Apesar de pressão agressiva do USDA, soja retoma fôlego e fecha em alta na Bolsa de Chicago nesta 6ª
A divulgação do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) movimentou intensamente os mercados agrícolas nesta sexta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT). Enquanto a soja conseguiu se recuperar ao longo da sessão e fechar em campo positivo, o milho sofreu fortes pressões baixistas, surpreendendo operadores ao apresentar produtividade acima do esperado pelo mercado.
O grande destaque do relatório do USDA foi o milho. Contrariando a expectativa geral de uma correção negativa na produtividade norte-americana, os dados oficiais apontaram rendimentos elevados, provocando quedas expressivas nas cotações em Chicago, que chegaram a registrar recuos de 30 a 35 centavos de dólar por bushel.
De acordo com Ginaldo de Sousa, diretor-geral do Grupo Laboro, o mercado já esperava estabilidade ou leve ajuste para a soja, mas a postura do USDA em relação ao milho causou forte impacto: "A grande surpresa hoje foi o milho. O USDA aumentou a produtividade do milho, surpreendendo o mercado que achava que cairia em termos de produtividade", destacou o analista durante entrevista.
Soja mostra resiliência e fundos ampliam posições
Embora tenha sentido a pressão inicial vinda do milho e do trigo, o mercado da soja conseguiu recuperar o fôlego e encerrou as negociações em alta na Bolsa de Chicago, sustentado por ajustes de safra e pelo posicionamento dos agentes financeiros. Dados recentes revelam que os fundos de investimento ampliaram suas posições compradas no complexo da soja e reduziram drasticamente sua exposição no milho.
"Os fundos aumentaram em 10.496 contratos de soja [...] no milho, eles reduziram 60.000 contratos. Os fundos compraram mais soja, estão apostando na alta da soja", explicou Ginaldo. Segundo ele, com a soja em Chicago operando acima de US$ 13,00 por bushel e prêmios positivos nos portos, os preços nominais continuam em patamares atrativos, embora os custos de produção elevados reduzam a margem do produtor e do esmagador.
Para os próximos meses, o analista aponta que o comportamento climático na América do Sul será o verdadeiro direcionador das cotações internacionais. O aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial e a consolidação do fenômeno El Niño aumentam as incertezas para as lavouras do Brasil e da Argentina.
"Eu estou sinceramente muito mais preocupado com o clima da América do Sul do que com a demanda e com a oferta nesse exato momento", pontuou o diretor do Grupo Laboro. Ele reforça que a evolução dos índices climáticos a partir de dezembro e janeiro poderá redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Em relação às declarações políticas dos EUA sobre o aumento de compras de soja pela China, Sousa ponderou que as decisões do gigante asiático seguem critérios sazonais e de oportunidade, dividindo aquisições entre a safra norte-americana até dezembro e o fornecimento sul-americano a partir de janeiro, sem previsão de compras extras substanciais além do já projetado.
No cenário doméstico, a volatilidade da moeda norte-americana frente ao real — influenciada pelo ambiente político eleitoral e pela conjuntura econômica externa — adiciona incerteza à formação de preços. O milho na B3 também registrou perdas superiores a 1%, refletindo o cenário externo e a relação de troca menos favorável na comparação com a oleaginosa.
A recomendação para os produtores rurais é manter a cautela, escalonar as vendas para construir um preço médio seguro e gerenciar os riscos de clima e custos. Fatores como o plantio da safra de verão e o planejamento da safrinha de milho devem ser acompanhados de perto para garantir margens operacionais positivas no decorrer do ciclo.
* Com auxílio de IA