Governo americano confirma que acordo entre China e EUA está mais difícil e mercado da soja tem queda de quase 20 pontos

Publicado em 26/11/2018 18:05 e atualizado em 27/11/2018 03:15
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A incerteza de um acordo impactando o comércio internacional, a queda forte do petróleo (na sexta-feira - 24) pressionando preços do óleo de soja e a alta do dólar estão entre os fatores que ajudaram a reduzir cotações da soja em Chicago
Carlos Cogo - Analista da Consultoria Agroeconômica

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Entrevista com Carlos Cogo - Analista da Consultoria Agroeconômica sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Nesta segunda-feira (26), a Bolsa de Chicago (CBOT) teve quedas de dois dígitos para os principais vencimentos da soja.

Carlos Cogo, analista de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, destaca que o centro das atenções é o mesmo: o passo atrás que há na tentativa de acordo entre a China e os Estados Unidos. A sinalização dada pelo Governo norte-americano é que esse acordo está longe de acontecer, o que acabou sendo motivo para uma pressão baixista. Os Estados Unidos devem continuar tendo dificuldade de vender sua oleaginosa para os asiáticos.

Algumas consultorias avaliam que, mesmo que haja um acordo, o comércio não seria retomado imediatamente e nem com os mesmos patamares de antes.

Por sua vez, o real teve uma forte valorização ligado à queda do preço do petróleo, o que afetou outras moedas emergentes ao longo do dia.

Se a briga entre Estados Unidos e China continuar, os prêmios do Brasil têm tudo para voltar a subir. Por sua vez, a Argentina deve ter uma safra normal e uma capacidade maior de exportar grãos em 2019.

Cautela no exterior leva dólar a subir 2,6%, maior alta diária em um ano e meio

A Bolsa virou para o terreno negativo de tarde e fechou em queda de 0,79%, perdendo o patamar de 86 mil pontos (no ESTADÃO)

dólar fechou a segunda-feira, 26, com a maior alta registrada num mesmo pregão em mais de um ano e meio. A moeda americana terminou cotada a R$ 3,9227, subindo 2,58% em relação ao fechamento anterior, maior valorização diária registrada desde 18 de maio de 2017. O dólar subiu mais de 8% naquele dia, batizado de "Joesley Day", devido à delação de Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer.

A  cotação desta segunda-feira é a mais alta da divisa em quase dois meses – em 2 de outubro, ela acabou negociada a R$ 3,9304.

Já o Ibovespa, principal índice de ações do País, foi contaminado pela alta do dólar e acabou a sessão aos 85.546,51 pontos, em baixa 0,79%.

Os ativos dos países emergentes sofrem neste início de semana com uma aversão global ao risco, diante da percepção de desaceleração mundial nos próximos anos, que deu força à moeda americana. Aqui, no entanto, a alta é mais forte, segundo operadores, com bancos se posicionando comprados já se antecipando aos movimentos, comuns em dezembro, de remessa de dividendos de multinacionais ao exterior e retorno de fundos a seus países de origem.

A pressão de alta do dólar ante o real vem de um conjunto de fatores, entre eles as perspectivas sobre os preços das commodities. Apesar de recuperar valor nesta segunda-feira, 26, o petróleo deve continuar caindo, na avaliação do economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito.

Ele entende que o otimismo do investidor local com o governo de transição de Jair Bolsonaro (PSL) não é compartilhado pelo estrangeiro, que continua saindo do mercado brasileiro. A forte depreciação do minério de ferro no mercado à vista chinês hoje, que afeta diretamente as mineradoras globalmente, também prejudica os termos de troca de exportadores como o Brasil, na avaliação do economista-chefe da Guide Investimentos, João Maurício Rosal.

Em coletiva de imprensa nesta manhã, o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, relatou que o aumento da participação de estrangeiros em outubro no estoque de títulos públicos brasileiros aconteceu em meio à melhora do cenário de risco da dívida.

"O fluxo de saída de não-residentes vinha se reduzindo nos últimos meses e agora tivemos um fluxo positivo em outubro de cerca de R$ 9,9 bilhões", detalhou. "À medida que a percepção de risco no mercado doméstico diminui a tendência é haver um fluxo maior de entrada de estrangeiros", completou.

Trump diz que acordo do Brexit pode dificultar comércio dos EUA com Reino Unido

 

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WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que o acordo permitindo que o Reino Unido deixe a União Europeia pode tornar o comércio entre Washington e Londres mais difícil.

Ele também disse a repórteres do lado de fora da Casa Branca que parecia que o acordo seria bom para a União Europeia, mas demonstrou preocupação sobre em que ponto o acordo deixaria o comércio entre EUA e Reino Unido.

