Vendas americanas de soja perdem espaço para produto brasileiro e geram expectativas de estoques maiores nos EUA
Nesta quinta-feira (30), a soja teve um dia negativo na Bolsa de Chicago (CBOT), com os primeiros vencimentos se distanciando dos patamares de US$10/bushel.
O consultor de grãos Glauco Monte, da INTL FCStone, destaca que o mercado vinha se sustentando nas condições climáticas da América do Sul. Agora, com as chuvas ocorridas e previstas para o Brasil e a Argentina, essa pressão vem saindo do mercado neste momento.
O Brasil também se manteve competitivo nas exportações de soja frente aos Estados Unidos, mesmo em um período no qual não é comum que haja vendas de soja brasileira. Com isso, as cotações de Chicago também ficam mais fragilizadas, embora este movimento seja positivo para o comprador final.
A demanda, por sua vez, segue forte. As projeções de importações por parte da China são maiores do que nos últimos ciclos, frente a uma grande oferta mundial.
Contudo, o jogo ainda não está ganho: a possível confirmação de um La Niña pode trazer novas preocupações para os rendimentos tanto no Brasil quanto na Argentina.
Monte aconselha os produtores a ficarem de olho no final do ano para comercializar a soja disponível, principalmente com as volatilidades no câmbio e a possibilidade de uma CBOT estável. Para a safra nova, ainda há um tempo maior pela frente, no qual o produtor terá de ter maior atenção para as condições e as margens.