Semana começa com soja e trigo com altas de mais de 2 dígitos em Chicago; milho também sobe
Semana começa com soja e trigo com altas de mais de 2 dígitos em Chicago; milho também sobe
Os mercados agrícolas iniciaram a semana em alta na Bolsa de Chicago, com soja e milho acompanhando a valorização do trigo diante da continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia e das dificuldades para o escoamento de grãos pelo Leste Europeu.
Segundo Eduardo Vanin, analista da Agrinvest, os embarques russos de trigo entre julho e setembro somaram cerca de 6 milhões de toneladas, ante aproximadamente 11 milhões no mesmo período do ano passado. Na Ucrânia, a capacidade de embarque também segue limitada. Apesar da ampla disponibilidade física de trigo na região, as dificuldades logísticas restringem sua chegada ao mercado internacional e oferecem sustentação às cotações.
Para soja e milho, as atenções também se voltam ao novo relatório de oferta e demanda do USDA. Vanin não espera grandes alterações na produtividade norte-americana, mas destaca que o milho já carregará estoques iniciais maiores após a surpresa negativa do relatório divulgado na semana passada. Na soja, o atraso da colheita dos Estados Unidos também levanta dúvidas sobre a qualidade dos grãos em algumas regiões.
No Brasil, o câmbio passa a ser outro fator importante para a formação dos preços após o primeiro turno das eleições. A expectativa de valorização do real pode reduzir a competitividade das commodities brasileiras, com atenção especial para a soja da nova safra, mais diretamente ligada à paridade de exportação.
Para o milho, Vanin aponta um cenário mais desafiador. A grande oferta argentina e o forte programa de exportações do país vêm aumentando a concorrência com o cereal brasileiro, enquanto os embarques do Brasil seguem abaixo do ritmo registrado em 2025. O analista avalia que o país precisará de um desempenho forte entre novembro e janeiro para alcançar uma exportação próxima de 38 milhões de toneladas.
Além do volume exportado, o analista chama atenção para a redução da liquidez em importantes corredores de comercialização. Em regiões nas quais exportadores estão menos presentes, produtores encontram menos compradores justamente em um momento de necessidade de caixa. Já em partes de Mato Grosso, a combinação entre demanda das usinas de etanol e presença dos exportadores ajuda a manter o mercado mais firme.