"Eu acho que nós temos que olhar seriamente se o Reino Unido está ou não autorizado a fazer comércio. Porque agora mesmo se você olhar para o acordo, eles podem não ser capazes de fazer comércio conosco", disse ele. "E isso não seria uma coisa boa. Eu não acho que era isso que eles queriam dizer."

Trump afirmou que espera que a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, consiga resolver o problema, mas ele não especificou com que parte do acordo se preocupava.

Sob o acordo fechado com líderes da UE na véspera, o Reino Unido vai deixar o bloco em março mantendo ligações comerciais próximas. Mas parece haver poucas chances de May conseguir a aprovação do acordo pelo Parlamento britânico, que está dividido sobre o assunto.

(Por Jeff Mason)

O tamanho da encrenca (EDITORIAL DO ESTADÃO)

A próxima administração federal terá de cortar despesas de maneira profunda e persistente como poucas vezes se viu

A confiança com que os investidores, como a maior parte dos brasileiros, aguardam a posse do novo governo contribui para a construção de um ambiente positivo que tende a impulsionar a atividade econômica, ainda em lenta recuperação, e, assim, a assegurar maiores receitas para o setor público. A preservação desse clima ao longo do próximo ano está condicionada à firmeza e à competência com que a equipe do futuro presidente Jair Bolsonaro enfrentar os graves problemas fiscais que já tolhem ações do governo atual e, se mantidos, podem comprometer as do próximo. Mesmo, porém, que a economia cresça e medidas essenciais, como a reforma da Previdência, sejam decididas ou encaminhadas de maneira adequada, a próxima administração federal terá de cortar despesas de maneira profunda e persistente como poucas vezes se viu. Só assim conseguirá respeitar os limites estabelecidos por lei. Para cumprir o teto de gastos, que não podem crescer em ritmo maior do que o da inflação, serão necessários cortes de R$ 37,2 bilhões por ano, durante os quatro anos do mandato do presidente eleito, como mostrou o Estado.

Em quatro anos, por isso, será necessário cortar R$ 148,8 bilhões das despesas primárias, das quais estão excluídos os pagamentos de juros da dívida pública. É esse o tamanho da encrenca imediata na área fiscal. Mas mesmo com os cortes não estarão asseguradas as condições para que, ao final do mandato do próximo presidente, as contas públicas comecem a registrar saldo primário positivo. Só em 2023, já no governo seguinte, as contas do governo federal poderão registrar superávit primário, indispensável para que se comece a reduzir o tamanho da dívida pública, cujos montante e evolução são fonte de desconfianças no mercado financeiro. Essa é a projeção da Instituição Fiscal Independente, órgão técnico do Senado. Se as coisas não forem feitas como devem ser, a situação ficará muito pior.

Como informou o Estado, esses números já estão sendo discutidos pela equipe econômica do governo Temer com representantes do futuro governo Bolsonaro. Uma das medidas em exame pela equipe do próximo presidente é a redução das gastos com subsídios, que terá impacto imediato nas contas do governo; outra é a aprovação da reforma previdenciária no próximo ano, com efeitos sobre as contas públicas nos três anos seguintes.

Estuda-se também a contenção dos reajustes dos vencimentos dos servidores. Hoje, os aumentos são feitos de maneira automática, com base na inflação e no crescimento do PIB de dois anos antes. Uma das ideias é a correção apenas pela inflação do ano anterior.

Um dos problemas mais complexos da gestão orçamentária, a vinculação de receitas - isto é, a obrigatoriedade de aplicação de determinadas receitas em áreas predeterminadas -, também está no foco das atenções da equipe do próximo governo. A vinculação, bem como o comprometido da maior parte das receitas na cobertura de despesas consideradas obrigatórias, como folha de pessoal e benefícios previdenciários, reduz drasticamente a parcela dos recursos orçamentários cujo destino o governo pode decidir de acordo com seu programa de ação.

Medidas desse tipo, e outras que podem ser implementadas, tornarão menos complicado o cumprimento das metas fiscais para este ano (déficit primário de R$ 159 bilhões) e de 2019 (déficit de R$ 139 bilhões). Para este ano, já se prevê que o déficit primário ficará R$ 20 bilhões abaixo do limite. Mas o resultado poderá ser ainda melhor, pois os Ministérios não estão conseguindo realizar os gastos já liberados. Também não há, até o momento, sinais de que a meta de 2019 não possa ser cumprida.

Mesmo que tudo isso se confirme, continuará o problema do cumprimento do teto de gastos. Parte expressiva das despesas continua a crescer a um ritmo superior ao da inflação, o que pode ser compensado pelo aumento correspondente das receitas, caso a economia cresça a uma velocidade apreciável. Isso facilita o cumprimento da meta fiscal. Mas o teto pode estar ameaçado.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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