Soja: Na CBOT, mercado tem dia de estabilidade, mas demanda ainda dá suporte aos preços

Publicado em 20/03/2017 17:45 e atualizado em 20/03/2017 19:41
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Foco ainda continua na grande safra na América do Sul. Clima e safra americana deverão estar no radar dos investidores a partir de abril. Com estabilidade de Chicago e queda no dólar, preços recuam nos portos. Operação Carne Fraca pode afetar demanda por grãos do setor de ração.
Confira a entrevista de Vlamir Brandalizze - Analista de Mercado

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Com o mercado da soja encerrando estável na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta segunda-feira (20), este pregão se mostrou, em maior parte do tempo, "bastante técnico", como avalia o analista de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

Os embarques da soja americana são positivos, se aproximando da projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de embarcar 55,1 milhões de toneladas. Por outro lado, Chicago também mantém o foco na América do Sul, com possíveis aumentos de safra no Brasil e na Argentina e uma estimativa recorde de 10 milhões de toneladas para o Paraguai, o que aumentará a oferta no mercado.

 

Nos próximos 40 dias, estes são os fatores que devem pesar no mercado. Após isso, entrará em jogo a nova safra norte-americana e as especulações do mercado climático.

Brandalizze acredita que a demanda será suficiente para absorver essa oferta que entra no mercado, já que novos mercados são abertos a cada dia e a demanda do setor mundial de proteína mundial é cada vez maior. Houve um crescimento de 18 milhões de toneladas para a demanda e a tendência é que o crescimento continue.

No mercado interno, a semana da soja "ainda não começou". A queda do dólar derrubou as cotações dos portos em quase R$1 e Chicago não estimulou os negócios. Os portos indicaram seu melhor momento em R$70 e, ao final do dia, R$69,50, mas os vendedores querem entrar vendendo de R$71 em diante.

Milho

O milho, por sua vez, enfrenta uma situação diferente da soja. A safra de verão deverá ser próxima dos 30 milhões de toneladas, mas o número de contratos realizados, até então, é baixo. 163 mil toneladas foram embarcadas até então em março, contra 2,24 milhões de toneladas no mesmo mês em 2016.

A demanda interna deve enfraquecer com os efeitos da operação Carne Fraca, o que irá afetar a demanda das proteínas por parte do impacto psicológico causado no consumidor. De acordo com relatos de varejistas, as vendas do último final de semana para carnes e embutidos caíram de 15% a 30%.

Brandalizze aponta que uma mudança no estilo de comercialização, como a opção de operar no mercado futuro, é uma dica para os produtores obterem melhor rentabilidade neste mercado na hora da venda.

 

 

Por: Fernanda Custódio e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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