Chuvas retornam ao Sul e Sudeste e acumulados podem chegar a 200 MM; calor predomina no BR Central

Publicado em 18/09/2026 11:07 e atualizado em 18/09/2026 12:11
Frente fria associada à queda de pressão atmosférica altera as condições meteorológicas e favorece áreas de plantio no Centro-Oeste, enquanto o Sul e Sudeste enfrentam tempestades severas.
Francisco de Assis Diniz - Meteorologista e Consultor em Clima

Uma expressiva mudança no padrão meteorológico atinge diversas regiões produtoras do Brasil nos próximos dias. A formação de centros de baixa pressão combinada ao forte contraste de temperatura no Sul do país está organizando frentes frias com potencial para provocar temporais, rajadas de vento e queda de granizo, avançando em direção ao Sudeste e partes do Centro-Oeste até o dia 24 de setembro.

Segundo o meteorologista e consultor em clima Francisco de Assis, a primeira frente atua de forma mais rápida e desorganizada, mas o sistema ganha intensidade entre os dias 21 e 22 de setembro. "Novamente vai ter um abaixamento de pressão bem significativo até essa frente fria organizar melhor e vir para a parte central do Brasil", explicou o especialista, ressaltando o risco de temporais severos com vendavais e granizo em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Volumes elevados superam 200 mm no Sul e Sudeste

Os maiores acumulados de precipitação estão previstos para a faixa entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. De acordo com os modelos climáticos apresentados, os volumes acumulados podem ultrapassar a marca de 200 mm em áreas catarinenses e no norte gaúcho, enquanto a porção sul do Rio Grande do Sul deve ficar mais preservada da instabilidade volumosa.

No leste de Santa Catarina, a chuva deve oscilar entre 130 mm e 150 mm, ao passo que o sul e o leste paranaense podem registrar acumulados entre 70 mm e 100 mm. No Sudeste, as instabilidades alcançam o estado de São Paulo, com destaque para o Vale do Ribeira (70 mm a 80 mm), o Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais — importante polo da cafeicultura —, onde os registros podem alcançar a faixa de 50 mm.

Pancadas beneficiam início do plantio em Mato Grosso

Para o Centro-Oeste, a chegada da umidade e a formação de instabilidades são observadas com atenção pelos produtores rurais. As chuvas devem alcançar o Distrito Federal, o centro-sul de Goiás e diversas regiões de Mato Grosso, como Rondonópolis, Sinop, Lucas do Rio Verde, Sapezal e Campo Novo do Parecis. Nessas localidades, o calor intenso do fim de semana deve ser sucedido por pancadas isoladas de 30 mm a 40 mm entre os dias 23 e 24 de setembro.

O volume previsto é considerado favorável para a largada da semeadura da safra de soja no estado. Contudo, Francisco de Assis alertou que a regularidade hídrica ainda não está garantida: "Até quando vai ter essa garantia pela frente é que não se garante... há uma previsão da gente ter o final de outubro, novembro e dezembro com chuva muito irregular na região".

Cenário contrastante no Norte e Nordeste

Enquanto o Centro-Sul lida com excesso de água e tempestades, a faixa leste do Nordeste mantém registros moderados de chuva entre 10 mm e 20 mm, podendo passar de 30 mm no Recôncavo Baiano. No Norte, as precipitações se concentram no oeste do Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia.

Em contrapartida, a região metropolitana de Manaus e o leste amazônico continuam castigados por forte estiagem e temperaturas elevadas. O meteorologista pontuou que, após meses de julho e agosto secos, setembro mantém a ausência quase total de chuvas na capital amazonense, agravando o quadro de seca na região.

Impactos e recomendações ao setor produtivo

O quadro meteorológico desenhado para os próximos dias exige cautela redobrada dos produtores do Centro-Sul quanto aos riscos de danos materiais e fisiológicos provocados pelo granizo e pelas fortes rajadas de vento em lavouras recém-implantadas e em pomares. Por outro lado, para os sojicultores do Centro-Oeste, o retorno gradual das chuvas abre uma janela inicial de trabalho no campo, ainda que o planejamento deva considerar a probabilidade de instabilidades espaçadas ao longo do último trimestre do ano.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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