Soja dispara em Chicago com inundações e tempestades nos EUA e preços sobem no Brasil
Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago terminaram o pregão desta segunda-feira com altas de mais de 20 pontos e retomando o patamar de US$ 12 por bushel nos contratos mais negociados. O movimento foi sustentado principalmente pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos, diante das chuvas intensas e de episódios de tempestades e inundações em importantes áreas do Corn Belt, além da força dos derivados da oleaginosa, da valorização do petróleo e do início do Pro Farmer Crop Tour 2026.
A alta ocorre em um momento em que o mercado passa a dar maior peso às condições climáticas para a reta final do desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Relatos apontam para fortes chuvas e inundações em partes de Iowa, Illinois, Indiana e Ohio durante o fim de semana, justamente quando soja e milho avançam para fases importantes de definição de produtividade.
Além do excesso de umidade em algumas regiões, o mercado também acompanha áreas que passaram por períodos de menor precipitação. Essa combinação aumenta a incerteza sobre o potencial produtivo da safra e pode se refletir nas próximas avaliações de condições das lavouras.
DERIVADOS E PETRÓLEO DÃO SUPORTE
Outro importante vetor de alta nesta segunda-feira foi o desempenho do complexo. Tanto o óleo quanto o farelo registravam ganhos superiores a 1% durante o pregão, fortalecendo as cotações do grão. O óleo, em especial, fechou o dia intensificando seus ganhos, concluindo o dia com quase 3% de avanço.
O petróleo também voltou a subir e contribui para o ambiente positivo entre as commodities. O mercado segue reagindo ao estreito de Ormuz fechado em decorrência de um falta de acordo entre Irã e Estados Unidos.
PRO FARMER CROP TOUR ENTRA NO RADAR
As atenções do mercado estão ainda voltadas para o Pro Farmer Crop Tour 2026, que começou nesta segunda-feira e será realizado até quinta-feira (20). O tradicional levantamento percorre importantes regiões produtoras dos Estados Unidos e apresenta estimativas próprias de produtividade para soja e milho.
O tour ganhou ainda mais relevância diante das dúvidas provocadas pelo clima. Nas primeiras paradas em Dakota do Sul, os números já apontaram sinais de atenção: a contagem de vagens da soja ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado em alguns dos pontos avaliados.
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Na Dakota do Sul, as primeiras cinco paradas da rota leste apresentaram média de 1.141 vagens por aproximadamente um metro quadrado, 13% abaixo do resultado observado há um ano. Nas paradas seguintes, a média foi de 1.087 vagens, contra 1.358 no ano passado.
O mercado tradicionalmente acompanha os números do Pro Farmer com atenção porque as estimativas do tour podem divergir das projeções do USDA e provocar ajustes importantes nos preços em Chicago.
Assim, a combinação entre clima adverso, avanço dos derivados, petróleo em alta e as primeiras informações do Pro Farmer Crop Tour cria um ambiente de forte sustentação para a soja nesta segunda-feira. O comportamento das chuvas e os próximos resultados do levantamento serão determinantes para definir se o movimento de alta terá continuidade ao longo da semana.