Sul segue em alerta para temporais enquanto interior do Brasil enfrenta calor e baixa umidade
A atuação de uma frente fria estacionada sobre a Região Sul continua sendo o principal destaque da previsão do tempo nesta terça-feira (21). Enquanto o Rio Grande do Sul permanece sob risco de temporais, com chuva forte, rajadas de vento e possibilidade de granizo, grande parte do interior do Brasil segue sob influência de um bloqueio atmosférico, que mantém o tempo seco, a baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas.
Para o produtor rural, a atenção permanece voltada para dois cenários distintos: o excesso de chuva no Sul, que pode dificultar os trabalhos no campo, e a persistência da estiagem nas regiões Centro-Oeste, Matopiba e interior do Sudeste, onde a falta de precipitação continua reduzindo a umidade do solo.
Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere Meteorologia, o bloqueio atmosférico segue impedindo o avanço das frentes frias sobre boa parte do país.
"Esse bloqueio atmosférico, associado a uma grande circulação de alta pressão, está inibindo a formação de nuvens nas áreas centrais do Brasil e também bloqueando essa frente fria na altura da Região Sul. É uma condição bastante típica do inverno", explica.
Temporais seguem preocupando o Rio Grande do Sul
A frente fria permanece praticamente estacionada sobre o Rio Grande do Sul e continua recebendo calor e umidade transportados da Região Norte, favorecendo a formação de áreas de instabilidade.
De acordo com Patrícia Cassoli, os maiores volumes continuam concentrados entre as regiões central e norte do estado.
"Hoje ainda temos potencial para chuva forte com temporais, especialmente nas áreas centrais e norte do Rio Grande do Sul. Inclusive, não se descarta a possibilidade de queda de granizo em alguns pontos."
As instabilidades também começam a atingir o oeste de Santa Catarina e o extremo sul do Paraná, porém com menor intensidade.
Nos próximos dias, a chuva avança gradualmente para Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo, perdendo força ao longo do deslocamento.
"A partir da quarta-feira, essa chuva vai migrando para Santa Catarina e, depois, para Mato Grosso do Sul e São Paulo, mas já com intensidade menor do que a observada no Rio Grande do Sul."
Interior do país continua seco
Interior do país continua seco
Enquanto o Sul enfrenta excesso de chuva, praticamente todo o interior do Brasil permanece sob domínio do tempo firme.
Segundo a meteorologista, a ausência de precipitações favorece a elevação das temperaturas e mantém baixos índices de umidade relativa do ar, cenário que preocupa principalmente para as atividades agrícolas.
"Todo o interior do continente segue com tempo estável e predomínio de sol. As temperaturas sobem bastante e várias regiões voltam a registrar máximas acima dos 30°C."
As maiores temperaturas desta terça-feira devem ocorrer em cidades como Porto Velho (RO), Cuiabá (MT), Palmas (TO) e Teresina (PI), com máximas entre 34°C e 35°C.
Além do calor, a baixa umidade continua chamando atenção.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que os índices ficaram abaixo de 40% em grande parte de Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, interior de São Paulo, Minas Gerais e também no Matopiba.
"Essa chuva que começa a chegar ao Mato Grosso do Sul e depois a São Paulo vai trazer um alívio em relação à umidade do ar. Mas, para Rondônia, Mato Grosso, Goiás, interior de Minas Gerais e Matopiba, a previsão ainda é de tempo seco nos próximos dias."
Nordeste e Norte mantêm padrão típico do inverno
No Nordeste, a circulação de umidade mantém previsão de pancadas entre o litoral da Bahia e o Rio Grande do Norte, com possibilidade de chuva moderada em alguns momentos.
Também há previsão de pancadas isoladas entre Ceará e Maranhão e sobre o extremo Norte do país.
Já no interior nordestino e na maior parte da Região Norte, o padrão segue de calor e pouca chuva, principalmente em Tocantins e sul do Pará, onde o bloqueio atmosférico continua impedindo o avanço das instabilidades.
Para os produtores dessas regiões, a recomendação é acompanhar diariamente as atualizações meteorológicas, já que o cenário de tempo seco deve persistir durante a semana, enquanto o Sul continua monitorando os impactos do excesso de chuva nas lavouras e nas áreas já encharcadas.