Guerra comercial entre EUA e China gera dúvidas sobre demanda e impacta mercado do açúcar

Publicado em 15/04/2025 15:42 e atualizado em 15/04/2025 16:41
Hedge Pointe vê início da safra 25/26 mais forte e acredita que produção será acima de 620 milhões de toneladas
Lívea Coda - Analista de Açúcar e Etanol da Hedge Point Global Markets
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Guerra comercial entre EUA e China gera dúvidas sobre demanda e impacta mercado do açúcar

 

Os futuros do açúcar registraram baixas que chegaram a 1,96% entre os principais contratos da Bolsa de Nova Iorque nesta terça-feira (15), e a 2,71% em Londres. Com isso, os preços dão sequência às quedas recentes, sobretudo a partir do anúncio das tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Em NY, o contrato maio/25 fechou com valor de 17,52 cents/lbp, após baixa de 0,35 cents (1,96%). O julho/25 reduziu 0,28 cents (1,58%) e fechou em 17,41 cents/lbp. O outubro/25 caiu 0,27 cents (1,51%) e foi a 17,59 cents/lbp. O maio/25 encerrou a sessão com valor de 17,99 cents/lbp, queda de 0,26 cents (1,42%). 

Entre os principais contratos de Londres, o maio/25 fechou com preço de US$ 513,10/tonelada, queda de 1.430 pontos (2,71%). O agosto/25 teve redução de 790 pontos (1,59%) e ficou cotado em US$ 490,10/tonelada. O outubro/25 perdeu 730 pontos (1,48%) e passou a valer US$ 484,80/tonelada. O dezembro/25 ficou negociado em US$ 484,40/tonelada, perda de 670 pontos (1,36%). 

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Lívea Coda, analista de açúcar e etanol da Hedgepoint Global Markets, afirmou que há uma combinação do cenário macroeconômico conturbado com uma disponibilidade positiva no Brasil. 

Ela ressaltou que a safra 2024/25 no Brasil ficou acima do que era esperado após os episódios de incêndio no segundo semestre de 2024, e a safra 2025/26 já teve um início mais rápido do que era esperado pelos analistas. “Combinando essa disponibilidade brasileira com uma macroeconomia um pouco mais conturbada, temos esse enfraquecimento do açúcar”, explicou.

Além disso, a analista pontou que a China, o maior importador do mundo, não tem comprado. Segundo Coda, isso pode ser tanto por uma preocupação com a economia global quanto também pelos bons resultados da produção chinesa.

“No momento nós não temos visto a China dando o suporte esperado para o mercado, e a grande disponibilidade do Brasil tem afetado os preços também”, afirmou a analista.  

Nesta terça-feira, o Barchart destaca que os preços estão caindo devido à perspectiva de chuvas abundantes de monções na Índia. Segundo o portal, nesta terça-feira o India's Ministry of Earth Sciences projetou uma monção acima do normal este ano, com previsão de precipitação total de 105% da média de longo prazo. A temporada de monções na Índia vai de junho a setembro.  

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

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