El Niño e aumento de chuvas no Sul elevam alerta para doenças na safra de soja 2026/27

Publicado em 14/09/2026 15:30 e atualizado em 14/09/2026 16:38
Temporada abre com tendência de mais pressão de ferrugem, doenças de solo e problemas fúngicos
Rafael Soares - Pesquisador da Embrapa Soja
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El Niño e aumento de chuvas no Sul elevam alerta para doenças na safra de soja 2026/27

 

A safra de soja 2026/27 começa com um alerta maior para a pressão de doenças diante das perspectivas de ocorrência de um El Niño mais forte e de volumes elevados de chuva, especialmente na região Sul do Brasil. O cenário de maior umidade pode favorecer desde problemas relacionados ao estabelecimento inicial das lavouras até doenças de parte aérea, como a ferrugem asiática.

Segundo Rafael Soares, pesquisador da Embrapa Soja, a instituição já vem chamando a atenção de produtores e técnicos para a possibilidade de aumento dos problemas fitossanitários ao longo da nova temporada.

“Nós estamos alertando bastante sobre a grande possibilidade de termos problemas com doenças nesta safra devido às previsões de um El Niño mais forte, porque a grande maioria das doenças é favorecida pela alta umidade. Então, a tendência é que os problemas possam aparecer com mais intensidade”, explica.

A atenção começa antes mesmo de as plantas emergirem. Soares destaca que o manejo deve ser pensado de forma integrada, passando pelo cumprimento do vazio sanitário, eliminação de plantas voluntárias de soja, tratamento de sementes e escolha de cultivares menos suscetíveis às principais doenças.

Em condições de solo muito úmido, por exemplo, a própria germinação pode ser prejudicada pela menor disponibilidade de oxigênio, deixando as plantas mais vulneráveis a doenças de solo. Entre os problemas que podem ganhar espaço neste início de ciclo estão a podridão radicular de fitóftora e doenças causadas por fungos do gênero Fusarium.

Com o desenvolvimento das plantas e a formação da parte aérea, o monitoramento passa a ganhar ainda mais importância. Segundo o pesquisador, as aplicações de fungicidas devem ser realizadas de acordo com as condições favoráveis às doenças e precisam fazer parte de um conjunto mais amplo de medidas, que também inclui o uso de produtos biológicos e cultivares resistentes.

A ferrugem asiática permanece entre as principais preocupações para a cultura, mas não é a única doença que merece atenção. No Sul, a maior umidade pode favorecer diferentes problemas fúngicos, enquanto doenças que costumam ganhar força em anos mais secos, como o oídio, podem encontrar condições menos favoráveis. No Centro-Oeste, a mancha-alvo continua entre as doenças relevantes e pode demandar controle ao longo da temporada.

Mesmo nas regiões em que o El Niño possa resultar em períodos mais secos, Soares ressalta que o produtor não deve abandonar o monitoramento. Doenças presentes na palhada e nos restos culturais podem aproveitar intervalos curtos de chuva e umidade para se desenvolver, mesmo quando as condições gerais da temporada não sejam as mais favoráveis.

O pesquisador também destaca que, até o momento, ainda não há motivo para alarme em relação à ferrugem. A safra está apenas começando e ainda não foram registradas ocorrências em lavouras comerciais. O Consórcio Antiferrugem já monitora a temporada e registra uma ocorrência em soja voluntária.

“Ainda é bastante cedo, nada de alarme. A safra está começando. O site do Consórcio vai estar disponível durante toda a temporada para o monitoramento da ferrugem”, afirma.

Diante desse cenário, a recomendação da Embrapa é que produtores iniciem a safra com atenção redobrada e adotem as medidas preventivas desde o estabelecimento da lavoura. Mais do que reagir à presença das doenças, o manejo integrado e o acompanhamento constante das condições climáticas serão fundamentais para reduzir riscos ao longo da temporada 2026/27.

Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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