Ciclone reforça temporais no Sul e muda o tempo no Brasil; veja a previsão completa
A frente fria associada ao ciclone extratropical continua influenciando o tempo sobre o Centro-Sul do Brasil, mantendo condições para chuva, rajadas de vento e temporais localizados, principalmente entre a Região Sul e parte do Sudeste. O sistema recebeu a classificação de ciclone-bomba porque passa por uma intensificação muito rápida, com queda acentuada da pressão atmosférica em menos de 24 horas.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o ciclone se forma sobre o Oceano Atlântico a partir do desprendimento de uma área de baixa pressão que se desenvolve entre o norte da Argentina, o Uruguai e o sul do Brasil. Esse sistema organiza a frente fria responsável pelas mudanças no tempo sobre o continente.
"O ciclone fica no Atlântico. É essa frente fria que faz a incursão pelo país e proporciona as chuvas, os ventos e as tempestades. O ciclone em si permanece sobre o oceano, mas influencia principalmente os ventos e a agitação marítima."
A especialista explica que o ciclone recebe a classificação de "bomba" quando sua pressão atmosférica cai rapidamente em poucas horas, intensificando sua circulação. O nome está relacionado exclusivamente à velocidade dessa intensificação e não a uma explosão ou ao volume de chuva.
"Ele organiza a frente fria e, à medida que ela avança pelo país, provoca chuva, vento forte e temporais. O ciclone permanece no oceano, enquanto a frente fria é quem leva as instabilidades para o continente."
Sul segue como principal área de atenção
Mesmo com o ciclone começando a se afastar para o Atlântico, a frente fria continua provocando chuva sobre parte da Região Sul. Os maiores acumulados permanecem concentrados entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com possibilidade de temporais isolados, descargas elétricas, granizo e rajadas de vento.
A meteorologista destaca que o cenário ainda exige atenção do produtor rural, principalmente nas áreas onde o solo já apresenta excesso de umidade após as chuvas das últimas semanas.
"Nas próximas horas ainda teremos possibilidade de chuva, principalmente entre Santa Catarina e Paraná. Depois, a massa de ar frio avança e o tempo começa a abrir no Rio Grande do Sul."
No Paraná, as instabilidades tendem a persistir por mais tempo durante o fim de semana, favorecidas por áreas de baixa pressão atmosférica que mantêm a formação de nuvens carregadas.
Ventos fortes também atingem Sudeste e Centro-Oeste
Além das chuvas, um dos principais impactos da frente fria será a ocorrência de ventos fortes em diversas áreas do Centro-Sul.
As rajadas mais intensas continuam previstas para a faixa litorânea das regiões Sul e Sudeste, mas também podem atingir o interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
"Ainda teremos rajadas entre 50 e 70 km/h em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste enquanto a frente fria estiver atuando. Essa combinação entre a frente e áreas de baixa pressão favorece essas rajadas de vento."
No litoral, a influência do ciclone também mantém o mar agitado, situação que levou a Marinha do Brasil a emitir avisos de ressaca para parte da costa das regiões Sul e Sudeste.
Massa de ar frio derruba as temperaturas
Na retaguarda da frente fria, uma massa de ar frio avança sobre o Sul do Brasil e derruba as temperaturas, especialmente entre sábado e domingo.
As menores temperaturas devem ocorrer no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto o frio avança gradualmente sobre o Paraná.
"A massa de ar frio começa a entrar logo após a frente fria. O sábado e o domingo terão temperaturas mais baixas, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina."
Interior do Brasil continua seco
Enquanto o Sul enfrenta chuva e a chegada do frio, grande parte do interior do país segue sob influência de uma massa de ar quente e seca.
Centro-Oeste, interior do Sudeste e boa parte do Matopiba permanecem com baixa umidade relativa do ar, favorecendo dias ensolarados, grande amplitude térmica e aumento do risco de queimadas.
Segundo Andrea Ramos, esse padrão é característico do mês de agosto.
"Essa massa de ar quente e seca inibe a formação de nuvens de chuva. O tempo permanece firme em boa parte do Centro-Oeste e do interior do Brasil."
Na Região Norte, as pancadas continuam concentradas entre Amazonas, Roraima e norte do Pará, enquanto no Nordeste as chuvas permanecem restritas à faixa litorânea, com acumulados mais expressivos próximos ao litoral.