Soja 26/27 acumula 10% de alta em 30 dias no MT e produtor avança com a comercialização

Publicado em 08/09/2026 17:15 e atualizado em 08/09/2026 17:52
Preços no estado chegaram a testar níveis abaixo dos R$ 100/saca no início da precificação da nova temporada e, assim, atuais preços são quase "impossíveis" de não serem aproveitados.
Mário Mariano Moraes Júnior - Diretor Comercial Agrosoya/Novo Rumo Commodities

​O mercado futuro da soja encerrou em campo positivo na Bolsa de Chicago a sessão desta terça-feira (8), sustentado pela forte atuação dos fundos de investimentos e por apreensões crescentes com o clima nos EUA para a conclusão da safra americana. Além disso, o mercado está atento ainda à demanda, principalmente da China, nos EUA e também aguardando pelo novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz no final desta semana. 

Assim, com patamares mais elevados na CBOT - que chegaram a testar até US$ 13,45 em Chicago no contrato maio/27  nesta terça - os preços no mercado brasileiro também registram bom avanço. 

Nos últimos 30 dias, o preço da saca da safra nova em praças mato-grossenses, como Campo Novo do Parecis e Sorriso, saltou de R$ 120,50 para patamares entre R$ 133,00 e R$ 134,00, registrando uma alta de aproximadamente 10%, segundo dados apresentados por Mario Mariano, diretor da Novo Rumo e da Agrosoya, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

A valorização também foi expressiva para o grão disponível. Em Rondonópolis (MT), a saca subiu de R$ 136,00 no início de agosto para R$ 146,00 no início de setembro, acumulando ganho de 7,2%. No interior do estado, os preços pularam de R$ 126,00 para R$ 144,00, impulsionados pela redução no custo dos fretes e pela disputa acirrada entre indústrias e exportadores por lotes do produto.

"O crescimento desses preços se deu por conta do 'follow the money'. Os fundos entraram com uma agressiva vontade de comprar soja e grãos, o que abalou bastante o mercado de preços em Chicago", explicou Mariano.

Além da pressão dos fundos, as preocupações climáticas tanto na América do Norte quanto no Brasil desempenham papel central na formação de preços. Com o encerramento do vazio sanitário, os produtores brasileiros enfrentam a falta de umidade adequada e o atraso no retorno regular das chuvas, o que gera incerteza sobre o ritmo inicial do plantio da safra 2026/27 e limita o otimismo em relação a safras recordes superiores a 180 milhões de toneladas.

DEMANDA CHINESA

No cenário internacional, a China garantiu um forte ritmo de compras antecipadas, acumulando entre 11 e 15 milhões de toneladas para atendimento em setembro. Contudo, o apetite comprador no curto prazo dependerá dos desdobramentos diplomáticos e tarifários na reunião prevista entre os líderes da China e dos Estados Unidos.

Internamente, a decisão de venda do produtor brasileiro envolve um cálculo cauteloso. Apesar da leve queda nos custos de fertilizantes e defensivos, pairam dúvidas sobre o custo do frete no pico da colheita e o impacto das futuras regras tributárias federais e estaduais. Mário Mariano observa que esse conjunto de incertezas faz o produtor cadenciar as negociações: "Diante do problema climático, das incertezas das tarifas do novo imposto e com estoques baixos, os preços e prêmios subiram. O produtor está numa posição de vantagem para decidir se venderá mais o disponível ou a safra nova", ponderou.

Com os estoques de passagem do Brasil em níveis reduzidos — estimados abaixo de 4 milhões de toneladas —, a tendência é de manutenção do suporte de preços para o mercado físico até a consolidação da próxima colheita. Para o produtor rural, especialistas recomendam aproveitar as janelas favoráveis de preços e garantir margens de lucratividade para as entregas de fevereiro e março, evitando deixar toda a comercialização exposta ao estresse do início de colheita em janeiro.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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