Mercado da soja encerra semana sob pressão sazonal em Chicago e cautela com eleições e câmbio no Brasil
Soja fecha semana pressionada em Chicago, mas com apoio importante do dólar no mercado brasileiro
O mercado da soja encerrou a semana enfrentando pressões nas cotações internacionais em Chicago, influenciado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, incertezas na demanda e a expectativa em torno do início dos trabalhos de campo no Brasil. Ao mesmo tempo, o produtor brasileiro opera em compasso de espera frente à volatilidade cambial e ao cenário político doméstico e internacional.
Durante a semana, os primeiros vencimentos da oleaginosa na Bolsa de Chicago registraram perdas consecutivas, rompendo patamares importantes. De acordo com Victor Cazzo, consultor de mercado da Venda na Hora Certa, essa movimentação reflete a sazonalidade característica do período de entrada da safra norte-americana aliada à carência de fatos novos expressivos para sustentar altas.
"Historicamente, Chicago acaba tendo essa pressão de sazonalidade de queda por oferta, por colheita. Além disso, precisamos de fatos novos efetivamente para a soja se manter ou continuar subindo, como compras mais aceleradas da China ou atrasos mais severos de plantio", explicou Cazzo.
Em relação ao início do plantio no Brasil, o consultor destacou que, apesar de relatos de atraso pontual em algumas áreas devido à distribuição irregular das chuvas, a capacidade operacional do maquinário no campo permite uma rápida recuperação assim que o clima se normalizar.
Um dos amortecedores das cotações em reais tem sido o comportamento do dólar e os prêmios nos portos. Diante do período eleitoral no Brasil, Cazzo ressaltou que a moeda norte-americana tende a responder não apenas ao resultado para o Executivo, mas fortemente à composição do Congresso e do Senado, além do cenário macroeconômico global.
"O mercado muitas vezes olha muito para a eleição presidencial, mas o que impacta de fato a governabilidade e as reformas é a composição do Senado e da Câmara, somada ao cenário externo global. O Brasil tem se beneficiado em parte por estar em uma posição comparativamente mais estável que outros países emergentes", pontuou o analista.
Diante da lateralização dos preços e das oscilações de curto prazo, o consultor reforçou que a postura mais indicada para o produtor rural é a prudência, aliada ao uso consciente de ferramentas financeiras e contratuais.
Cazzo enfatizou que estratégias combinadas, como fixações parciais, operações de trava cambial e contratos futuros, ajudam a proteger a rentabilidade e manter o fluxo de caixa sem a necessidade de apostar em movimentos extremos de mercado: "Casar as duas coisas, físico e proteção financeira, é muito importante. Vale a pena traçar uma estratégia de comercialização diversificada".
No encerramento das negociações, o contrato de novembro da soja na CBOT fechou cotado a US$ 12,78 por bushel, enquanto janeiro encerrou a US$ 12,94 e março a US$ 13,04 por bushel. O milho em Chicago também registrou perdas, com o contrato de dezembro a US$ 4,97 por bushel. Na B3, o milho fechou com o vencimento novembro a R$ 71,67 por saca e janeiro a R$ 76,35 por saca.
Para as próximas semanas, as atenções do setor continuam voltadas para o desenvolvimento do clima na América do Sul, os relatórios de oferta e demanda do USDA e o desdobramento do quadro político e econômico no Brasil.
* Com auxílio de IA