Mercado brasileiro da soja tem semana de preços pressionados, poucos negócios e foco no plantio
Mercado brasileiro da soja tem semana de preços pressionados, poucos negócios e foco no plantio
O mercado de grãos encerrou as negociações em campo negativo nas bolsas internacionais nesta quinta-feira, refletindo ajustes técnicos antes da divulgação do novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). No Brasil, o movimento de retração em Chicago somado à queda recente do dólar pressionou a paridade de exportação, levando o produtor a desacelerar o ritmo de comercialização e concentrar esforços nos trabalhos de campo da safra 2022/23.
As atenções dos operadores globais estão voltadas para o relatório de outubro do USDA, documento tradicionalmente aguardado por trazer reflexos do avanço da colheita norte-americana. De acordo com a avaliação de Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, o mercado se antecipou ao boletim com correções nos preços, mas os números podem trazer surpresas pontuais, especialmente no milho.
"Acredito que esse relatório vai trazer surpresas, principalmente no milho, mas na soja vejo espaço sim para alguma surpresa positiva também, com estoques devendo permanecer mais apertados", destacou Palavro. No milho, cortes na produtividade e na demanda interna dos EUA têm equilibrado o balanço, enquanto na soja a perspectiva aponta para um quadro neutro a positivo para as cotações, sustentado pelo aperto contínuo nos estoques de passagem americanos.
No cenário doméstico, a volatilidade da moeda norte-americana e sua recente desvalorização frente ao real tiveram impacto direto na formação dos preços em reais por saca. Segundo a consultoria, cada oscilação de 10 centavos no câmbio representa uma variação de R$ 2,40 a R$ 2,60 por saca nas cotações portuárias.
Com quedas que chegaram a retirar entre R$ 5,00 e R$ 6,00 da saca em relação aos picos recentes, os agricultores optaram por paralisar a comercialização tanto da safra disponível quanto das vendas futuras. "O comportamento maior do produtor foi pisar no freio com tudo, já que a movimentação foi muito agressiva, muita gente focada no trabalho de campo mesmo e, com o dólar em baixa e preços menores, poucos negócios aconteceram nesta semana", afirmou o analista.
Com o mercado travado, as decisões do setor agrícola nacional estão direcionadas para o início da semeadura. O plantio de soja começou em ritmo adiantado na comparação histórica, mas já apresenta divergências regionais importantes provocadas pelo regime de chuvas.
No Sul do país e em áreas de São Paulo, o excesso de precipitações tem atrasado a colheita do trigo e prejudicado a semeadura de verão. No Centro-Oeste, o sudoeste goiano e o Mato Grosso do Sul registram evolução acelerada, com fazendas atingindo entre 60% e 70% da área prevista. Já em Mato Grosso, o padrão irregular de chuvas gerou os primeiros relatos pontuais de replantio em talhões semeados muito precocemente. Modelos meteorológicos de médio e longo prazo continuam indicando riscos climáticos para o final do ano, com previsões de chuvas acima da média no Sul e períodos mais secos entre o Centro e o Norte do país sob a influência do La Niña.
Pressão e oferta confortável no milho interno
No mercado de milho, a bolsa brasileira B3 também registrou desvalorização, acompanhando Chicago e a postura retraída dos compradores locais. O quadro de abastecimento doméstico permanece confortável neste momento, auxiliado por um ritmo de exportação mais lento do que o verificado no ano anterior e pelo descarregamento de volumes por tradings e cooperativas no mercado interno.
A expectativa é que o ritmo de quedas nas cotações de milho esteja próximo de uma estabilização, embora a recuperação dependa do escoamento dos excedentes e da consolidação das condições da nova safra de verão.
* Com auxílio de IA