Embrapa defende fim do plantio da segunda safra de soja. Entenda o porquê

Publicado em 28/10/2015 12:15
Soja Safrinha: Conheça a posição da Embrapa Soja com a entrevista com José Renato Farias - Diretor Geral da instituição, direto de Londrina/PR. A pesquisa se posiciona.

A proibição do cultivo de safrinha de soja no Paraná a partir da temporada 2016/17 tem levantado muitas dúvidas e insatisfações a alguns produtores. A proibição foi estabelecida pela Portaria nº 193 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicada no último dia 07/10/2015.

A Embrapa Soja de Londrina (PR) defende a proibição por considerar ser ela uma importante ferramenta para evitar a proliferação de doenças, e também devido às dificuldades de se descobrir novos principios ativos que possibilitem no lançamento de novos defensivos - principalmente para a ferrugem asiática - no médio e longo prazo.

O diretor geral da Embrapa Soja, José Renato Farias, lembra que as "conseqüências e problemas da continuidade da safrinha vão surgir ao longo do tempo, principalmente de origens fitossanitárias", por isso é importante que ações preventivas sejam tomadas de imediato.

Os principais fungicidas disponíveis hoje no mercado têm apresentado uma perda de eficiência significativa. Produtos que inicialmente possuíam um controle de 80% a 90% da ferrugem asiática, passaram ao percentual de 20% de efetividade.

Outro problema que tem sido trazido conseqüências com a expansão da safrinha de soja é a proliferação de nematóides, que são ainda mais difícil de controlar, pois ocorre de forma lenta e abaixo do solo.

Diante da realidade de ausência de novos produtos no curto espaço de tempo - para combater essas doenças - o manejo do solo (e a utilização dos agroquímicos existentes de forma racional) se torna essencial neste período.

"A presença de soja em um período muito grande do ano faz com que a ferrugem comece a se desenvolver logo nos primeiros plantios e, essas lavouras criam a população de inoculos que viaja para outras regiões e começa a se multiplicar. A aplicação de maior quantidade de fungicidas estão tornando os fungos remanescentes cada vez mais resistentes e, no final do ciclo, apenas essa população sobrevive e serão responsáveis para causar danso ainda maiores na próxima safra", explica Farias.

O diretor considera que uma gestão sustentável da produção, garantindo o melhor potencial produtivo da lavoura no maior espaço de tempo, através da preparação do solo, seria a melhor alternativa. Acompanhem a entrevista exclusiva concedida ao jornalista João Batista Olivi.

Conheça ainda a posição da Aprosoja PR sobre a safrinha com a entrevista de José Eduardo Sismeiro - Presidente da associação:

>> Aprosoja PR se posiciona a favor da proibição da safrinha de soja, mas lamenta não ter participado da discussão

Por: e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja sente tombo de Chicago nos portos, mas dólar e demanda chinesa amortecem pressão no Brasil
Soja 26/27: chuva aperta janela no RS e exige precisão no plantio; especialista aponta estratégias para proteger produtividade
Soja despenca mais de 15 pontos em Chicago com pressão dos derivados; dólar limita impacto no Brasil
StoneX vê safra de soja 26/27 do Brasil em 183,36 mi t e menor exportação de milho em 25/26
Entrada da nova safra americana no mercado traz pressão sazonal sobre a soja de Chicago, mas clima do BR permanece no radar
Soja recua em Chicago nesta 5ª feira com China ainda limitando demanda dos EUA