Bloqueio atmosférico no Brasil Central inibe avanço das chuvas e dá chances para um veranico; tempestades avançam sobre o Sul

Publicado em 20/07/2026 10:05 e atualizado em 20/07/2026 11:28
Frente fria mantém o tempo instável no Sul, com alerta para chuva intensa, ventos fortes e granizo, enquanto o calor e o tempo seco seguem predominando nas demais regiões do país
Bárbara Sentelhas

A semana começa com um cenário climático dividido no Brasil e que exige atenção do produtor rural. Enquanto uma frente fria mantém a chuva concentrada sobre o Rio Grande do Sul, um bloqueio atmosférico continua impedindo o avanço das precipitações sobre grande parte do país, favorecendo dias de calor, baixa umidade do ar e tempo seco nas principais regiões agrícolas.

Segundo a engenheira agrônoma e CEO da Agrymet, Bárbara Sentelhas, esse padrão é típico do inverno brasileiro e deve persistir nos próximos dias.

"Nós temos um panorama de estabilidade em grande parte do Brasil central e até do Norte e Nordeste do país, devido à atuação de uma área de alta pressão, ou seja, um bloqueio atmosférico. Esse cenário inibe o avanço das precipitações e é uma característica muito comum do inverno. Quanto mais tempo esse bloqueio permanece, maiores são as chances de termos um período de veranico e temperaturas mais elevadas", explica.

Sul concentra as chuvas mais intensas

A Região Sul continua sendo a principal área de atenção para os produtores rurais. A atuação de uma frente fria associada a uma área de baixa pressão mantém condições para chuva em praticamente todo o Rio Grande do Sul, especialmente entre o centro, noroeste e norte do estado.

Os maiores acumulados previstos para esta segunda-feira podem chegar a aproximadamente 60 milímetros em municípios como São Luiz Gonzaga, enquanto Santa Maria pode registrar cerca de 35 mm e Ijuí, aproximadamente 45 mm.

"Praticamente todo o Rio Grande do Sul deve receber algum volume de chuva. Os maiores acumulados ficam concentrados no centro e no noroeste do estado, enquanto o extremo sul e parte da fronteira oeste terão volumes menores, embora também haja muita nebulosidade", destaca Bárbara.

A nebulosidade reduz o aquecimento na região. As máximas ficam entre 21°C e 22°C na maior parte do estado gaúcho.
Em Santa Catarina, onde a chuva ainda ocorre de forma mais localizada, as temperaturas sobem um pouco mais, variando entre 25°C e 27°C.

Já no Paraná, o contraste aumenta entre o leste e o oeste: Curitiba e Ponta Grossa permanecem com máximas próximas de 24°C, enquanto cidades como Maringá, Londrina e Loanda podem alcançar entre 27°C e 30°C.

Centro-Oeste segue sem chuva e com calor

O bloqueio atmosférico mantém o Centro-Oeste praticamente sem precipitações, favorecendo o aumento gradual das temperaturas e reduzindo ainda mais a umidade do solo.

No Mato Grosso, as máximas chegam a 34°C em Cuiabá e ficam entre 32°C e 33°C em cidades como Sinop, Barra do Garças e Nova Mutum.

Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande deve registrar cerca de 30°C, enquanto Dourados alcança 31°C. Goiás também permanece sob calor, com máximas próximas de 30°C em Goiânia e Rio Verde.

Segundo Bárbara, o longo período sem chuva reforça o cenário típico de inverno na região.

"Toda essa área permanece sob influência do bloqueio atmosférico. Como já estamos há bastante tempo sem precipitações, observamos um aumento significativo das temperaturas e manutenção do tempo seco."

Sudeste tem tempo firme e temperaturas em elevação

No Sudeste, o tempo continua estável durante a semana. A ausência de chuva predomina em praticamente toda a região, favorecendo tardes cada vez mais quentes.

No interior paulista, cidades como Presidente Prudente podem atingir 30°C. Ribeirão Preto e Bauru registram máximas entre 27°C e 28°C.

Na capital paulista e em Campinas, apesar da elevação gradual das temperaturas, os termômetros permanecem mais amenos, variando entre 26°C e 27°C.

Em Minas Gerais, especialmente no Triângulo Mineiro e no oeste do estado, o calor também aumenta ao longo da semana, enquanto o sul mineiro mantém temperaturas mais agradáveis.

Nordeste tem chuva apenas no litoral

No Nordeste, as chuvas permanecem restritas principalmente à faixa litorânea entre o Espírito Santo, sul da Bahia e parte do litoral nordestino, influenciadas pela circulação de umidade do oceano.

Segundo Bárbara, os volumes previstos são baixos.

"Essas precipitações ocorrem principalmente no litoral do Espírito Santo, sul da Bahia e em algumas áreas do Nordeste, mas estamos falando de acumulados entre 3 e 10 milímetros. Não são volumes expressivos."

No interior da região, o tempo permanece seco e quente. As maiores temperaturas são previstas para o oeste da Bahia, sul do Maranhão, Piauí e sertão nordestino.

 

Barreiras pode atingir 31°C, Corrente 32°C, Bom Jesus 33°C e Teresina chega aos 35°C.
Já cidades litorâneas, como Maceió, Salvador e Vitória da Conquista, permanecem com temperaturas mais amenas devido à maior nebulosidade.

Norte segue com chuva irregular

Na Região Norte, a Zona de Convergência Intertropical ainda favorece pancadas de chuva sobre o extremo norte da Amazônia.

As precipitações se concentram principalmente sobre Roraima, Amapá e o norte do Amazonas e do Pará. No restante da região, os volumes diminuem bastante.

Mesmo com a ocorrência de chuva em alguns pontos, o calor continua predominando, com máximas superiores aos 30°C em praticamente toda a região.

Atenção ao manejo no campo

Para o produtor rural, o contraste climático exige planejamento. No Sul, o excesso de chuva pode dificultar operações de campo e elevar o risco de encharcamento em áreas agrícolas. Já nas regiões centrais do país, a combinação entre calor, baixa umidade e ausência prolongada de precipitações aumenta a perda de umidade do solo e pode comprometer atividades agrícolas e pecuárias.

Enquanto o bloqueio atmosférico permanecer atuando sobre o Brasil Central, a tendência é de manutenção do tempo seco e de temperaturas acima da média, com a chuva concentrada principalmente sobre o Rio Grande do Sul e áreas do extremo Norte do país.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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