Agosto começa com chuva no Sul e tempo seco desafiando o produtor em grande parte do Brasil

Publicado em 03/08/2026 11:36 e atualizado em 03/08/2026 12:58
Patrícia Cassoli

O início de agosto será marcado por um contraste nas condições do tempo em todo o Brasil. Enquanto uma frente fria mantém a ocorrência de chuvas no Rio Grande do Sul e novas instabilidades devem avançar sobre a Região Sul ao longo da semana, grande parte do interior do país continuará sob influência de uma massa de ar seco, favorecendo dias ensolarados, calor durante as tardes e baixos índices de umidade relativa do ar.

De acordo com a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, o sistema frontal que atuou durante o fim de semana foi menos intenso do que os registrados na segunda quinzena de julho, mas ainda trouxe chuva para parte da Região Sul.

"Tivemos a passagem de uma frente fria mais fraca do que as anteriores, mas que levou chuva principalmente para a metade sul do Rio Grande do Sul, regiões de fronteira com a Argentina e o Uruguai. Também houve precipitações isoladas no oeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas, além do litoral sul da Bahia", explica.

Segundo a especialista, nesta segunda-feira o sistema continua organizando áreas de instabilidade sobre o Sul do país, embora apresente lento deslocamento.

"O destaque segue para o Rio Grande do Sul, especialmente na metade sul do estado, onde ainda há potencial para pancadas mais intensas, acompanhadas de rajadas de vento e até possibilidade de queda de granizo. Na metade norte gaúcha, em Santa Catarina e no sul do Paraná, a chuva ocorre de forma mais isolada", afirma.

Interior do Brasil permanece sem chuva

Enquanto o Sul recebe novas precipitações, o restante do país continua enfrentando um cenário típico da estação seca.
Cassoli destaca que o interior das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste permanece sob domínio do ar seco, sem expectativa de chuva significativa ao longo desta semana.

"O interior do Brasil começa a semana com tempo mais seco e temperaturas elevadas. Não há expectativa de chuva pelo menos até sexta-feira em grande parte desse miolo do país", ressalta.

As temperaturas continuam acima dos 30°C em boa parte do Centro-Oeste, norte de São Paulo, interior do Nordeste e regiões Norte. Já no Sul, apesar da presença das instabilidades, as máximas variam entre 23°C e 25°C, valores considerados acima da média para esta época do ano.

Outro ponto de atenção é a baixa umidade relativa do ar, que segue preocupando produtores rurais.

"A umidade pode ficar abaixo dos 20% entre o norte de Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, Matopiba e áreas do sul e leste do Pará, exigindo atenção tanto para a saúde quanto para o aumento do risco de incêndios", alerta a meteorologista.

Nova frente fria reforça chuva no Sul

A previsão indica que uma nova frente fria mais organizada deve avançar sobre a Região Sul entre quarta e quinta-feira, aumentando novamente o risco de temporais.

"A chuva deve ganhar força novamente a partir da quarta-feira, com potencial para temporais, rajadas de vento e queda de granizo, principalmente no Rio Grande do Sul, mas também avançando para Santa Catarina e Paraná", explica Cassoli.

Os volumes previstos não devem atingir os extremos registrados em julho, quando diversas localidades ultrapassaram os 100 milímetros, mas poderão superar 80 milímetros em algumas áreas do Sul ao longo da semana.

Excesso de umidade preocupa produtores do Sul

Mesmo com volumes menores, o solo gaúcho continua saturado após as sucessivas frentes frias registradas nas últimas semanas.

"A região não está tendo grandes tréguas. Passa uma frente fria, depois há dois ou três dias de tempo firme e volta a chover. Isso impede uma recuperação dos rios e mantém o solo com excesso de umidade", afirma.

Segundo a meteorologista, o cenário preocupa principalmente os produtores de culturas de inverno.

"O trigo já teve o plantio finalizado, mas esse excesso de umidade, aliado às temperaturas mais baixas e à maior nebulosidade, prejudica o desenvolvimento das plantas e favorece o surgimento de doenças. O produtor precisa ficar bastante atento ao manejo das lavouras", destaca.

Centro-Oeste segue com déficit hídrico

Na situação oposta está o Centro-Oeste, onde o armazenamento de água no solo continua diminuindo.

Cassoli explica que, apesar de haver previsão de pancadas isoladas em algumas localidades ao longo da primeira quinzena de agosto, os volumes serão insuficientes para aliviar o déficit hídrico.

"O mês de agosto é climatologicamente o mais seco do ano. Até pode ocorrer uma chuva muito rápida e isolada em algumas áreas, mas ela não chega nem a um milímetro em muitos casos e não muda a condição do solo", explica.

Segundo ela, o armazenamento de água continuará reduzindo nas próximas semanas.

"A tendência é de manutenção do déficit hídrico, já que não existe previsão de chuva significativa durante a primeira quinzena de agosto", conclui.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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