pode aumentar o estresse sobre a soja justamente durante o estabelecimento da cultura.

Corsini aponta ainda a necessidade de atenção às pragas. Segundo ele, condições de maior temperatura podem acelerar o ciclo de determinados insetos, enquanto ambientes mais secos podem reduzir a atuação de fungos responsáveis pelo controle natural dessas populações. Mosca-branca, percevejos e lagartas aparecem entre os principais pontos de atenção citados para o próximo ciclo.

Apesar das incertezas, Corsini ressalta que as projeções climáticas não devem ser interpretadas como uma definição antecipada do resultado da safra. Para ele, o produtor precisa evitar conclusões extremas e preparar diferentes estratégias para responder às condições efetivamente encontradas ao longo do ciclo.

“Por mais que seja difícil tomar essa decisão, porque existe muito burburinho, que o El Niño aumenta a produção, quebra a produção, é importante que ele tenha a ferramenta na fazenda, porque as janelas de aplicações serão mais curtas e a tomada de decisão tem que ser mais rápida nesse cenário”, afirma.

A recomendação é que o planejamento considere desde a escolha de cultivares adaptadas às condições de cada região e o tratamento de sementes até o manejo do solo, das plantas daninhas, das pragas e das doenças. Para Corsini, mais do que antecipar se a safra será positiva ou negativa, o desafio será estar preparado para adaptar o manejo às condições que efetivamente se apresentarem durante a temporada.

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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