Greening avança menos no Brasil, mas severidade da doença está maior
Greening avança menos no Brasil, mas severidade da doença está maior
O greening registrou em 2026 o menor avanço dos últimos nove anos no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, mas a severidade da doença continua aumentando nos pomares já afetados. Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta terça-feira (13), Renato Bassanezi, pesquisador científico do Fundecitrus, destacou que a incidência passou de 47,6% para 48,1% das laranjeiras, enquanto o agravamento dos sintomas nas plantas doentes continua comprometendo a produtividade e a qualidade das frutas.
Segundo o pesquisador, a desaceleração observada nos últimos três anos está relacionada principalmente à melhoria no controle do psilídeo, inseto transmissor da bactéria causadora do greening. A rotação de inseticidas com diferentes modos de ação, após a identificação de resistência a determinados produtos, contribuiu para reduzir a população do inseto. O plantio de novos pomares em regiões de menor risco e a eliminação de plantas muito afetadas também ajudaram a conter a velocidade de avanço da doença.
Bassanezi ressaltou, entretanto, que a situação varia significativamente entre as regiões produtoras. Enquanto áreas como Limeira e Porto Ferreira apresentam incidência superior a 65%, o Triângulo Mineiro e Votuporanga registram índices inferiores a 4%. Essas diferenças envolvem características climáticas, tamanho e localização das propriedades e estratégias de manejo adotadas pelos citricultores.
Para os próximos meses, a preocupação está relacionada ao aumento das chuvas e das brotações, que favorecem a presença do psilídeo. O pesquisador alertou que a elevada população do inseto observada em agosto pode resultar em novas infecções, com sintomas que deverão aparecer no próximo ano, tornando fundamental manter o rigor no controle e na eliminação de plantas doentes.
Confira a entrevista completa no vídeo.