Perspectiva de menor produção de açúcar para safra 26/27 do Brasil impulsiona os preços

Publicado em 26/11/2025 16:43
Após atingir o patamar mínimo no início de novembro/25, preços seguem em uma escala de altas, até pelo menos o final do primeiro trimestre do próximo ano, o que deve ajudar muito o mercado futuro, aponta analista
Maurício Muruci - Analista da Safras & Mercado
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Perspectiva de menor produção de açúcar para safra/26 do Brasil impulsiona os preços

Os preços do açúcar fecharam em alta pela terceira sessão consecutiva nesta semana nas bolsas internacionais, impulsionados por uma perspectiva menos favorável para a produção brasileira na safra 2026/27. Nesta quarta-feira (26), a StoneX revisou para baixo sua estimativa de fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil, reduzindo a projeção de 42,1 milhões para 41,5 milhões de toneladas, o que reforçou o movimento de valorização do adoçante.

Na Bolsa de Nova Iorque, os contratos registraram ganhos expressivos. O março/26 avançou 0,23 centavo (+1,54%) e foi negociado a 15,14 cents/lbp. O maio/26 ganhou 0,23 centavo (+1,59%), encerrando o dia a 14,68 cents/lbp. O julho/26 teve valorização de 0,24 centavo (+1,67%) e fechou cotado a 14,63 cents/lbp, enquanto o outubro/26 subiu 0,21 centavo (+1,43%), finalizando a sessão a 14,93 cents/lbp.

Em Londres, o movimento também foi positivo. O contrato março/26 apresentou alta de US$ 5,70 (+1,33%), fechando a US$ 433,60 por tonelada. O maio/26 avançou US$ 5,60 (+1,32%), para US$ 429,10 por tonelada. O agosto/26 acumulou ganho de US$ 6,00 (+1,43%), sendo negociado a US$ 424,10 por tonelada, enquanto o outubro/26 terminou o dia cotado a US$ 422,30 por tonelada.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista da Safras & Mercado, Mauricio Muruci, também destacou a perspectiva de uma produção menor no Brasil como elemento central para a recente recuperação das cotações.

De acordo com Muruci, há expectativa de chuvas abaixo da média nas áreas de cana do Centro-Sul durante a entressafra, em dezembro deste ano e especialmente janeiro de 2026, quando o volume de precipitação poderá ficar até 30% inferior à média histórica. “Quando essa informação ganhar mais força no noticiário nacional e internacional, teremos um movimento ainda mais intenso nos preços do que estamos observando agora”, afirmou.

Diante desse cenário, a Safras & Mercado avalia que os preços podem entrar em trajetória mais acentuada de alta até janeiro e fevereiro do próximo ano, com possibilidade de as cotações em Nova Iorque alcançarem patamares próximos a 18 cents/lbp, em função dessa questão climática.

Além do fator clima, Muruci chama atenção para a mudança esperada no mix de produção na próxima safra. Após um ano mais açucareiro, o ciclo 2026/27 deverá ser marcado por uma inversão, com maior direcionamento da cana para a produção de etanol. A expectativa é de que o biocombustível represente cerca de 53% do mix, enquanto o açúcar fique em torno de 47%, o inverso do que ocorreu na safra atual.

“Vai haver uma inversão quase completa no perfil de produção. As usinas do Centro-Sul já têm entre 73% e 78% da safra do próximo ano fixada”, frisou o analista. Segundo ele, o planejamento antecipado reflete a estratégia das usinas de aproveitar os preços mais atrativos do etanol, o que pode limitar a oferta de açúcar e sustentar as cotações no mercado internacional.

Fonte: Notícias Agrícolas

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