Clima mais seco contribui para o ataque das lagartas nas lavouras de soja em Cruz Alta (RS)

Publicado em 08/12/2016 09:47 e atualizado em 08/12/2016 14:28
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Chuvas continuam irregulares na localidade. Saca de soja foi negociada antecipadamente entre R$ 80,00 e R$ 81,00 a saca. No milho, plantas das áreas de sequeiro já registram perdas devido ao clima adverso. No trigo, preços baixos e dificuldade na comercialização podem resultar em nova queda na área plantada na próxima safra de inverno.
Confira a entrevista de Adão Fernando Portinho Carpes - Presidente do Sindicato Rural de Cruz Alta -RS

O clima mais seco tem contribuído para o aparecimento das lagartas nas lavouras de soja na região de Cruz Alta (RS). Diante do ataque severo nas plantações, os produtores tentam fazer o controle da helicoverpa, falsa medideira e da spodoptera. Além dos danos nas plantas, a preocupação também está relacionada ao aumento nos custos de produção desta temporada.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural do município, Adão Fernando Portinho Carpes, em anos mais secos o ataque das pragas é mais agressivo. “Estamos preocupados especialmente com os custos de produção, pois só podemos utilizar determinados produtos quando o estado de emergência é decretado”, destaca.

Embora a presença das pragas preocupem os produtores, a perspectiva ainda é de uma safra favorável na localidade. A má distribuição das chuvas ainda não tem afetado o desenvolvimento das lavouras. Com isso, a expectativa é que a produtividade média das plantações seja mantida ao redor de 3.600 mil quilos do grão por hectare.

No caso da comercialização, a liderança sindical ainda reforça que, os produtores estão mais cautelosos, em função da incerteza climática. A saca do grão disponível é cotada a R$ 79,00, já o valor de balcão está próximo de R$ 73,50 a saca.

“Tivemos alguns poucos negócios com a soja a R$ 80,00 até R$ 81,00 a saca. Os agricultores não querem arriscar e depois se acontecer algum imprevisto negociar multas com as empresas. Precisamos acompanhar o clima no mês de março, quando as lavouras estarão em fase de enchimento de grãos”, afirma Carpes.

Milho

No milho, as lavouras de sequeiro já têm sofrido com as chuvas irregulares. Com isso, a perspectiva é de queda no rendimento das plantas. Contudo, os prejuízos ainda não podem ser contabilizados. Em contrapartida, as lavouras irrigadas apresentam boas condições, com projeção favorável para essa safra.

“Enquanto isso, os preços do milho recuaram na região, de R$ 50,00 a saca para R$ 40,00 a saca no disponível. O valor de balcão é de R$ 35,00 a saca. Tivemos esse recuo em decorrência da entrada de trigo no mercado de ração. O milho produzido na nossa região é todo destinado à fabricação de ração. Ainda assim, esperamos uma manutenção das cotações nos atuais patamares”, sinaliza o presidente do sindicato.

Trigo

Em meio ao clima frio e seco, os produtores conseguiram uma boa produção de trigo em 2016 em Cruz Alta. Alguns produtores colheram até 80 sacas do cereal por hectare, com pH 78. Porém, a grande preocupação nesse momento é com a comercialização. Os preços caíram e, atualmente, a saca é cotada a R$ 30,00 no disponível e R$ 28,00 a saca no balcão.

“Não conseguiremos fechar as contas. E, os leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) e Pep (Prêmio para Escoamento do Produto), apenas darão um fôlego no curto prazo. Não temos uma política agrícola para o trigo e a soja não paga mais a conta da safra de inverno”, explica Carpes.

O presidente ainda diz que, os moinhos têm se abastecido com produto dos EUA, Argentina e Uruguai. Como consequência desse quadro, a expectativa é que haja novamente uma redução na área plantada com o trigo na próxima safra de inverno. 

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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